Esta é a crónica, escrita e publicada por Rocha Pato no jornal "O PRIMEIRO DE JANEIRO" de 30 de Outubro de 1962, em que é contada a verdadeira epopeia que foi conseguir um local em Coimbra onde se pudessem fazer gravações para editar em disco (EP). O repórter descreve ao pormenor como foram aquelas duas tardes em que num dia gravou o José Afonso comigo ("Baladas de Coimbra") e posteriormente, no mesmo local, para a mesma editora, o Barros Madeira com o Brojo, o Portugal e o Moutinho ("Balada Da Saudade")
O recorte do jornal tem 59 anos, está um pouco gasto e amarelecido...mas constitui um belo documento.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
Autobiografia
As minhas primeiras veleidades de cantor surgiram quando andava no 6º ano do liceu. As noites passava-as em deambulações secretas pela cidade, acompanhado de meia-dúzia de meliantes da minha idade, amantes inconsequentes da noite. Com uma guitarra e uma viola fazíamos a festa. Estávamos ainda longe do hieratismo triunfal das serenatas na Sé Velha diante de multidões atentas e respeitosas. O velho Flávio Rodrigues continuava a ser o «Mestre», venerado por um pequeno discipulado de guitarristas e acompanhadores que com ele se reuniam numa pequena casa do bairro de Celas onde acabou os seus dias minado por uma doença fatal.
Do convívio com esse homem torturado (Flávio Rodrigues) ficou-me a recordação de uma instabilidade impotente e resignado ao peso de terríveis limitações materiais que acompanharam até ao fim o lento processo destruidor do nosso companheiro.
Seguiu-se um período de promoção fadística em que acabaram por me colocar no palanque das estrelas de primeira grandeza. Outros acompanhadores (peritos e sisudos) e outras oportunidades em viagem promovidos pela TUNA e pelo Orfeon. São dessa época as minhas idas a África e as tournées através da província. Recordo-me de ter participado na inauguração duma auto-maca, para os bombeiros voluntários de Pádua e e de, por diversas vezes, ter dormido ao relento nos "pinhais do rei.
Nestas andanças percorri as estradas do país esticando o polegar a quem passava sobre rodas, ou, mais afortunadamente, pagando com fados e canções a hospitalidade com que me recebiam em suas casas: pobres, ricos e fidalgos arruinados.
Por motivos económicos fui forçado a deixar Coimbra antes de concluir o curso e a leccionar em colégios particulares. O contacto concreto com a situação profissional no sentido mais amplo, foi-me a pouco e pouco endurecendo.
Em Coimbra as coisas mudavam lentamente. Novas remessas de estudantes, menos pitorescos mas mais conscientes do que os do meu tempo, mais devotados aos problemas que fatalmente surgiam num meio sufocado por tradição, as mais das vezes inútil, intentam, à semelhança do que já outras gerações haviam feito, romper declaradamente com o bafio, pôr de parte a quinquilharia passadista do velho romantismo do "Penedo", realizar ao nível associativo uma modernização da vida académica dentro dos limites a que os forçava o estreitamento geográfico em que viviam.
Lá longe, no Algarve, chegavam-me os ecos destes acontecimentos. Embora em doses insignificantes, e já um pouco tarde, tentei acertar o passo por esse ritmo coordenador de energias há muito desencandeadas, mas sem o sentido de oportunidade de que careciam para se converterem em acção positiva e fértil.
Nessas pequenas descobertas adquiri a noção do tempo perdido, abominei a cidade onde a minha alegria de viver inùltimente estiolara ouvindo "tanger os bordões da viola", calcorreando ruas, frequentando casas de prego, bebendo bicas nos cafés da baixa, ou escutando, mais por imposição do que por prazer, as arengas dos teóricos da bola.
Nalgumas andanças por Lisboa tomei esporádico contacto com outros meios estudantis. Rapazes novos, dinâmicos, combativos, de pés bem assentes na terra, com os quais, embora de uma forma efémera, muito me foi dado aprender. Ganhei amizades, rejuvenesci e sobretudo senti na carne a urgência de alguns problemas que até então mal tinham afectado a minha maneira de ser.
Numa disposição de espírito muito diferente do que me levara a procurar fora de Coimbra uma largueza de horizontes que a cidade me negara, renovei um pouco o meu conhecimento dos homens e dos lugares. O Algarve foi por então a minha pátria adoptiva. Nos sapais da ria de Faro e nos areais do sotavento algarvio passava eu as melhores horas do dia junto do barco simbólico que o António Barahona salvara do esquecimento e da decomposição.
Só muito acidentalmente cantei. Em casamentos, baptizados, convívios efémeros, que sei eu? Como de resto Sempre o tinha feito. As baladas surgiram como um produto anónimo desse conjunto de circunstâncias, mas, também, com o tempo, sempre um interlocutor forçoso cantava comigo. Mais do que simples forma musical vagamente lúdica ou combativa definiam uma atmosfera pré-existente nas coisas presentes e passadas. Nada mais do que um folclore de segunda ordem pronta a servir.
O Rui Pato ajudou-me nas situações de maior responsabilidade perante públicos mais exigentes ou nas gravações. Comecei a cantar o que me vinha à cabeça, nas praias do sul ou em curtas deambulações por terras de província onde ampliei, fora do ambiente universitário, as minhas experiências mais duradoiras. A mais recente pausa da minha vida (ida para Moçambique) veio cortar de uma forma imprevista as esperanças dum recomeçar.
Sem saber como, apesar das inevitáveis demoras burocráticas achei-me em Lourenço Marques com um lugar de professor. Mais umas baladas (as últimas) e uma transferência para a Beira. Novo lapso e uma última oportunidade que me veio através do TAB (Teatro dos amadores da Beira). Cardoso dos Santos empenhava-se num prazo mínimo de tempo em preparar a encenação de "A excepção e a regra" de Brecht. Faltava musicar e adaptar as canções que figuravam na tradução de Francisco Rebelo. Assim fiz. Depois disto a mudez ou a decadência. Não sei bem.
Beira - Abril de 1967 in Cantares - Edição SCIP - AA EE de Lisboa
(edição Nov/1967. O resultado das vendas foi entregue ao Zeca, nessa altura impedido de exercer a sua profissão de professor.
Informação de AP Braga)
Do convívio com esse homem torturado (Flávio Rodrigues) ficou-me a recordação de uma instabilidade impotente e resignado ao peso de terríveis limitações materiais que acompanharam até ao fim o lento processo destruidor do nosso companheiro.
Seguiu-se um período de promoção fadística em que acabaram por me colocar no palanque das estrelas de primeira grandeza. Outros acompanhadores (peritos e sisudos) e outras oportunidades em viagem promovidos pela TUNA e pelo Orfeon. São dessa época as minhas idas a África e as tournées através da província. Recordo-me de ter participado na inauguração duma auto-maca, para os bombeiros voluntários de Pádua e e de, por diversas vezes, ter dormido ao relento nos "pinhais do rei.
Nestas andanças percorri as estradas do país esticando o polegar a quem passava sobre rodas, ou, mais afortunadamente, pagando com fados e canções a hospitalidade com que me recebiam em suas casas: pobres, ricos e fidalgos arruinados.
Por motivos económicos fui forçado a deixar Coimbra antes de concluir o curso e a leccionar em colégios particulares. O contacto concreto com a situação profissional no sentido mais amplo, foi-me a pouco e pouco endurecendo.
Em Coimbra as coisas mudavam lentamente. Novas remessas de estudantes, menos pitorescos mas mais conscientes do que os do meu tempo, mais devotados aos problemas que fatalmente surgiam num meio sufocado por tradição, as mais das vezes inútil, intentam, à semelhança do que já outras gerações haviam feito, romper declaradamente com o bafio, pôr de parte a quinquilharia passadista do velho romantismo do "Penedo", realizar ao nível associativo uma modernização da vida académica dentro dos limites a que os forçava o estreitamento geográfico em que viviam.
Lá longe, no Algarve, chegavam-me os ecos destes acontecimentos. Embora em doses insignificantes, e já um pouco tarde, tentei acertar o passo por esse ritmo coordenador de energias há muito desencandeadas, mas sem o sentido de oportunidade de que careciam para se converterem em acção positiva e fértil.
Nessas pequenas descobertas adquiri a noção do tempo perdido, abominei a cidade onde a minha alegria de viver inùltimente estiolara ouvindo "tanger os bordões da viola", calcorreando ruas, frequentando casas de prego, bebendo bicas nos cafés da baixa, ou escutando, mais por imposição do que por prazer, as arengas dos teóricos da bola.
Nalgumas andanças por Lisboa tomei esporádico contacto com outros meios estudantis. Rapazes novos, dinâmicos, combativos, de pés bem assentes na terra, com os quais, embora de uma forma efémera, muito me foi dado aprender. Ganhei amizades, rejuvenesci e sobretudo senti na carne a urgência de alguns problemas que até então mal tinham afectado a minha maneira de ser.
Numa disposição de espírito muito diferente do que me levara a procurar fora de Coimbra uma largueza de horizontes que a cidade me negara, renovei um pouco o meu conhecimento dos homens e dos lugares. O Algarve foi por então a minha pátria adoptiva. Nos sapais da ria de Faro e nos areais do sotavento algarvio passava eu as melhores horas do dia junto do barco simbólico que o António Barahona salvara do esquecimento e da decomposição.
Só muito acidentalmente cantei. Em casamentos, baptizados, convívios efémeros, que sei eu? Como de resto Sempre o tinha feito. As baladas surgiram como um produto anónimo desse conjunto de circunstâncias, mas, também, com o tempo, sempre um interlocutor forçoso cantava comigo. Mais do que simples forma musical vagamente lúdica ou combativa definiam uma atmosfera pré-existente nas coisas presentes e passadas. Nada mais do que um folclore de segunda ordem pronta a servir.
O Rui Pato ajudou-me nas situações de maior responsabilidade perante públicos mais exigentes ou nas gravações. Comecei a cantar o que me vinha à cabeça, nas praias do sul ou em curtas deambulações por terras de província onde ampliei, fora do ambiente universitário, as minhas experiências mais duradoiras. A mais recente pausa da minha vida (ida para Moçambique) veio cortar de uma forma imprevista as esperanças dum recomeçar.
Sem saber como, apesar das inevitáveis demoras burocráticas achei-me em Lourenço Marques com um lugar de professor. Mais umas baladas (as últimas) e uma transferência para a Beira. Novo lapso e uma última oportunidade que me veio através do TAB (Teatro dos amadores da Beira). Cardoso dos Santos empenhava-se num prazo mínimo de tempo em preparar a encenação de "A excepção e a regra" de Brecht. Faltava musicar e adaptar as canções que figuravam na tradução de Francisco Rebelo. Assim fiz. Depois disto a mudez ou a decadência. Não sei bem.
Beira - Abril de 1967 in Cantares - Edição SCIP - AA EE de Lisboa
(edição Nov/1967. O resultado das vendas foi entregue ao Zeca, nessa altura impedido de exercer a sua profissão de professor.
Informação de AP Braga)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
Júlio Isidro - SÓ SOMOS NÓS COM OS OUTROS.
Os Setes de Ouro , iniciativa do semanário SE7E , representavam um estimulante orgulho para quem os recebia, garantidos por um júri. de prestigiados nomes do jornalismo, artes, letras e espectáculos.
Passo os olhos por estes prémios e outros, todos os dias, não em contemplação embevecida, assim como quem enche o ego de baba arrogante. Apenas porque estão na sala onde jantamos , ali estão mesmo em frente do meu lugar à mesa.
E penso que valem para mim, na justa medida em que tive o privilégio de integrar um grupo de nomes cujo talento me engrandeceu. Ali estava entre alguns dos nossos melhores, eu com este feitio de enfezar a auto estima, quase me sentia o suplente de tão grande equipa . Nesses dois anos de 1981 e 82 foram-me atribuídos cinco canudos do SE7E, mas há um que me anima a vida nos momentos difíceis e me enche o peito de ar em horas decisivas, quando é preciso dar o melhor de mim.
José Afonso recebeu o Prémio Especial SE7E de Ouro e eu o Prémio da Popularidade SE7E de Ouro.
O menino Julinho, o tio Julião, apenas o Júlio, ao lado do poeta das nossas utopias, a voz dos nossos silêncios , o grito da nossa condição, a doçura dos nossos corações.
Aconteça o que acontecer quando chegar ao fim, não serão os anos de vida que irão contar, mas a vida que preencheu esses anos.
Escrevo estas linhas, após ter descoberto num saco de uma sapataria, já rasgado, este testemunho de vida , perdido entre tantos recortes que irei juntar à minha biografia.
Passo os olhos por estes prémios e outros, todos os dias, não em contemplação embevecida, assim como quem enche o ego de baba arrogante. Apenas porque estão na sala onde jantamos , ali estão mesmo em frente do meu lugar à mesa.
E penso que valem para mim, na justa medida em que tive o privilégio de integrar um grupo de nomes cujo talento me engrandeceu. Ali estava entre alguns dos nossos melhores, eu com este feitio de enfezar a auto estima, quase me sentia o suplente de tão grande equipa . Nesses dois anos de 1981 e 82 foram-me atribuídos cinco canudos do SE7E, mas há um que me anima a vida nos momentos difíceis e me enche o peito de ar em horas decisivas, quando é preciso dar o melhor de mim.
José Afonso recebeu o Prémio Especial SE7E de Ouro e eu o Prémio da Popularidade SE7E de Ouro.
O menino Julinho, o tio Julião, apenas o Júlio, ao lado do poeta das nossas utopias, a voz dos nossos silêncios , o grito da nossa condição, a doçura dos nossos corações.
Aconteça o que acontecer quando chegar ao fim, não serão os anos de vida que irão contar, mas a vida que preencheu esses anos.
Escrevo estas linhas, após ter descoberto num saco de uma sapataria, já rasgado, este testemunho de vida , perdido entre tantos recortes que irei juntar à minha biografia.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Editora Orfeu - Arnaldo Trindade
A editora Orfeu, criada por Arnaldo Trindade, em 1956, possibilitou a edição de discos de grandes nomes da música portuguesa como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
A história de Trindade é exemplar do que era a época: quando começou a Orfeu tinha apenas «19 ou 20 anos», diz. O dinheiro vinha do pai, que era «o representante em Portugal da Philco, uma subsidiária da Philips com linha de televisão e frigoríficos». Trindade era um estudante de engenharia interessado pelas artes na década de 1950; chegou a conhecer Teixeira de Pascoaes.
Igualmente apaixonado por música, queria fazer uma editora e começou por juntar os seus dois amores lançando discos de poetas a ler a sua poesia: Torga, Régio, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, etc. «Eles não percebiam porque é que eu os queria gravar. Tive de lhes explicar que em França o Sartre e o Cocteau já faziam isto há muito».
Era, a todos os títulos, um homem sofisticado e, rapidamente, começou a gravar vários tipos de música: «grupos amadores de jazz, de ingleses e alemães que viviam no Porto, gente como Pedro Osório e os Pop Five, um trio chamado Los Paraguaios, o Conjunto António Mafra, a fadista Maria da Fé». A seguir começou a gravar música folclórica: «os grupos folclóricos eram produções muito baratas e por isso davam dinheiro». Depois passou para os fados de Coimbra, com Adriano, e foi assim que José Afonso lhe chegou. E também este lhe deu dinheiro: «o Cantares do Andarilho vendeu bem».
Apesar disto, Afonso sempre se queixou de falta de dinheiro e, por vezes, os amigos juntavam-se para o ajudar (como fizeram ao comprar-lhe um carro, num peditório organizado por Carlos do Carmo). As versões diferem: Arnaldo Trindade diz que José Afonso tinha «o melhor contrato» da Orfeu, «equiparável ao de qualquer grande artista português…»
Blitz - 23.02.2019
Colaboração de Bea Triz
A história de Trindade é exemplar do que era a época: quando começou a Orfeu tinha apenas «19 ou 20 anos», diz. O dinheiro vinha do pai, que era «o representante em Portugal da Philco, uma subsidiária da Philips com linha de televisão e frigoríficos». Trindade era um estudante de engenharia interessado pelas artes na década de 1950; chegou a conhecer Teixeira de Pascoaes.
Igualmente apaixonado por música, queria fazer uma editora e começou por juntar os seus dois amores lançando discos de poetas a ler a sua poesia: Torga, Régio, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, etc. «Eles não percebiam porque é que eu os queria gravar. Tive de lhes explicar que em França o Sartre e o Cocteau já faziam isto há muito».
Era, a todos os títulos, um homem sofisticado e, rapidamente, começou a gravar vários tipos de música: «grupos amadores de jazz, de ingleses e alemães que viviam no Porto, gente como Pedro Osório e os Pop Five, um trio chamado Los Paraguaios, o Conjunto António Mafra, a fadista Maria da Fé». A seguir começou a gravar música folclórica: «os grupos folclóricos eram produções muito baratas e por isso davam dinheiro». Depois passou para os fados de Coimbra, com Adriano, e foi assim que José Afonso lhe chegou. E também este lhe deu dinheiro: «o Cantares do Andarilho vendeu bem».
Apesar disto, Afonso sempre se queixou de falta de dinheiro e, por vezes, os amigos juntavam-se para o ajudar (como fizeram ao comprar-lhe um carro, num peditório organizado por Carlos do Carmo). As versões diferem: Arnaldo Trindade diz que José Afonso tinha «o melhor contrato» da Orfeu, «equiparável ao de qualquer grande artista português…»
Blitz - 23.02.2019
Colaboração de Bea Triz
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
domingo, 10 de janeiro de 2021
Postal de José Afonso a Natália Correia - Dezembro de 1986
Cara Natália
Não consigo ver televisão, mas a sua presença. Vi por momentos um programa na TV em que você intervinha, sobre o tema “Amor e paixão”.
Gostei de ouvir a sua afirmação de que é necessário recuperar a cultura dos incultos. Preciso da sua presença nem que seja por momentos na TV.
Um abraço amigo do
José Afonso
daqui: http://www.aja.pt/para-natalia-correia/
Colaboração de Anália Gomes
Não consigo ver televisão, mas a sua presença. Vi por momentos um programa na TV em que você intervinha, sobre o tema “Amor e paixão”.
Gostei de ouvir a sua afirmação de que é necessário recuperar a cultura dos incultos. Preciso da sua presença nem que seja por momentos na TV.
Um abraço amigo do
José Afonso
daqui: http://www.aja.pt/para-natalia-correia/
Colaboração de Anália Gomes
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
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