quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A Voz do Galo

Janita Salomé

«Um dia, o Zeca resolveu ir descansar para o Redondo. Estava farto do barulho em Setúbal, do barulho das motas. Eu ainda vivia no Redondo. Apareceu-me sozinho e arranjei-lhe um quarto na parte de trás da casa, para não ficar perto da rua. Dava para o quintal, um quarto sossegado. No dia seguinte, perguntei-lhe: "Então que tal? Aqui não há motorizadas." E ele diz-me: «Tudo porreiro, mas só uma coisa: o galo. Aquele galo tem uma voz!...»

O galo cantara toda a noite e não o deixou dormir.

In Zeca Afonso "Livra-te do Medo" de José A. Salvador

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