segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Zeca na Imprensa - JN

Indignação


Em 2012

Viúva de Zeca Afonso indignada com uso de poemas do cantor no congresso do PSD

"Zélia Afonso considera também que, “se fosse vivo”, José Afonso “estaria na primeira fila dos que hoje, em Portugal, combatem a política neoliberal do Governo de Passos Coelho”.


“Porque os responsáveis do PSD não podem ter dúvidas acerca disso, além de abusiva no plano legal, a utilização de versos seus na entronização do chefe deste partido e primeiro-ministro é também manipuladora e insultuosa. A memória de José Afonso não deve e não pode ser assim desvirtuada para efeitos de propaganda”, conclui."

Daqui


Foto: Zeca e Zélia Afonso.

sábado, 27 de setembro de 2014

Zeca - O Professor do diálogo

José Afonso começou a ser professor ainda estudante, primeiro, em Coimbra, dando explicações, depois, em Mangualde, num colégio – onde chegou a lecionar de capa e batina –, atividade que exerceu enquanto o Estado Novo lhe permitiu.

Se como cantor foi um andarilho, como docente não lhe ficou atrás, nutrindo por ambas as atividades a mesma paixão que punha em tudo o que fazia.

De início, ensinar foi forma de sustento – para ele, para os filhos, para a mulher – mas depois, também, paixão, nunca desfeita, pese as barreiras de mentalidades que, não raro, encontrou.

Apesar das contrariedades que encontrou por querer ser um professor que não ensinava só o que vinha nos livros, José Afonso disse um dia: “Durante o exercício de professorado colhi a minha experiência de vida mais importante.”

Daqui


A Mão Entre o Crepitar

A mão entre o crepitar
De prata em forma de cunha
Fez o formato da cara
Mas não são bolas de pão
São pedacinhos de queijo
Que as ratas buscam e cheiram
Na minha imaginação
Não lhes peçam mais casulos
Com esse olhar de cereja
Sejamos bichos avaros
Deitemos fora o cotão
Dos pedacinhos de queijo
Nascem bolas de sabão

Poema escrito na prisão de Caxias


Último Concerto de Zeca Afonso

Porto - 25 maio de 1983

Avelino Tavares, promotor musical da Mundo da Canção, foi a “alma mater” do evento e não tem dúvidas de que, depois disso, não mais Zeca Afonso voltou a apresentar-se em público. “Lembro-me até de, no dia seguinte ao concerto, ter ido levar o José Afonso e a Zélia [mulher dele] à estação de Campanhã porque ele ia a Coimbra receber a medalha de honra da cidade. E, na melhor das hipóteses, o que terá havido é uma festa de estudantes em que se terão cantado uns fados”, recorda.


Para o concerto do Porto, e por exigência do cantor, todos os bilhetes foram postos à venda ao mesmo preço: 500 escudos. A procura foi enorme, a ponto, de, na altura, ter crescido o boato infundado de que haveria ingressos a serem “vendidos à mesa do café”.

Fotos "Mundo da Canção"

Texto: AJA


Santa Maria a Sem-Par *

Algarve o nome está lembrando
Algarve e a brisa passa a cantar
E as sombras leva-as o vento voltando
Silêncio dizem as ondas do mar

Morenas em bandos sobre açoteias
Janelas abertas sobre um palmar
Já vejo de lonje as altas ameias
Já vejo Santa Maria a Sem-Par

Algarve jardim de rosas vermelhas
Algarve brancura de pedra e cal
Cidade dentro dum pátio sem telhas
Dormindo debaixo dum laranjal

Nas praias, dedos de finas areias
Teu nome lembram ao vento a passar
Já vejo de longe as altas ameias
Já vejo Santa Maria a Sem-Par.

*Não foi gravado. Destinou-se a um festival de canções no Algarve.

Cantar de Novo – Zeca Afonso – Nova Realidade

P.S. - Santa Maria a Sem-Par. Este nome um tanto anacrónico é o título de uma pequena toada dedicada a Zélia e depois adaptada a um texto comercializado para ser proposto a um concurso. Os elementos figurativos, excluindo o conhecido símbolo da chaminé algarvia, foram introduzidos na canção a título coercitivo, de acordo com as normas determinadas pelo júri, que a eliminou na primeira volta.

Fonte:AJA

A Falinha Mansa

A falinha mansa
Do homem do olho pardo
É um subúrbio de valsa
Nada indica de que lado
Sopra o vento ou o contrário
Digo: bom dia leopardo!
Torno-me bom camiseiro
Mas a pupila do homem
É melhor que um faroleiro


Um minuto por engano
Porta vestida de pano.

Poema escrito na prisão de Caxias