quarta-feira, 4 de maio de 2016

Rui Pato interpreta em viola José Afonso

Rui Pato​ foi sem dúvida alguma, um menino prodígio. Autodidacta, aprende a tocar viola ouvindo música através da aparelhagem "Grundig" conforme o refere numa entrevista. Penso ter sido o mais novo viola (16 anos) a gravar discos. Com essa idade acompanhou dois dos nossos melhores cantautores, José Afonso (1962) e Adriano Correia de Oliveira (1963).

Da sua discografia consta:

Com José Afonso

47 temas nos discos 1ª edição (incluiu dois instrumentais "BALADA DO OUTONO" e "CANTO DA PRIMAVERA" no LP BALADAS E CANÇÕES - 1964)

2 instrumentais em reedições de discos ("SELECÇÃO DE BALADAS" e "CANÇÃO LONGE" no EP BALADAS DE COIMBRA - Discos Rapsódia Lda.) (EPF 5.437 - 1969) (reedição do EP de 1963 com alterações no alinhamento)

1 instrumental noutra reedição ("Crepúsculo" no EP "Baladas" - 1969).

Com o Adriano Correia de Oliveira grava 41 temas

2 EPs com António Bernardino (8 temas)

2 EPs com o José Manuel dos Santos (8 temas)

1 LP (1986) e um CD (1996) acompanhando a guitarra do Francisco Martins (19 temas)

1 EP acompanhando a guitarra do António Pinho Brojo (4 temas)

1 LP gravado em Paris para a Barcleys acompanhando temas de José Afonso, interpretadas por um emigrante português, Germano Rocha (12 temas)

1 EP com António Portugal e Manuel Borralho (4 temas)

2 EPs a solo, "Rui Pato interpreta em viola José Afonso" e "Ilha Nua" (8 temas)

Entre acompanhamentos e a solo, são 153 os temas que Rui Pato interveio em pouco mais de 10 anos (há arranjos em temas não gravados pelo Rui). É obra!

Pela primeira vez podemos ouvir na sua totalidade, este EP de 1965.

Na contracapa deste EP José Afonso escreveu:

"A viola, como instrumento destinado a acompanhar o cantor, foi perdendo nos nossos dias o papel subalterno que lhe destinavam os tradicionais conjuntos de guitarras.

Quer como factor de execução com a finalidade de indicar ou desenvolver uma tema musical adequado às suas características e recursos, quer interpretando, a par da voz humana, o papel de protagonista num diálogo que não admite interferência de outra qualidade expressiva, a sua autonomia exige da parte do ouvinte uma intimidade e uma discreção idêntica à que em tempos prendia o trovador ao seu auditório.

Estas canções, ditas e executadas pela viola de Rui Pato, pretendem restituir-vos a esse clima inicial de silêncio a que a sua sensibilidade, pouco afeita aos ritmos trepidantes da guitarra eléctrica, se foi de há muito habituando.

Pela delicadeza das suas interpretações, valorizadas por uma acertada combinação de acordes, oscilando em cadências sempre variadas num processo de construção melódica que incessantemente se renova - esses solos constituem uma experiência que, creio eu, agora se inicia no nosso panorama musical."


Curioso o facto de num dos temas estar "Bem Safrim" e não "Bensafrim" conforme consta na edição do disco do Zeca.

"O nome da localidade de Bensafrim pertencia à própria comunidade, e remetia para a existência de uma oficina de Lapidaria da época Proto-histórica, onde se esculpiam os Herouns ou seja, as Estelas Monumentais Funerárias e que, possivelmente fornecia toda a região do actual Barlavento Algarvio.

A palavra Bensafrim pertence ao idioma peninsular do sul de Portugal. Ela desdobra-se em ( Ben Sab’r In = Ben Sab(i)r In(scribir) ou seja actualmente ( Bem Saber Inscrever ) = ( traçar inscrita, gravar, esculpir e registar )

A palavra "Ben" ( de Bem ), foi utilizada no Oriente, no ramo Shemita Hebraico como ( = Ben ), para significar o nome "Filho". Pois era costume usual antigamente, no primitivo idioma do sudoeste, de empregar-se o termo popular "Mô Ben" ( Meo Ben ) ao filho. Ainda actualmente esse termo "Meu Bem", persiste na expressão popular Portuguesa.

Também a palavra ( Saphrim ou Safrim ), podemos encontrá-la no ramo ibérico do idioma Shemita Hebraico ( = Sopherim), que significa ( Escriba ).

Assim sendo, talvez a tradução mais adequada para a palavra "Bensafrim" seja a de: "Terra dos Bons Escribas" ou "Terra dos Bons Inscribas-Epigráficos"."

Daqui:

http://wikimapia.org/2063186/hy/Bensafrim

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