terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Serenata

"O Carlos quis pagar os favores amorosos de uma moça de Lisboa, desinibida, que passava uns dias em Coimbra (...) hospedava-se numa casa isolada, duma pequena quinta, para as bandas da Arregaça.

O Zeca Afonso foi o único cantor disponível. Tocadores o próprio dom juan, o Abreu Lima, que estreava uma guitarra nova e, à viola, o Mário Barroso.(...) Numa janela (da quinta), bruxuleava uma vela... Não podia haver cenário mais propício.

Nessa noite, o Zeca excedeu-se: Aquela Moça da Aldeia, o Sol Anda lá no Céu, Solitário, Incerteza, Mar Largo, ... todos os fados que habitualmente cantava, por quadrarem bem à sua voz. Foram momentos irrepetíveis! Naquele cenário mágico, de luminoso silêncio, o seu cantar inspirado atingiu uma interioridade que só mais tarde, nas baladas com o Rui Pato, lhe voltaria a encontrar"

António dos Santos e Silva in "Zeca Afonso, antes do mito"

foto antiga de uma Serenata

sábado, 2 de dezembro de 2017

Avenida de Angola

"Sem sentimentalismos, sem rodeios, como o Sr. José Afonso era. O Zeca, o nosso Zeca, porque faz parte do imaginário contestatário, do gira-discos, do canto amigo. O Zeca foi e será sempre um exemplo de simplicidade, de convicção (mesmo quando dizia que nem sequer gostava de cantar!). É assim o amigo da minha adolescência, o amigo do meu canto, da minha busca pessoal.

Não trazemos nada de novo, vimos apenas lembrar. Até logo, companheiro! "

Cristina Branco


terça-feira, 28 de novembro de 2017

"A noite em que José Afonso..."

"A noite em que José Afonso influenciou uma canção dos Pet Shop Boys"

Há um single editado pelos Pet Shop Boys já neste século que nasceu de uma tentativa de fazer uma versão de uma canção com letra popular e música de José Afonso…

Uma noite, a dupla, depois de jantar, passaram por um bar no qual encontraram um grupo a tocar canções portuguesas (na cidade do Porto). Gostaram de uma delas em particular, que era nada mais nada menos do que As Sete Mulheres do Minho, com letra popular e música de… José Afonso.

Gostaram mesmo tanto que tentaram criar uma versão que contudo não lhes saiu tão bem como o desejado, acabando por compor Together, diretamente inspirado por este tema que podemos encontrar no alinhamento do álbum Fura Fura… Mas que caminhou para uma dimensão pop eletrónica, muito dançável e bem atual. E que Chris Lowe confessa que lhe soou mais a coisa russa, daí o teledisco então criado para apresentar esta canção que nasceu para que houvesse um inédito no alinhamento de Ultimate, um best of editado em 2010.

daqui: https://maquinadeescrever.org/2017/11/01/a-noite-em-que-jose-afonso-influenciou-uma-cancao-dos-pet-shop-boys/#prettyPhoto

Este é o tema que foi inspirado nas Sete Mulheres do Minho. Não tem nada a ver, mas conta a intencionalidade.

sábado, 25 de novembro de 2017

Rui Pato - Do meu álbum

José Afonso e a Zélia Afonso

Quando vinham a minha casa ao Bairro Norton de Matos , almoçar das iguarias da D. Rosa Melo, e o meu pai registava o momento.

Não posso precisar a data, mas , arrisco 1964.

Lembrei-me de publicar esta foto porque a Zélia me telefonou. Um abraço Zélia!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

EP Coimbra - depoimento de José Niza

"Em 1956 e regressado do serviço militar que cumpriu de 1953 a 1955 (Zeca saiu da tropa em 14 de janeiro de 1956), José Afonso volta a gravar mais quatro fados de Coimbra "Incerteza" de Tavares de Melo (erro, "Incerteza" faz parte dos primeiros singles de Zeca gravados em 1952 e editados em 1953. Foi gravado sim "Solitário" de Horácio e Francisco Menano), "Mar Largo" de Paulo de Sá (Paulo de Sá é só o autor da música sobre letra popular/Edmundo Bettencourt), "Aquela Moça da Aldeia" de António Menano (erro, é letra de Américo Durão e música de Francisco Menano) e "Balada" com música do cantor sobre um tema popular açoreano.

Os acompanhamentos foram assegurados por António Portugal e Jorge Godinho (guitarras) e Manuel Pepe e Levy Baptista (violas). O grupo de António Brojo (António Brojo, António Portugal, Aurélio Reis e Mário de Castro que gravara com o Zeca os primeiros discos) tinha-se entretanto dissolvido. (...)

É curioso que José Afonso praticamente as ignore (as gravações dos fados de Coimbra em 1953 e 1956) nas muitas entrevistas que deu.

Num depoimento à RDP-1, já em 1985 e em relação a esta sua fase iniciática, diz o cantor: «Gravei uns faditos de Coimbra». E mais não disse."

in livrete Jose Afonso de José Niza da "Movieplay Portuguesa"

Embora a gravação dos fados deste EP se tenham realizado em 1956, o EP só foi editado em 1960, já li algures que o mesmo foi editado em 1958 (a confirmar portanto).

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Fernando Machado Soares - BALADA DO OUTONO

Magistral interpretação de Fernando Machado Soares do tema de Zeca Afonso "BALADA DO OUTONO"


Zeca e o fado de Coimbra

Zeca e o fado de Coimbra

(sobre a edição do LP Fados de Coimbra e outras canções - 1981)

"Criou-se aí, sobretudo entra a malta progressista, uma ideia de que o fado de Coimbra é, digamos, um produto reacionário. De inferior qualidade. Que exprimia um sentimento piegas, lamecha, etc. De facto, grande parte dos fados de Coimbra, assim como muitos fados de Lisboa, têm essas características. Mas, o que é certo é que esse tipo de fado correspondeu a um gosto que surgiu, em determinada altura, em Coimbra. Era uma canção mais ou menos dominante, aceite pela classe dominante, aceite pela classe estudantil, mas aceite também por outro tipo de camadas. Por vezes, o próprio estudante alternava a cantar com cantores não estudantes, normalmente em locais ao ar livre." (...)

Por que não se há-de cantar o fado de Coimbra? Agora, fazem-se serenatas monumentais com figuras ligadas à direita, e cantando os fados mais imbecis, com as letras mais tolas e mais atrasadas que se fizeram em Coimbra, devidamente protegidos pela polícia. Quando eu cantava fados de Coimbra nas ruas e não tinha devida autorização, não nos livráramos da intervenção policial, por vezes violenta."

Entrevista de Maria Eduarda a Zeca Afonso publicada na edição nº145 de 9 de dezembro de 1981 do jornal “em marcha”

foto: Zeca no Coliseu do Porto em 1961