sábado, 18 de abril de 2015

Luanda - Cidadela - 25-1-1975

Digressão de um mês por Angola. Atuaram também em Cabinda, Carmona, Bié (ex-Silva Porto) e Huambo (ex Nova Lisboa).

Em Luanda com Adriano Correia de Oliveira, Fausto e Rui Mingas, Tonito (António Pascoal Fortunato), Carlos Lamartine e o conjunto angolano "Merengues".


Fotos cedidas por José Francisco Santos Miguel‎.

Amigo, maior que o pensamento

"Encarou o fascismo com uma firmeza e uma rebeldia muito própria, muito pessoal: com aquele seu olhar distraído e espantado de criança; com aquela sua tranquilidade silenciosa, com aquela sua timidez-bonita, que todos testemunhámos. Zeca Afonso deixou atrás de si uma obra importante na música portuguesa, mas para mim ele foi, sobretudo, um amigo especial, diferente, que recordo com saudade. Um homem de palavra e das palavras livres."

Maria Teresa Horta

Paxariño Deffes canta Zeca Afonso.

Sabemos nós que os povos hispânicos, têm uma admiração muito grande por este nosso cantautor que ultrapassou as cidades e as ameias portuguesas e se projetou para o mundo, onde as suas canções são cantadas como são as de Victor Jara, Atahualpa Yupanqui, Patxi Andión, Paco Ibáñez, de um Dylan dos velhos tempos e outros mais.

Como o disse Paco Ibáñez:

«Zeca teve azar de ter nascido português. Se tivesse nascido nos Estados Unidos estaria ao nível desses grandes criadores mundiais»
Mas Zeca tendo nascido português é um cidadão do mundo e Paxariño traz-nos aqui uma das canções mais bonitas e emblemáticas de Zeca.

“Galiza a José Afonso” - Benedicto Garcia Villar

Homenagem

Vigo, 31 de Agosto de 1985

Benedicto Garcia Villar canta de Zeca Afonso, "Cantigas do Maio"

Benedicto Garcia Villar, nascido em Santiago de Compostela, em 1947, é um cantor, professor e sindicalista galego. Em Abril de 1972 viajara a Portugal para conhecer José Afonso, iniciando uma grande amizade e dando-lhe a conhecer o universo cultural galego. José Afonso actuaria em Compostela, a 10 de Maio desse mesmo ano, devido às instâncias de Benedicto. Entre 1972 e 1974, Benedicto acompanha-lo-á nas tournées pela Galiza, Astúrias, Portugal, França e Bélgica, participando na gravação do álbum do Zeca, “Eu vou ser como a toupeira”. Devido ao cantor português, começara também a colaborar com a Amnistia Internacional, em apoio dos presos políticos.

wikipédia

Zeca Afonso:

"Com o Benedicto, andámos por vários sítios... fui pela Galiza. A maior parte das vezes em que andei pela Galiza, éramos sempre proibidos, mas cantei nas Astúrias em vários clubes populares. Conheci muito boa gente nas Astúrias. Devo muito ao Benedicto que é, entre grande parte dos cantores militantes, um dos indivíduos mais coerentes que eu conheci."

in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador

Foi na Galiza, na cidade de Santiago de Compostela, em 1972, que José Afonso, na companhia do cantor galego Benedicto Garcia, cantou pela primeira vez em público a sua «Grândola, vila morena».

Zeca e o Fado de Coimbra

“O fado de Coimbra era um folclore de elite, apesar de popularizado. Atraia irresistivelmente os «futricas» com quem os estudantes tinham relações simultâneas de carinho e ressentimento.”

“Quando se cantava fado de Coimbra construía-se um determinado décor, preparava-se uma serenata, um estudante de capa e batina, os dois acompanhantes…

As serenatas convencionais, com todo esse cenário, começaram a parecer-me um pouco artificiais (…) Se o cenário era artificial o que eu cantava também o era. Pensei, pois, que essas canções tinham de se alargar, de se movimentar mais. (…) De qualquer maneira surgiu em mim uma espécie de insatisfação em relação a essas formas tradicionais, a qual coincidiu, aliás, com uma certa evolução mental.”

Fontes:

Entrevista a Fernando Assis Pacheco, in «Jornal de Letras», 19/1/82.

Suplemento do jornal A Capital de 26/12/1970, entrevista de Daniel Ricardo e Cáceres Monteiro, publicada em “Cantares” de José Afonso, 1970.

Mas Zeca nunca abandonou as raízes, tinha, como o refere em entrevista Rui Pato, algo por Coimbra que nem Rui consegue explicar (ver entrevista de Rui Pato no vídeo):


... E Zeca fez as pazes com o fado de Coimbra no álbum “Fados de Coimbra e Outras Canções” de 1981.

Um disco de Homenagem a seu pai e a Edmundo Bettencourt.

Ficam as saudades desta voz que do Choupal saiu para o mundo.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Zeca Afonso em Carreço - 1980

O grupo "Resistência", grupo de música popular portuguesa da Póvoa de Varzim, atuaram antes de Zeca Afonso.


terça-feira, 14 de abril de 2015

Poesia do Zeca - O Triângulo e a Limalha

Setúbal - Café Central

Um despacho da PIDE/DGS emitido de Setúbal no início dos anos 70 faz uma descrição sumária de um dia de José Afonso, na sequência da vigilância movida por informadores, os chamados “bufos”:

“Sai de casa normalmente depois do almoço, instala-se na esplanada do Café Central, junta imediatamente à sua volta larga assistência de ‘jovens’, aos quais vai insinuando a sua doutrina, provocando a maior desorientação nesse meio. À noite frequenta assiduamente o Círculo Cultural de Setúbal, onde se reúne com outros elementos de ideologia semelhante à sua.”

Município de Setúbal


Nesta altura já Zeca tinha sido expulso do ensino (1968). Para sobreviver, dava explicações e tinha um contrato com o Arnaldo Trindade.

Zeca Afonso fala sobre essa sua passagem por Setúbal


Foto: Zeca no Café Central

Utopia

"Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão seja a que nível for."

Entrevista a Viriato Teles in “Sete” - 27nov1985

"Utopia"

Canção feita para a peça Fernão, mentes?, de Helder Costa, incluída no álbum "Como se fora seu filho".

«Esta canção», declarou, então, José Afonso, «é um pouco aquilo que eu imaginei ser uma sociedade sem oprimidos e opressores. Eu creio que essa utopia se pode concretizar»

in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador


(video retirado do programa "Um dia chamaram-lhe Zeca")

"Com as minhas tamanquinhas"

Vitorino:

"Chegaram a ter o descaramento de partir um disco dele (...) ao microfone e dizer.«Este disco não presta, não vale a pena tê-lo em casa... parto.

Sabe?! (...) Eu gostava de saber quem seria o patife que fez isso ao Zeca..."

Rui Pato

Como o diz Luís Cília: «Há que realçar também o trabalho que ninguém realça, que é o trabalho do Rui Pato que era um guitarrista excecional, e creio que ajudou muito a música de Zeca Afonso naquela altura.»

Rui Pato e Zeca Afonso, Amigos para Sempre!

“A Força das Palavras”

LP Orfeu STAT 020 “A Força das Palavras”

1º disco da Orfeu depois do 25 de abril de 1974

Texto inserido no LP:

“Este disco não é um acto de oportunismo comercial. É um abraço de homens livres e canções livres. Uma festa de quem, como arma de combate, apenas possuía as negras espiras do vinil e quis assumir o risco das coisas proibidas.

Há longos anos que Discos Orfeu se orgulham de ter rompido a cortina do medo e o silêncio das vozes excomungadas. E de, por isso, por esse pioneirismo, terem acompanhado José Afonso, Adriano, Fanhais, Mário Viegas e outros ao longo da sua luta das palavras armadas. E de, por isso, terem sofrido também a repressão. Mas com o orgulho de terem chegado de Abril de 1974 de cabeça bem erguida. E com a alegria de às 22.55 de 24 de Abril, uma canção sua «E Depois do Adeus», de José Niza e José Calvário, cantada por Paulo de Carvalho, dar o sinal de ataque ao Movimento das Forças Armadas. E de, às 00,20 de 25, outra canção sua - «Grândola, Vila Morena» - de José Afonso, ter tornado irreversível a força da Revolução.

Aqui vos deixamos, Amigos, o nosso último disco: o primeiro disco LIVRE que editamos.”

Foto: Desenho de José Luís Tinoco

Alinhamento (reparar que neste LP, cinco das canções são de Zeca Afonso):

Grândola Vila Morena - José Afonso
Cantiga de Amigo – Adriano Correia de Oliveira)
Venham Mais Cinco – José Afonso
E Alegre Se Fez Triste – Adriano Correia de Oliveira
Cantilena – Francisco Fanhais
Canção Com Lágrimas – Adriano Correia de Oliveira
Canção Tão Simples – Adriano Correia de Oliveira
A Morte Saiu à Rua – José Afonso
Correio – Mário Viegas
Canto Moço – José Afonso
Os Castelos Também se Assaltam – Samuel
Cantar Alentejano – José Afonso

Papuça

A letra do "Papuça" do álbum "Como se fora seu filho", tem os nomes destes quatro amigos do Zeca.

"Vai o Borges, o Pina, o Xaimite e o Bibas
balouçando
A revolução é pra já"


O depoimento:

Musica&Som Nº 77 - Entrevista José Afonso - Ana Rocha 1982

(para aumentar clicar na imagem)

Queima das Fitas Coimbra - Teatro Avenida - Sarau 1968

Zeca Afonso e Rui Pato atuaram por três vezes em Coimbra: 1964, 1968 e 1969 (crise Académica)


Este é o panfleto de 1964 (não há gravação desse evento)



Em 1968 foi gravada a participação e este vídeo reúne as baladas interpretadas nesse Sarau.