segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Salutación á José Afonso

Março aconteceu chuvoso em 1985. Vestia­-se de cinzento a cidade quando a atravessei, emocionado, rumo ao hotel. E o caso não era para menos: tinha chegado Atahualpa Yupanqui!
(...)
A dada altura, Atahualpa estendeu-me uma folha de papel pautado, dizendo: «Escrevi este poema para o José Afonso e gostava de lho poder entregar pessoalmente mas tal não me vai ser possível. Agradeço-te que lho envies…»Enviei. Esclarecendo o Zeca de que se tratava do original (conforme repetida insistência do próprio Atahualpa Yupanqui) e de que iria procurar, por todos os meios, divulgá-lo o mais amplamente possível como tinha sido expressamente desejado pelo seu autor.Os tempos passaram. Das andanças do Zeca sempre fomos sabendo. E de Atahualpa Yupanqui uma ou outra notícia dispersa. E ontem a da inevitável partida física do trovador Yupanqui (faleceu a 23 de maio de 1992). Num momento de partida antecipo uma chegada imaginada: nesta altura, para onde quer que tenham ido, o Zeca e o Atahualpa. Já se encontraram. Com o velho índio a dizer: «Te abrazo, hermano, y ai combate vamos. Somos hechos de lúz y polvareda.».

Mário Correia

Salutación á José Afonso | Atahualpa Yupanqui

Ya no estoy en tu piedra. hermano Afonso.
Como un viento de mi pampa
legué leno de cantos enamorados y salvages.
Aqui quedan algunos, cerca de tus olivos.
junto a los rios, trepando calles
y caminos duros. Duros como los hombres y
las cosas.
Como no amar la tierra, compañero?
Si en el aroma fuerte de la hierba
te saluda en la tarde la paloma escondida.
La mano deI amigo es tu estandarte.
Tan hondo como el mar es el amor deI pueblo.
Donde quiera que vayas, la poesia amanece
como una novia inacabable y tierna.
A mi América vuelvo, José Afonso.
Te abrazo. hermano, y aI combate vamos.
Somos hechos de lúz y polvareda.

Atahualpa Yupanqui 9 de Marzo 1985

Fonte: AJA

A minha página musical deste cantautor Aqui


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