quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Era um gajo porreiro

Vitorino

"Conheci-o nos meus vinte anos quando o Zeca Afonso era professor numa escola secundária em Faro. Já antes conhecia a sua música, de o ouvir clandestinamente. Os primeiros que ouvi dele foi o “Menino do Bairro Negro” e os “Vampiros”.

Nessa altura eu andava na tropa e vi um projeto que anunciava o doutor José Afonso, na Casa dos Pescadores de Olhão. Eu e outros recrutas fomos lá ouvi-lo. Ele movimentava as pessoas com um sentido que ia muito além da música. Ele simbolizava o reviralhismo, o movimento contra a ditadura. Sabíamos bem de que lado ele estava.

Professor de esquerda, da escola do existencialismo, não punha gravata.

Um dia antes de um concerto ele pediu-me para lhe afinar a viola. Ficámos amigos desde então e nunca mais deixámos de o ser. Passámos pela revolução. Acompanhei-o antes e depois do 25 de Abril. Era um homem expansivo, sanguíneo q.b. e profundamente solidário em todas as circunstâncias.

(...) Era um gajo porreiro, um amigo que faz falta, com uma atitude ética e social irrepreensíveis e que deixou uma obra única na música europeia."
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daqui:http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-02-23-Um-gajo-porreiro-um-amigo-que-faz-falta
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foto: Zeca, Vitorino e Carlos Alberto Moniz



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