"Em Coimbra, a Formosa
germinavam
as vermelhas estrelas
da loucura" *
"Uma noite, da sarna afirmativa, resolvemos (...) formar uma trupe. Uma tesoira no bolso e a colher de pau (...) alguma coisa a servir de moca e fomos postar-nos no Arco de Almedina onde uma lâmpada, algures, maior espessura conferia à escuridão do lugar. (...) Encostámo-nos àquelas pedras, polidas de seculares encostos (...) embrulhados nas capas que eram então uma segunda pele. Às tantas, veio de lá um vulto, dos lados da alta, embuçado também. Era o Zeca. Foi o sinal para desmancharmos o aparato (...) e o Zeca foi em paz. (1)
(...) Por sorte extraordinária ainda não fui incomodado pela mão inexorável da praxe não sei se por já não ter cara de caloiro (...) se por não ser ainda conhecido entre os dótóres (...) (2). Ontem fui abordado por uma trupe à saída do cinema Avenida, mas descansa que desta vez não fiquei sem cabelo por ter alegado que era jogador (da Académica) (...). Por coincidência engraçada vinha na mesma trupe o João. De forma que, se o chefe da trupe me quisesse rapar, o João tinha que me rapar também. (3)
* Fui ao enterro de um leão - Texto e Canções
(1) - "Um Olhar Fraterno" de João Afonso dos Santos
(2 e 3) - carta de Zeca aos pais e irmã nos anos 50 in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador
foto: Zeca, Mariazinha e João
terça-feira, 14 de março de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
José Afonso - Ao Passar em Carapeços
Inédito
Cantada no concerto em Maison de la Mutualité - Paris - 10 de novembro de 1970
Zeca alterou em parte a letra de "Ao passar a ribeirinha" música tradicional do Alentejo (em alguns lados aparece como dos Açores).
Carapeços é uma freguesia de Barcelos.
Ao passar em Carapeços
Estava tudo à janela
Estava tudo à janela (bis)
Parece que nunca viram
Gente de fora da terra
Gente de fora da terra (bis)
Ao passar em Carapeços
Estava tudo ao postigo
Estava tudo ao postigo (bis)
Parece que nunca viram
Quem é qu’ andava comigo
Quem é qu’ andava comigo (bis)
Ao passar em Carapeços
Estava tudo ao portão
Estava tudo ao portão (bis)
Parece que nunca viram
A quem dei meu coração
A quem dei meu coração (bis)
Não casei na minha terra
Fui casar em terra alheia
Fui casar em terra alheia (bis)
Ao passar a ribeirinha
Pus o pé, molhei a meia
Pus o pé, molhei a meia (bis)
Ao passar em Carapeços
Estava tudo à janela
Estava tudo à janela (bis)
Parece que nunca viram
Gente de fora da terra
Gente de fora da terra (bis)
Cantada no concerto em Maison de la Mutualité - Paris - 10 de novembro de 1970
Zeca alterou em parte a letra de "Ao passar a ribeirinha" música tradicional do Alentejo (em alguns lados aparece como dos Açores).
Carapeços é uma freguesia de Barcelos.
Ao passar em Carapeços
Estava tudo à janela
Estava tudo à janela (bis)
Parece que nunca viram
Gente de fora da terra
Gente de fora da terra (bis)
Ao passar em Carapeços
Estava tudo ao postigo
Estava tudo ao postigo (bis)
Parece que nunca viram
Quem é qu’ andava comigo
Quem é qu’ andava comigo (bis)
Ao passar em Carapeços
Estava tudo ao portão
Estava tudo ao portão (bis)
Parece que nunca viram
A quem dei meu coração
A quem dei meu coração (bis)
Não casei na minha terra
Fui casar em terra alheia
Fui casar em terra alheia (bis)
Ao passar a ribeirinha
Pus o pé, molhei a meia
Pus o pé, molhei a meia (bis)
Ao passar em Carapeços
Estava tudo à janela
Estava tudo à janela (bis)
Parece que nunca viram
Gente de fora da terra
Gente de fora da terra (bis)
segunda-feira, 6 de março de 2017
António Quadros (pintor e poeta)
Zeca já conhecia António Quadros dos tempos de Coimbra. Tinha sido com ele que Zeca se apercebera do «absurdo» e do «artificial de qualquer conflito entre os populares» (os futricas) «durante um conflito depois superado, por causa de umas violências da GNR e da PSP», em que Quadros «enfiou um murro num capitão da Guarda»
Zeca voltaria a encontrar Quadros em Moçambique quando para lá foi em 1964. Musicou e gravou diversos poemas: "Cantares do Andarilho" (1968); "Ronda das Mafarricas" (inicialmente tinha o título de "Evocação das Mafarricas" ou "Canção do Arlindo" (1971); "Sete fadas me fadaram" (1972).
Mas Zeca não ficaria por aqui e musicou também um outro poema de António Quadros. Infelizmente não há registo sonoro, ou talvez haja numa qualquer gravação que fez em Moçambique e esteja em poder de algum familiar do Zeca.
Mar do Marinheiro
Letra de António Quadros sobre fundo popular e música de José Afonso.
"Fui ao mar do marinheiro
A ver o que lá havia
E vi meu amor ao meio
Núinha de morte e fria
Ó mar, marinho, marão
Ó casinha das sereias
Lá tens o meu lindo amor (1)
Entre peixinhos e areias
Ó mar, marinho, marão
Ó mar que nunca mais vejo
Lá tens o meu lindo amor (1)
Transformado em caranguejo"
(1) - No original "Lá tens o meu coração"
Imagem: desenho de António Quadros e anotações de José Afonso que fazem parte do livro “Cantares”, edição SCIP - AA EE de Lisboa - 1969
Zeca voltaria a encontrar Quadros em Moçambique quando para lá foi em 1964. Musicou e gravou diversos poemas: "Cantares do Andarilho" (1968); "Ronda das Mafarricas" (inicialmente tinha o título de "Evocação das Mafarricas" ou "Canção do Arlindo" (1971); "Sete fadas me fadaram" (1972).
Mas Zeca não ficaria por aqui e musicou também um outro poema de António Quadros. Infelizmente não há registo sonoro, ou talvez haja numa qualquer gravação que fez em Moçambique e esteja em poder de algum familiar do Zeca.
Mar do Marinheiro
Letra de António Quadros sobre fundo popular e música de José Afonso.
"Fui ao mar do marinheiro
A ver o que lá havia
E vi meu amor ao meio
Núinha de morte e fria
Ó mar, marinho, marão
Ó casinha das sereias
Lá tens o meu lindo amor (1)
Entre peixinhos e areias
Ó mar, marinho, marão
Ó mar que nunca mais vejo
Lá tens o meu lindo amor (1)
Transformado em caranguejo"
(1) - No original "Lá tens o meu coração"
Imagem: desenho de António Quadros e anotações de José Afonso que fazem parte do livro “Cantares”, edição SCIP - AA EE de Lisboa - 1969
Zeca Afonso, o professor que não usava gravata
TSF
Zeca Afonso, o professor que não usava gravata e estava do lado dos alunos
José Afonso foi colocado como professor provisório na Escola Industrial e Comercial de Faro (agora Escola Tomás Cabreira) em 1958. Depois de um ano em Alcobaça, voltou em 1960 e ali ficou por mais quatro anos a dar aulas de Português e Francês.
Adérito Melro tinha na altura 13 anos. Foi aluno do Zeca em 1963 e lembra-se bem daquele professor que era diferente; que não usava fato cinzento ou azul escuro nem sequer gravata. Essa vinha sempre guardada num bolso, para quando era chamado ao gabinete do diretor.
Nas aulas conversava muito com os alunos. Ouvia os desabafos, as queixas sobre as outras disciplinas, falava sobre bola e sobre outras coisas do dia-a-dia. Adérito lembra-se dos dias de inverno, em que nas aulas Zeca lamentava a sorte dos pescadores. Na altura, com 13 anos, não tinha consciência plena do que estava a ser dito, mas hoje consegue ver nessas conversas o sentimento de injustiça e de desigualdade - não eram os donos das traineiras que preocupavam o Zeca quando não se podia pescar; eram os pescadores, que não tinham como alimentar os filhos.
E depois havia a música. A pretexto do ensino do Francês, Zeca permita aos alunos ouvir na sala os discos de Charles Aznavour, Françoise Hardy ou Gilbert Bécaud, os cantores da moda da altura. (...)
Já em Faro, foi José Pontes que aceitou bater à máquina a tese de final de curso do Zeca: "Implicações Substancialistas da Filosofia Sartriana". O Pontes nunca tinha ouvido falar de Sartre, mas dedicou-se ao trabalho. Durante duas semanas, uma hora por dia, depois das 17h, Zeca Afonso ia até à Caixa Agrícola, onde José Pontes estava empregado. Ele ditava; o Pontes escrevia.
Mais de 50 anos depois, desafiado pelo vizinho e amigo Luís Andrade, José Pontes foi à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. E reencontrou a tese, datilografada por ele.
"Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar".
Ver, ouvir e ler mais, aqui:
http://www.tsf.pt/sociedade/interior/zeca-afonso-o-professor-que-nao-usava-gravata-e-estava-do-lado-dos-alunos-5685205.html
Fotos de Luís Andrade/DR: José Pontes com a tese que datilografou.
Zeca Afonso, o professor que não usava gravata e estava do lado dos alunos
José Afonso foi colocado como professor provisório na Escola Industrial e Comercial de Faro (agora Escola Tomás Cabreira) em 1958. Depois de um ano em Alcobaça, voltou em 1960 e ali ficou por mais quatro anos a dar aulas de Português e Francês.
Adérito Melro tinha na altura 13 anos. Foi aluno do Zeca em 1963 e lembra-se bem daquele professor que era diferente; que não usava fato cinzento ou azul escuro nem sequer gravata. Essa vinha sempre guardada num bolso, para quando era chamado ao gabinete do diretor.
Nas aulas conversava muito com os alunos. Ouvia os desabafos, as queixas sobre as outras disciplinas, falava sobre bola e sobre outras coisas do dia-a-dia. Adérito lembra-se dos dias de inverno, em que nas aulas Zeca lamentava a sorte dos pescadores. Na altura, com 13 anos, não tinha consciência plena do que estava a ser dito, mas hoje consegue ver nessas conversas o sentimento de injustiça e de desigualdade - não eram os donos das traineiras que preocupavam o Zeca quando não se podia pescar; eram os pescadores, que não tinham como alimentar os filhos.
E depois havia a música. A pretexto do ensino do Francês, Zeca permita aos alunos ouvir na sala os discos de Charles Aznavour, Françoise Hardy ou Gilbert Bécaud, os cantores da moda da altura. (...)
Já em Faro, foi José Pontes que aceitou bater à máquina a tese de final de curso do Zeca: "Implicações Substancialistas da Filosofia Sartriana". O Pontes nunca tinha ouvido falar de Sartre, mas dedicou-se ao trabalho. Durante duas semanas, uma hora por dia, depois das 17h, Zeca Afonso ia até à Caixa Agrícola, onde José Pontes estava empregado. Ele ditava; o Pontes escrevia.
Mais de 50 anos depois, desafiado pelo vizinho e amigo Luís Andrade, José Pontes foi à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. E reencontrou a tese, datilografada por ele.
"Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar".
Ver, ouvir e ler mais, aqui:
http://www.tsf.pt/sociedade/interior/zeca-afonso-o-professor-que-nao-usava-gravata-e-estava-do-lado-dos-alunos-5685205.html
Fotos de Luís Andrade/DR: José Pontes com a tese que datilografou.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Tese de licenciatura
Zeca com 32 anos, professor em Faro, leccionava Francês e Português no período noturno a trabalhadores/estudantes.
O 3º aluno da foto, da esquerda para a direita, é José Pontes que datilografou a tese de licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas.
«Foi uma trabalheira que durou 15 dias. A tese intitulava-se "Implicações Substancialistas na Filosofia Sartriana" e, como se calcula estava pejada de expressões em francês. [...] Aconteceu muitas vezes enganar-me nas palavras em francês. Ou conseguia apagar o erro com uma borracha, em todos os papéis químicos e no original, ou era preciso repetir tudo outra vez» - disse José Pontes à Revista Visão.
«... quando regresso a Faro, onde estava a leccionar, saquei lá "O ser e o nada" e comecei a ler aquilo. E, para a tese, pouco mais li do Sartre que "O ser e o Nada". Li um livro do Jankélévitch (filósofo) e o Graham Greene. (...) De facto, fiz uma tese que era uma salada dos diabos. (...) Eu achava que ia fazer um furor do caraças com essa minha minha proclamação, essa originalíssima tese e levei uma tunda dos diabos de um tal padre Miguel (...) que me derreteu de alto a baixo e que a dado momento (...) me disse:
«O senhor apresenta inequívocos indícios de poeira mental»
Fui aprovado com a excelente classificação de 11 valores»
In "Livra-te do Medo" de José A. Salvador.
Zelinda, que está no meio a seguir a José Pontes, é filha do poeta António Aleixo, também ela aluna do Zeca.
O 3º aluno da foto, da esquerda para a direita, é José Pontes que datilografou a tese de licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas.
«Foi uma trabalheira que durou 15 dias. A tese intitulava-se "Implicações Substancialistas na Filosofia Sartriana" e, como se calcula estava pejada de expressões em francês. [...] Aconteceu muitas vezes enganar-me nas palavras em francês. Ou conseguia apagar o erro com uma borracha, em todos os papéis químicos e no original, ou era preciso repetir tudo outra vez» - disse José Pontes à Revista Visão.
«... quando regresso a Faro, onde estava a leccionar, saquei lá "O ser e o nada" e comecei a ler aquilo. E, para a tese, pouco mais li do Sartre que "O ser e o Nada". Li um livro do Jankélévitch (filósofo) e o Graham Greene. (...) De facto, fiz uma tese que era uma salada dos diabos. (...) Eu achava que ia fazer um furor do caraças com essa minha minha proclamação, essa originalíssima tese e levei uma tunda dos diabos de um tal padre Miguel (...) que me derreteu de alto a baixo e que a dado momento (...) me disse:
«O senhor apresenta inequívocos indícios de poeira mental»
Fui aprovado com a excelente classificação de 11 valores»
In "Livra-te do Medo" de José A. Salvador.
Zelinda, que está no meio a seguir a José Pontes, é filha do poeta António Aleixo, também ela aluna do Zeca.
quinta-feira, 2 de março de 2017
Torre do Tombo - Exposição
Fotos (permitidas) da exposição digital. Alguns inéditos, entre eles a canção "O Lago".
Gravação ao vivo efectuada no Teatro Villaret em Lisboa a 14 de novembro de 1973. Nos coros, entre outros, José Afonso, Manuel Freire, José Manuel Osório, Fernando Laranjeira e António Portanet (não aparecem nos créditos).
José Carlos Ary dos Santos e Zeca Afonso - 1970
José Afonso canta, acompanhado pela guitarra de Fausto. Bibiano Morion (de olhos fechados) e José Jorge Letria ouvem atentamente.- 1974
Canção inédita "O Lago"
Processo da DGS contra Zeca Afonso
Gravação ao vivo efectuada no Teatro Villaret em Lisboa a 14 de novembro de 1973. Nos coros, entre outros, José Afonso, Manuel Freire, José Manuel Osório, Fernando Laranjeira e António Portanet (não aparecem nos créditos).
José Carlos Ary dos Santos e Zeca Afonso - 1970
José Afonso canta, acompanhado pela guitarra de Fausto. Bibiano Morion (de olhos fechados) e José Jorge Letria ouvem atentamente.- 1974
Canção inédita "O Lago"
Processo da DGS contra Zeca Afonso
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
O Tributo num jornal online
Umas palavras sobre a razão do aparecimento do meu blogue "Tributo a Zeca Afonso" e como conheci Zeca Afonso
Diz Fausto: «Em 1975, o MFA convida-me a mim, ao Zeca e ao Adriano para irmos a Angola. Fomos cantar e tocar em sessões prioritariamante dedicadas aos soldados portugueses que lá estavam, com os acordos de Alvor ainda frescos (Janeiro de 1975). O espetáculo na cidadela de Luanda teve mais de vinte mil pessoas. Além de nós, atuaram o Rui Mingas, o Tonito, Lamartine (Carlos) e um conjunto angolano, Merengue. Viajávamos num avião da Força Aérea e fizemos espetáculos em Cabinda…» (in Zeca Afonso – “Livra-te do Medo” de José A. Salvador)
E foi em Cabinda que conheci Zeca Afonso. Tinha vindo da floresta do Maiombe, de Tando Zinze propriamente dito onde tínhamos o aquartelamento, aquartelamento esse que foi entregue ao MPLA. Aguardava no B.Caç.11 (Gorilas do Maiombe) embarque para Luanda onde iria passar à disponibilidade quando fomos convidados para irmos ao Cinema Chiloango onde iriam cantar o Zeca, Fausto e Adriano. Já ouvia Zeca do qual tinha alguns discos e muitas cassetes com música dele. Nessa época não me apercebi que Zeca era uma “persona non grata” para o Estado Novo, pois em Angola a influência da PIDE era muito discreta e nem sabia que existia. Ouvia as canções do Zeca sem problemas e na tropa até parodiávamos com os nossos superiores cantando a “Ronda dos Paisanos” mas com letras nossas as quais já não me lembro.
O Cinema Chiloango estava apinhado de soldados. Eu sentei-me fardado na escadaria que dava acesso ao palco. “Trova do Vento que Passa”, “Os Vampiros” e tantas outras canções que ouvia no meu gravador, passaram por aquele palco. Última canção… “Grândola, Vila Morena”. Aqui o Zeca pediu para quem quisesse, subisse ao palco para cantar. Mal tinha acabado de dizer isto já eu estava com o meu braço enlaçado no dele. E foi assim que em janeiro de 1975 “conheci” o Zeca.
Até 2014, de Zeca Afonso só conhecia as suas músicas tendo-lhe feito uma página musical que me demorou 8 anos a fazer. (2007/2015). Ao integrar-me no FB “Grupo de Amigos de José Afonso” é que me apercebi que havia mais, muito mais, sobre a Vida e Obra do Zeca. Mas aquele FB não tinha os requisitos para o que desejava; falar exclusivamente, sobre tudo a que Zeca dizia respeito. Assim criei o meu próprio FB, onde só é permitido “falar” de Zeca. Assim nasceu o meu “Tributo a Zeca Afonso”. Muitos inéditos foram já conseguidos. Muitos outros foram prometidos, mas até hoje as promessas não passaram de intenção. Mas não há que desanimar, o caminho faz-se caminhando. Com boa vontade de poucos, muito se consegue. E é nesse sentido que o ‘Tributo’ irá continuar. (…)
Nos Cantos Livres, cantando em locais inimagináveis, Zeca foi a voz do povo. Foi um homem humilde, honesto, solidário, que deu o melhor de si: «Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é que fica»… e está tudo dito.
Mário Lima
Aqui:
http://www.ofado.pt/?p=6364
Diz Fausto: «Em 1975, o MFA convida-me a mim, ao Zeca e ao Adriano para irmos a Angola. Fomos cantar e tocar em sessões prioritariamante dedicadas aos soldados portugueses que lá estavam, com os acordos de Alvor ainda frescos (Janeiro de 1975). O espetáculo na cidadela de Luanda teve mais de vinte mil pessoas. Além de nós, atuaram o Rui Mingas, o Tonito, Lamartine (Carlos) e um conjunto angolano, Merengue. Viajávamos num avião da Força Aérea e fizemos espetáculos em Cabinda…» (in Zeca Afonso – “Livra-te do Medo” de José A. Salvador)
E foi em Cabinda que conheci Zeca Afonso. Tinha vindo da floresta do Maiombe, de Tando Zinze propriamente dito onde tínhamos o aquartelamento, aquartelamento esse que foi entregue ao MPLA. Aguardava no B.Caç.11 (Gorilas do Maiombe) embarque para Luanda onde iria passar à disponibilidade quando fomos convidados para irmos ao Cinema Chiloango onde iriam cantar o Zeca, Fausto e Adriano. Já ouvia Zeca do qual tinha alguns discos e muitas cassetes com música dele. Nessa época não me apercebi que Zeca era uma “persona non grata” para o Estado Novo, pois em Angola a influência da PIDE era muito discreta e nem sabia que existia. Ouvia as canções do Zeca sem problemas e na tropa até parodiávamos com os nossos superiores cantando a “Ronda dos Paisanos” mas com letras nossas as quais já não me lembro.
O Cinema Chiloango estava apinhado de soldados. Eu sentei-me fardado na escadaria que dava acesso ao palco. “Trova do Vento que Passa”, “Os Vampiros” e tantas outras canções que ouvia no meu gravador, passaram por aquele palco. Última canção… “Grândola, Vila Morena”. Aqui o Zeca pediu para quem quisesse, subisse ao palco para cantar. Mal tinha acabado de dizer isto já eu estava com o meu braço enlaçado no dele. E foi assim que em janeiro de 1975 “conheci” o Zeca.
Até 2014, de Zeca Afonso só conhecia as suas músicas tendo-lhe feito uma página musical que me demorou 8 anos a fazer. (2007/2015). Ao integrar-me no FB “Grupo de Amigos de José Afonso” é que me apercebi que havia mais, muito mais, sobre a Vida e Obra do Zeca. Mas aquele FB não tinha os requisitos para o que desejava; falar exclusivamente, sobre tudo a que Zeca dizia respeito. Assim criei o meu próprio FB, onde só é permitido “falar” de Zeca. Assim nasceu o meu “Tributo a Zeca Afonso”. Muitos inéditos foram já conseguidos. Muitos outros foram prometidos, mas até hoje as promessas não passaram de intenção. Mas não há que desanimar, o caminho faz-se caminhando. Com boa vontade de poucos, muito se consegue. E é nesse sentido que o ‘Tributo’ irá continuar. (…)
Nos Cantos Livres, cantando em locais inimagináveis, Zeca foi a voz do povo. Foi um homem humilde, honesto, solidário, que deu o melhor de si: «Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é que fica»… e está tudo dito.
Mário Lima
Aqui:
http://www.ofado.pt/?p=6364
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