quarta-feira, 28 de novembro de 2018

DISCO MÚSICA & MODA, nº 1 de Fevereiro de 1971

A página 13 do primeiro número do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" continha, para além da publicidade, um artigo sobre José Afonso, relativamente ao LP "Traz Outro Amigo Também".

daqui: https://notaspassadas.blogspot.com/…/jose-afonso-canto-moco…

O próximo LP (referência ao último parágrafo deste artigo) seria o "Cantigas do Maio", considerado por um painel de 25 críticos reunidos pelo semanário Se7e, o Melhor Álbum de Sempre, da Música Popular Portuguesa.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Crise Académica (luto académico) - Maio de 1969

“A Crise de 69 teve um sarau fabuloso que é feito com os que conseguem chegar a Coimbra. Quando havia um sarau desse tipo normalmente você punha “Carlos Paredes e outros”, os outros já se sabia se se conseguisse chegar o Zeca, a PIDE cercava Coimbra. O Zeca já cá estava e foi um sarau fabuloso, todo aquele sarau foi um comício de rebeldia, bom do ponto de vista musical, o Zeca estava inspirado naquele dia… O Carlos Paredes, por exemplo, foi parado, apanharam-no. Mas com um conteúdo aquele espectáculo… toda a gente percebia que aqueles FRA’s tinham um cunho muito especial…*

* Entrevista a José Gabriel

Tudo indica que aqui houve duas atuações de Zeca, uma no Ginásio da AAC (mais tarde cantina conforme a indicação de Rui Pato) e no jardim.

Ginásio

Para além da atuação de Zeca e Rui Pato, há fotos de um outro cantor não identificado (Zeca está de joelhos no nosso lado direito) e de Adriano Correia de Oliveira. Reparar que na atuação de Adriano não está a capa no varandim, mas quando canta Zeca e esse cantor por enquanto desconhecido, está lá a capa negra sinal de luto académico. Pode-se reconhecer também António Portugal nas fotos.


Jardins da UAC

Festival de Música Folk - 20 de março de 1969

Coimbra - Teatro Avenida.

Estiveram presentes para além de Zeca (a revista "Capa e Batina" embora apresentando uma foto de Zeca e um pouco de Rui Pato, não faz qualquer referência à sua atuação), Manuel Freire e Adriano Correia de Oliveira cujas atuações não foram do agrado do escriba desta revista.

Carlos Paredes também era para estar presente mas, por qualquer motivo, não apareceu.

Estas duas fotos do Zeca e Rui Pato são desse Festival


Do acervo de José Armando Carvalho, ao qual agradeço a colaboração neste tema

Tomada da Bastilha - 25 de novembro de 1968

Coimbra - Teatro Avenida

"No dia 25 Salvat assiste com a sua mulher, e na companhia de João Duarte Rodrigues e Maria Clara Boleó (ambos integrantes no CITAC) a um sarau no Teatro Avenida onde se comemorava a Tomada da Bastilha,, o equivalente a uma espécie de “Dia do estudante”, com convidados estudantes vindos do Porto e Lisboa. Salvat fica impressionado com a actuação de Zeca Afonso, de quem escreve no seu diário que “semelhava um trovador medieval”. No sarau e nas reuniões não se falava de outra coisa que não das futuras eleições académicas de Fevereiro e das medidas suavizantes do governo de Marcelo Caetano. Na entrado do seu diário datada de 26 de Novembro, Salvat anota:
«Realmente parece que algumas coisas estão a mudar desde que houve a troca de nomes no governo. (...) Ontem, por exemplo, o acto foi autorizado e falou-se com muita contundência. Veremos agora se a Censura, no que respeita ao teatro, melhorou também»."

Serão estas as fotos dessa atuação do Zeca e Rui Pato nesse dia.

Tarde de Arte - 4 de maio de 1968

Coimbra - Teatro Avenida

Integrado no Sarau da Queima das Fitas decorreu no Teatro Avenida este evento com Zeca Afonso e Rui Pato.

Esta atuação foi gravada e há um vídeo que tem uma das foto como sendo desse Sarau.

Vou considerar como corretas porque reparei que atrás do Zeca e do Rui há, o que parece ser, aparelhos de gravação.

Faculdade de Medicina de Lisboa - Janeiro de 1964

Evento incluído na Semana da Recepção ao Caloiro na Faculdade de Medicina de Lisboa realizado a 20 de janeiro de 1964

Presença de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Rui Pato, António Portugal e Manuel Alegre.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

JOSÉ AFONSO e a O.R.L.

De Rui Pato

O Zeca, sempre que tinha espectáculos de responsabilidade ou tinha gravações, era um problema... Como devem saber ele era um hipocondríaco severo, sempre com a mania das doenças e sempre a tomar medicamentos. Eu, como aluno de medicina e com acesso às amostras gratuitas de medicamentos, era um mártir!
Estava sempre a queixar-se que estava sem voz, que assim não conseguiria gravar ou mesmo actuar e isso para mim era um susto! Quando os medicamentos não resultavam...a nossa salvação de última hora era o Dr. Adolfo Rocha (Miguel Torga); subíamos as escadinhas do consultório dele, ali na Portagem, onde o Torga, com toda a paciência fazia um cocktail da lavra dele, uma misturada que depois era atirada, borrifada, para as cordas vocais do Zeca ali , de boca aberta, míope sem os óculos, a olhar esbugalhadamente para a "pera" de borracha vermelha onde estava escondido o segredo que o salvaria...
Para ilustrar esta historieta, vai um postal dos muitos em que quase sempre como "post scriptum"ele pedia fármacos ...e o consultório do Adolfo Rocha de onde o Zeca ao descer as escadas me torturava com uns vocalizes e me dizia animado:" já estou porreiro!"

(Fotos: um postal da minha colecção e uma foto roubada ao Carlos Ferrão)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Na Dura Crosta

De Rui Pato

UM INÉDITO DE LUIS ANDRADE PARA O ZECA

Luis Andrade Pignatelli, que nos anos 60 andava aqui por Coimbra tentando afirmar-se como poeta, era bastante amigo do Zeca e também meu amigo. Teve a primeira participação num tema do Zeca em 1963 com "As Pombas", mas contrariamente ao que muito já vi escrito e dito , não colaborou como poeta mas sim como autor da música; a letra da canção "As Pombas" é do Zeca e a melodia é do Luis Andrade. No ano seguinte o Zeca faz uma música para um poema do Luis ("Elegia") e...alguns anos depois o Zeca vem a musicar outro poema do Luís que é o "Era de Noite e Levaram". Mas, ainda nos anos 60, o Luis fez um poema (no café "A Brasileira" numa pequena folha de papel), para ser cantado e musicado pelo Zeca Afonso, com o título "Na Dura Crosta". Fui eu que guardei o poema (porque o Zeca não conseguia guardar nada...) por várias vezes tentei que o Zeca lhe pegasse, ele prometia que sim...mas nunca o fez e, eu, que até já me tinha esquecido...encontrei agora esse papel amarelecido com este poema inédito do Luis Andrade Pignatelli, feito para o Zeca...que nunca o chegou a musicar.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

A MEIRIM *

À sombra do que está
Há quem incline a cabeça
Há quem na vertical
Diga que sim não está mal
Minha tia era
Dessa razão
Dizia humilde contrita
Não subas
Ao parapeito de Judas
E o vendilhão era recto
Não pretendia ser mais
Que um funcionário correcto
Pois na Instrução
O César tinha razão
Só não tinha a tia dele
Verdade diga-se
E sede
Da pura apocalíptica
Depois quem lhe fez a cama
Foi um menino de mama

*escrito na prisão de Caxias

E quem era este Meirim ao qual Zeca dedicou este texto?

Joaquim Meirim foi um treinador português que alinhou sempre à esquerda no campo partidário. Foi embarcadiço, trabalhou em restaurantes e hotéis e começou a treinar nos anos 60, o Oriental, a CUF e a maior glória como treinador foi alcançada com o Varzim atingindo na época 69/70, o 6º lugar com os mesmos pontos do Guimarães (5º) e Barreirense (4º). Só não conseguiu ir às competições europeias porque nos últimos dois/três jogos a findar o campeonato, foi treinar o Braga que estava aflito nos últimos lugares. Acabou o Braga por descer e o Varzim ressentiu-se dessa saída de Meirim (perdeu o acesso à Europa perdendo com o Benfica na Luz, por 1-0).

Os seus métodos de treino no Varzim eram verdadeiramente espartanos. Os jogadores corriam na areia grossa da praia da Póvoa, muitas vezes carregando toros de madeira. Uma equipa de respeito que tinha um grande guarda redes, Benje (o melhor do mundo - segundo Meirim, e que o levou a dizer, o que na época era um sacrilégio, "que se Benje não fosse preto seria o guarda-redes da seleção portuguesa"). Outra frase que ficou conhecida como revolucionária «A derrota é a mãe de todas as vitórias» e "uma bola à trave ou aos postes, é um remate torto".

No ano seguinte, Meirim foi treinar o Belenenses. Mandou encomendar as faixas de campeão antes do campeonato começar. Mas a experiência correu mal e, devido aos maus resultados, foi despedido.

Treinou mais três vezes o Varzim, mas já não foi a mesma coisa sinal, que nunca se deve voltar aos lugares onde se foi feliz.

domingo, 21 de outubro de 2018

Paulo Ferreira - Saudades de Coimbra

Zeca Afonso. Nasci em 1970. O Zeca Afonso faleceu em 1987. Dele podia colocar quase tudo como referência. Desde as coisas mais engajadas, que antes de tudo vejo como uma referência histórica que ajuda a compreender um determinado tempo, até composições mais líricas, sem outro comprometimento que não a beleza do poema e da música.

Quando em Janeiro de 1990 rumei a Coimbra levava na minha bagagem algum do património cultural da cidade, e mais propriamente da Academia. A minha paixão pela Canção de Coimbra começou com o "Dr. José Afonso". Algum tempo depois de permanecer na cidade acabei por compreender a importância seminal que o disco de José Afonso teve no ressurgir "desenvergonhado" do fado de Coimbra. Em 1981, data da edição deste disco, era preciso, ainda, muita coragem para alguém com a dimensão do Zeca Afonso, com a sua perspectiva social, cultural e política, editar um disco exclusivamente com fados de Coimbra. Ainda que a título póstumo, admirei-lhe a coragem por quebrar com alguns clichés que colocavam rótulos no fado de Coimbra. Admirei-lhe a coragem de, depois de ter liderado o movimento da balada, num corte "epistemológico" com o fado "sebenteiro" e perpetuador de imagens de boémia e descomprometimento social do estudante, ter regressado à Alma Mater das suas primeiras gravações.

Assim, e porque também vem a propósito de uma certa Coimbra em que num contexto de gentes, tempo e lugar, me traz gratas memórias...

"Saudades de Coimbra"

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Zeca e a vida académica

A vida dos estudos motivava-o pouco, enquanto a vida académica de praxes, repúblicas, serenatas, copos, boémia, e futebol na Briosa o fascina muito mais.

“Cheguei a fazer praxe quando era semiputo e andei em andanças às boleias. Ia pendurado nos comboios até à Figueira da Foz para a Queima das Fitas. Fiz pegas de caras na garraiada depois de emborcar aí um litro de vinho para arranjar coragem”.

Sobre o apoio à Académica:

“Considerava uma obrigação, um dever, quase um autêntico juramento, uma autêntica profissão de fé defender a chamada Briosa. Quando essa defesa assumia aspectos heróicos de pancadaria, então também entrava porque entendia que desse modo cumpria condignamente o meu papel”

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Relatórios do posto da PIDE em Setúbal

Os relatórios do posto da PIDE em Setúbal enviados para a sede, em Lisboa, revelam a vigilância permanente a que Zeca estava sujeito.

“Além de bastante conhecido pelas canções subversivas que compõe e interpreta”, está referenciado em inúmeras reuniões clandestinas, desenvolve larga atividade nos meios ‘culturais’, ‘democráticos’, e recebe em casa muitos indivíduos estranhos, alguns deles estrangeiros, principalmente espanhóis. Sai de casa normalmente depois do almoço, instala-se na esplanada do Café Central, junta imediatamente à sua volta larga assistência de ‘jovens’, aos quais vai insinuando a sua doutrina, provocando a maior desorientação nesse meio”.

daqui:

http://www.jornalmapa.pt/2017/02/11/panegirico-jose-afonso/

terça-feira, 25 de setembro de 2018

"Está-se mesmo a ver quem é..."

Quando se dizia "Está-se mesmo a ver quem é..." e toda a gente sabia quem era.

DESCULPA LÁ, Ó ZECA!

José Afonso já estava doente. Era 1984, salvo erro. Zeca e Zélia, a mulher, haviam mudado de Setúbal para uma casa em Azeitão. “Era o único sítio sossegado!”, conta Zélia. Vigarice de empreiteiro, os esgotos mal feitos provocaram uma espécie de fossa a céu aberto que chegava até ao quintal da casa de Zeca. O cheiro e os corrimentos afectavam o bairro inteiro. A informação chega ao jornal Tal&Qual, então dirigido por José Rocha Vieira. Fraudes e trapaças com saneamento básico eram mato na altura (e ainda hoje). Zeca era (é e será)) uma referência da Música e da Democracia. Zeca doente com fossa à porta? Claro que é notícia. Com a bondosa conivência de Zélia, vai-se falar com o indignado Zeca, que impõe uma condição. “Eu moro aqui, mas isso não é notícia! Somos muitos moradores no bairro! É preciso denunciar esta vergonha! São todos prejudicados! Não quero que fales de mim...” Zeca era assim. Ainda que usado e abusado por muita gente e instituições, nunca condescendeu nem pactuou com esquemas de favores. Tímido, porém extrovertido, saltava que nem fera quando lhe tocavam nos princípios mais profundos.

Quando morreu, em 1987, saíram à rua, em Setúbal, muitos milhares de pessoas. Foi enterrado, a seu pedido, numa campa rasa do cemitério de Nossa Senhora da Piedade. A Sociedade Portuguesa de Autores, liderada por José Jorge Letria, quer agora que os restos mortais de Zeca sejam trasladados para o Panteão Nacional. A família, com Zélia à frente, está contra a pomposa honraria. Francisco Fanhais, amigo e companheiro, já disse: “Deixem-no estar! Está onde quis estar!”

Ao brade Zeca fica como Património Musical da Humanidade, tal como a de Amália Rodrigues. Os dois nunca se haviam encontrado cara a cara até certo dia de 1984. Amália era considerada, por muita gente de Esquerda, como uma cantora do regime do Estado Novo. Muita coisa os separava, mas no primeiro aniversário do Clube de Jornalistas, Eugénio Alves teve a ideia de juntar os dois, durante um jantar em Lisboa. Para Eugénio, jornalista, não foi fácil convencer o amigo Zeca. Jorge Cobanco, homem da Rádio, encarregou-se de convencer Amália. Eugénio não disse a Zeca que Amália iria estar presente. E foi Amália que foi ter com Zeca. “Estava com medo da reacção dele!”, conta Eugénio Alves. Amália, comovida, e ao mesmo tempo receosa, pergunta-lhe: “Zeca! Acha que eu canto bem?” Zeca responde: “Então se a senhora não canta bem, quem é que canta bem?!” Terá sido a primeira e a última vez que Zeca e Amália se encontraram ao vivo. Amália está hoje, legitimamente, no Panteão.

Zeca ficou muito chateado quando viu o título da notícia no Tal&Qual: “Fossa à porta de Zeca Afonso”.

Desculpa lá, ó Zeca!

Victor Bandarra - jornalista

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

África é uma pátria mítica para mim

"África é uma pátria mítica para mim, antes de ser pátria política, uma África revolucionária e socialista."
"Nunca me conformei com a ideia de ter abandonado África, e só mais tarde é que verdadeiramente troquei África por Coimbra. Troquei todas essas recordações, uma espécie de liberdade física que gozava em África, pelo mito de Coimbra"

foto - 1933, Zeca em Silva Porto (Bié) - Angola.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Gravação de "Menina dos Olhos Tristes"

De Rui Pato

Foi há precisamente meio século.

Fotografias captadas pelo meu amigo, colega de profissão e guitarrista José Ferraz , da viagem de "foguete" entre Coimbra e Lisboa que eu fiz com o José Afonso em finais do ano de 1968 para gravar ainda nessa tarde aquele pequeno disco de duas canções apenas (mas que canções!!!) "Menina dos Olhos Tristes" que, além deste tema na face A, na face B tem o "Canta Camarada Canta". Embora a minha memória nem sempre cumpra a sua obrigação, julgo que este disco foi "apalavrado" à pressa com o Sr. Arnaldo Trindade e gravado excepcionalmente, ao contrário dos seguintes (que foram em Campolide na Polyson) nos estúdios de Paço D'Arcos da Valentim de Carvalho. Como podem ver pela expressão dos "figurantes"... (eu a roer as unhas, hábito que nunca tive e o Zeca crispado...) havia alguma preocupação já que a tarefa era complicada, arriscada e...poderia até ser uma viagem em vão.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Faro - casa da D. Maria

Faro - Zeca deu aulas em Faro em 1958/1959 e de 1960 a 1964, ano que partiu para Moçambique.

"Percorri algumas casas dos bairros limítrofes de Faro (...), os lugares mais baratos (...). Fui parar à casa da D. Maria, situada numa rua um pouco excêntrica e muito próxima do cais onde partem os barcos para a ilha..." "Foi uma fase de euforia extremamente gratificante e das coisas mais felizes da minha vida. Escrevi na altura 'Tenho barcos tenho remos', a propósito de um barco que utilizávamos. Nesse 'Barco do Diabo' fazíamos viagens fantásticas ou fantasmas (...) discutíamos pontos de vista vários. Tínhamos a mania de andar a pé até Olhão, até Quarteira e ainda mais longe."

foto Rui Pato - Casa da D. Maria

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

UM APARELHO COM MUITA HISTÓRIA

De Rui Pato

Este é o gravador que veio do Porto a Coimbra , numa 4L, em 1962 e voltou em 1963 para gravar os dois primeiros EPs de baladas do José Afonso nos claustros abandonados do mosteiro de São Jorge de Milreus, ele e eu...sozinhos com o técnico, ( o Menino de oiro em 62 e Vampiros em 63) Este aparelho está guardado e bem conservado na cidade da Maia, na empresa EDISCO.

Agradeço esta foto ao meu amigo José Ferraz de Oliveira que encontrou a relíquia quando estava neste estúdio a gravar um CD de originais de Jorge Cravo com poemas de Vitor Matos e Sá.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Arnaldo Trindade - Querem calar o rouxinol

querem calar o rouxinol
sua bela cantoria
simples profunda utopia
natal dum novo sol

por sereias tentado
bonitas e feias
gaiolas d´ouro e prata
por bairros de lata trocadas

ninguém silencia Andarilho
da lua e sol seu filho
A MALTA NÃO DEIXA

Arnaldo Trindade
dedicado a José Afonso


O franciscano laico

(Zeca) Revolucionou a estrutura musical e poética da canção portuguesa. Não foi apenas um grande compositor e um intérprete excepcional. Foi um poeta. E de certo modo um profeta. Um revolucionário e um franciscano laico, fraterno, despojado. Um homem que tinha o coração aberto ao mundo e nada queria para si. Um trovador que a cantar encantava e incomodava. Um poeta que era capaz de avisar a malta e juntar muita gente, mas que nunca se deixou arregimentar. Talvez as sociedades não consigam suportar a força subversiva de um tal despojamento, nem a ternura irresistível que havia na sua voz.

Por isso não é possível integrá-lo em nenhum sistema e em nenhum esquema. Há mortos que não são «recuperáveis». Há mortos que não se deixam sepultar.

Zeca Afonso não é como os falsos marginais que hoje ditam as modas ou são serventuários do poder. Ele é da outra margem. Aquela margem onde não há lugar para o autoritarismo nem para a subserviência. Ele é da margem esquerda, que é a margem do coração e da camaradagem. É aí, à sombra de uma azinheira, que ele continua a cantar para nós uma canção de liberdade.

Manuel Alegre

10.02.1993

foto: Rocha Pato (pai de Rui Pato)

terça-feira, 5 de junho de 2018

Albano da Rocha Pato

ALBANO DA ROCHA PATO, nascido em S. João da Azenha, Avelãs de Caminho, no dia 25 de Setembro de 1923 começou a sua vida profissional como funcionário do Turismo da Curia, onde conheceu Manuel Pinto de Azevedo, proprietário do Jornal "O Primeiro de Janeiro" que o convida a ser o responsável pela parte redatorial do Jornal na cidade de Coimbra.

Rocha Pato instala-se em Coimbra no ano de 1945. Casado e com um filho (Rui Melo Pato que nasce a 5 de Junho de 1946), mantém-se como repórter do Primeiro de Janeiro em Coimbra até meados dos anos 60. Foi convidado a abrir e dirigir a delegação em Coimbra do Diário Popular e correspondente do Jornal O Século (1943), República, Jornal do Comércio, o Ponney... Paralelamente cria a primeira revista sobre vinhos, a revista "Vinhos de Portugal" que teve uma regularidade na publicação durante alguns anos. Premiado em muitos concursos de fotografia, deixou uma vasta obra, trazida agora "à luz" pelo seu filho Rui.

Foi Rocha Pato que tratou de tudo, editora, estúdio, capa, etc, para os três primeiros discos de Baladas de José Afonso.

Para além do apoio constante dado a Zeca nas "coisas novas" que este levava para ouvirem no Café Brasileira, Rocha Pato, que perante o pedido de uma viola, levou Zeca a sua casa onde se encontrava o filho Rui Pato (que tocava viola clássica) que, até aos dias de hoje, temos o privilégio de os ouvir nos discos gravados por estes dois grandes intérpretes.

Podemos ver essas capas dos três primeiros discos e também de outros que saíram posteriormente, para além de outras fotos tiradas por Rocha Pato.

Em 1967, depois de Zeca ter regressado de Moçambique (Setembro), Rocha Pato contactou Arnaldo Trindade, da Orfeu, para gravação do disco "Cantares do Andarilho", ligação essa que só iria terminar em 1981.

fontes:

http://guitarradecoimbra4.blogspot.com/2015/04/nos-33-anos-do-falecimento-de-rocha.html

Rui Pato

Fotos retirado do meu acervo discográfico, da net e do FB de Rui Pato.

foto de 1959/1960

disco de 1962 e contracapa de apoio à afirmação e legitimação da Nova Balada de Coimbra.

disco de 1963 e fotos tiradas antes e durante a gravação do disco.

1964 - 1ª edição censurada. Esta foto está como sendo de Varela Pécurto, mas por outra foto vista deste momento atribuída a Rocha Pato (ver foto seguinte), tudo indica que é mesmo Rocha Pato o autor.

1969 - foto de 1963, colocada na reedição do EP de 1964 que saiu em 1969.
A viola é do Rui Pato.


2ª edição, 1967 do LP Baladas e Canções. Na AJA está como a foto tivesses sida tirada por Varela Pécurto, mas como podemos observar na contracapa está lá bem referenciado que a foto é de Rocha Pato.

1966 - Foto colocada no livro "Cantares de José Afonso"
Neste ano Zeca estava em Moçambique, por isso a foto será anterior. Talvez de 1964.


1969-Em casa de Rocha Pato com a cadelita Cuíca e com Zélia