Coimbra - Teatro Avenida.
Estiveram presentes para além de Zeca (a revista "Capa e Batina" embora apresentando uma foto de Zeca e um pouco de Rui Pato, não faz qualquer referência à sua atuação), Manuel Freire e Adriano Correia de Oliveira cujas atuações não foram do agrado do escriba desta revista.
Carlos Paredes também era para estar presente mas, por qualquer motivo, não apareceu.
Estas duas fotos do Zeca e Rui Pato são desse Festival
Do acervo de José Armando Carvalho, ao qual agradeço a colaboração neste tema
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Tomada da Bastilha - 25 de novembro de 1968
Coimbra - Teatro Avenida
"No dia 25 Salvat assiste com a sua mulher, e na companhia de João Duarte Rodrigues e Maria Clara Boleó (ambos integrantes no CITAC) a um sarau no Teatro Avenida onde se comemorava a Tomada da Bastilha,, o equivalente a uma espécie de “Dia do estudante”, com convidados estudantes vindos do Porto e Lisboa. Salvat fica impressionado com a actuação de Zeca Afonso, de quem escreve no seu diário que “semelhava um trovador medieval”. No sarau e nas reuniões não se falava de outra coisa que não das futuras eleições académicas de Fevereiro e das medidas suavizantes do governo de Marcelo Caetano. Na entrado do seu diário datada de 26 de Novembro, Salvat anota:
«Realmente parece que algumas coisas estão a mudar desde que houve a troca de nomes no governo. (...) Ontem, por exemplo, o acto foi autorizado e falou-se com muita contundência. Veremos agora se a Censura, no que respeita ao teatro, melhorou também»."
Serão estas as fotos dessa atuação do Zeca e Rui Pato nesse dia.
"No dia 25 Salvat assiste com a sua mulher, e na companhia de João Duarte Rodrigues e Maria Clara Boleó (ambos integrantes no CITAC) a um sarau no Teatro Avenida onde se comemorava a Tomada da Bastilha,, o equivalente a uma espécie de “Dia do estudante”, com convidados estudantes vindos do Porto e Lisboa. Salvat fica impressionado com a actuação de Zeca Afonso, de quem escreve no seu diário que “semelhava um trovador medieval”. No sarau e nas reuniões não se falava de outra coisa que não das futuras eleições académicas de Fevereiro e das medidas suavizantes do governo de Marcelo Caetano. Na entrado do seu diário datada de 26 de Novembro, Salvat anota:
«Realmente parece que algumas coisas estão a mudar desde que houve a troca de nomes no governo. (...) Ontem, por exemplo, o acto foi autorizado e falou-se com muita contundência. Veremos agora se a Censura, no que respeita ao teatro, melhorou também»."
Serão estas as fotos dessa atuação do Zeca e Rui Pato nesse dia.
Tarde de Arte - 4 de maio de 1968
Coimbra - Teatro Avenida
Integrado no Sarau da Queima das Fitas decorreu no Teatro Avenida este evento com Zeca Afonso e Rui Pato.
Esta atuação foi gravada e há um vídeo que tem uma das foto como sendo desse Sarau.
Vou considerar como corretas porque reparei que atrás do Zeca e do Rui há, o que parece ser, aparelhos de gravação.
Integrado no Sarau da Queima das Fitas decorreu no Teatro Avenida este evento com Zeca Afonso e Rui Pato.
Esta atuação foi gravada e há um vídeo que tem uma das foto como sendo desse Sarau.
Vou considerar como corretas porque reparei que atrás do Zeca e do Rui há, o que parece ser, aparelhos de gravação.
Faculdade de Medicina de Lisboa - Janeiro de 1964
Evento incluído na Semana da Recepção ao Caloiro na Faculdade de Medicina de Lisboa realizado a 20 de janeiro de 1964
Presença de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Rui Pato, António Portugal e Manuel Alegre.
Presença de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Rui Pato, António Portugal e Manuel Alegre.
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
JOSÉ AFONSO e a O.R.L.
De Rui Pato
O Zeca, sempre que tinha espectáculos de responsabilidade ou tinha gravações, era um problema... Como devem saber ele era um hipocondríaco severo, sempre com a mania das doenças e sempre a tomar medicamentos. Eu, como aluno de medicina e com acesso às amostras gratuitas de medicamentos, era um mártir!
Estava sempre a queixar-se que estava sem voz, que assim não conseguiria gravar ou mesmo actuar e isso para mim era um susto! Quando os medicamentos não resultavam...a nossa salvação de última hora era o Dr. Adolfo Rocha (Miguel Torga); subíamos as escadinhas do consultório dele, ali na Portagem, onde o Torga, com toda a paciência fazia um cocktail da lavra dele, uma misturada que depois era atirada, borrifada, para as cordas vocais do Zeca ali , de boca aberta, míope sem os óculos, a olhar esbugalhadamente para a "pera" de borracha vermelha onde estava escondido o segredo que o salvaria...
Para ilustrar esta historieta, vai um postal dos muitos em que quase sempre como "post scriptum"ele pedia fármacos ...e o consultório do Adolfo Rocha de onde o Zeca ao descer as escadas me torturava com uns vocalizes e me dizia animado:" já estou porreiro!"
(Fotos: um postal da minha colecção e uma foto roubada ao Carlos Ferrão)
O Zeca, sempre que tinha espectáculos de responsabilidade ou tinha gravações, era um problema... Como devem saber ele era um hipocondríaco severo, sempre com a mania das doenças e sempre a tomar medicamentos. Eu, como aluno de medicina e com acesso às amostras gratuitas de medicamentos, era um mártir!
Estava sempre a queixar-se que estava sem voz, que assim não conseguiria gravar ou mesmo actuar e isso para mim era um susto! Quando os medicamentos não resultavam...a nossa salvação de última hora era o Dr. Adolfo Rocha (Miguel Torga); subíamos as escadinhas do consultório dele, ali na Portagem, onde o Torga, com toda a paciência fazia um cocktail da lavra dele, uma misturada que depois era atirada, borrifada, para as cordas vocais do Zeca ali , de boca aberta, míope sem os óculos, a olhar esbugalhadamente para a "pera" de borracha vermelha onde estava escondido o segredo que o salvaria...
Para ilustrar esta historieta, vai um postal dos muitos em que quase sempre como "post scriptum"ele pedia fármacos ...e o consultório do Adolfo Rocha de onde o Zeca ao descer as escadas me torturava com uns vocalizes e me dizia animado:" já estou porreiro!"
(Fotos: um postal da minha colecção e uma foto roubada ao Carlos Ferrão)
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Na Dura Crosta
De Rui Pato
UM INÉDITO DE LUIS ANDRADE PARA O ZECA
Luis Andrade Pignatelli, que nos anos 60 andava aqui por Coimbra tentando afirmar-se como poeta, era bastante amigo do Zeca e também meu amigo. Teve a primeira participação num tema do Zeca em 1963 com "As Pombas", mas contrariamente ao que muito já vi escrito e dito , não colaborou como poeta mas sim como autor da música; a letra da canção "As Pombas" é do Zeca e a melodia é do Luis Andrade. No ano seguinte o Zeca faz uma música para um poema do Luis ("Elegia") e...alguns anos depois o Zeca vem a musicar outro poema do Luís que é o "Era de Noite e Levaram". Mas, ainda nos anos 60, o Luis fez um poema (no café "A Brasileira" numa pequena folha de papel), para ser cantado e musicado pelo Zeca Afonso, com o título "Na Dura Crosta". Fui eu que guardei o poema (porque o Zeca não conseguia guardar nada...) por várias vezes tentei que o Zeca lhe pegasse, ele prometia que sim...mas nunca o fez e, eu, que até já me tinha esquecido...encontrei agora esse papel amarelecido com este poema inédito do Luis Andrade Pignatelli, feito para o Zeca...que nunca o chegou a musicar.
UM INÉDITO DE LUIS ANDRADE PARA O ZECA
Luis Andrade Pignatelli, que nos anos 60 andava aqui por Coimbra tentando afirmar-se como poeta, era bastante amigo do Zeca e também meu amigo. Teve a primeira participação num tema do Zeca em 1963 com "As Pombas", mas contrariamente ao que muito já vi escrito e dito , não colaborou como poeta mas sim como autor da música; a letra da canção "As Pombas" é do Zeca e a melodia é do Luis Andrade. No ano seguinte o Zeca faz uma música para um poema do Luis ("Elegia") e...alguns anos depois o Zeca vem a musicar outro poema do Luís que é o "Era de Noite e Levaram". Mas, ainda nos anos 60, o Luis fez um poema (no café "A Brasileira" numa pequena folha de papel), para ser cantado e musicado pelo Zeca Afonso, com o título "Na Dura Crosta". Fui eu que guardei o poema (porque o Zeca não conseguia guardar nada...) por várias vezes tentei que o Zeca lhe pegasse, ele prometia que sim...mas nunca o fez e, eu, que até já me tinha esquecido...encontrei agora esse papel amarelecido com este poema inédito do Luis Andrade Pignatelli, feito para o Zeca...que nunca o chegou a musicar.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
A MEIRIM *
À sombra do que está
Há quem incline a cabeça
Há quem na vertical
Diga que sim não está mal
Minha tia era
Dessa razão
Dizia humilde contrita
Não subas
Ao parapeito de Judas
E o vendilhão era recto
Não pretendia ser mais
Que um funcionário correcto
Pois na Instrução
O César tinha razão
Só não tinha a tia dele
Verdade diga-se
E sede
Da pura apocalíptica
Depois quem lhe fez a cama
Foi um menino de mama
*escrito na prisão de Caxias
E quem era este Meirim ao qual Zeca dedicou este texto?
Joaquim Meirim foi um treinador português que alinhou sempre à esquerda no campo partidário. Foi embarcadiço, trabalhou em restaurantes e hotéis e começou a treinar nos anos 60, o Oriental, a CUF e a maior glória como treinador foi alcançada com o Varzim atingindo na época 69/70, o 6º lugar com os mesmos pontos do Guimarães (5º) e Barreirense (4º). Só não conseguiu ir às competições europeias porque nos últimos dois/três jogos a findar o campeonato, foi treinar o Braga que estava aflito nos últimos lugares. Acabou o Braga por descer e o Varzim ressentiu-se dessa saída de Meirim (perdeu o acesso à Europa perdendo com o Benfica na Luz, por 1-0).
Os seus métodos de treino no Varzim eram verdadeiramente espartanos. Os jogadores corriam na areia grossa da praia da Póvoa, muitas vezes carregando toros de madeira. Uma equipa de respeito que tinha um grande guarda redes, Benje (o melhor do mundo - segundo Meirim, e que o levou a dizer, o que na época era um sacrilégio, "que se Benje não fosse preto seria o guarda-redes da seleção portuguesa"). Outra frase que ficou conhecida como revolucionária «A derrota é a mãe de todas as vitórias» e "uma bola à trave ou aos postes, é um remate torto".
No ano seguinte, Meirim foi treinar o Belenenses. Mandou encomendar as faixas de campeão antes do campeonato começar. Mas a experiência correu mal e, devido aos maus resultados, foi despedido.
Treinou mais três vezes o Varzim, mas já não foi a mesma coisa sinal, que nunca se deve voltar aos lugares onde se foi feliz.
Há quem incline a cabeça
Há quem na vertical
Diga que sim não está mal
Minha tia era
Dessa razão
Dizia humilde contrita
Não subas
Ao parapeito de Judas
E o vendilhão era recto
Não pretendia ser mais
Que um funcionário correcto
Pois na Instrução
O César tinha razão
Só não tinha a tia dele
Verdade diga-se
E sede
Da pura apocalíptica
Depois quem lhe fez a cama
Foi um menino de mama
*escrito na prisão de Caxias
E quem era este Meirim ao qual Zeca dedicou este texto?
Joaquim Meirim foi um treinador português que alinhou sempre à esquerda no campo partidário. Foi embarcadiço, trabalhou em restaurantes e hotéis e começou a treinar nos anos 60, o Oriental, a CUF e a maior glória como treinador foi alcançada com o Varzim atingindo na época 69/70, o 6º lugar com os mesmos pontos do Guimarães (5º) e Barreirense (4º). Só não conseguiu ir às competições europeias porque nos últimos dois/três jogos a findar o campeonato, foi treinar o Braga que estava aflito nos últimos lugares. Acabou o Braga por descer e o Varzim ressentiu-se dessa saída de Meirim (perdeu o acesso à Europa perdendo com o Benfica na Luz, por 1-0).
Os seus métodos de treino no Varzim eram verdadeiramente espartanos. Os jogadores corriam na areia grossa da praia da Póvoa, muitas vezes carregando toros de madeira. Uma equipa de respeito que tinha um grande guarda redes, Benje (o melhor do mundo - segundo Meirim, e que o levou a dizer, o que na época era um sacrilégio, "que se Benje não fosse preto seria o guarda-redes da seleção portuguesa"). Outra frase que ficou conhecida como revolucionária «A derrota é a mãe de todas as vitórias» e "uma bola à trave ou aos postes, é um remate torto".
No ano seguinte, Meirim foi treinar o Belenenses. Mandou encomendar as faixas de campeão antes do campeonato começar. Mas a experiência correu mal e, devido aos maus resultados, foi despedido.
Treinou mais três vezes o Varzim, mas já não foi a mesma coisa sinal, que nunca se deve voltar aos lugares onde se foi feliz.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















