De Rui Pato
Foi há precisamente meio século.
Fotografias captadas pelo meu amigo, colega de profissão e guitarrista José Ferraz , da viagem de "foguete" entre Coimbra e Lisboa que eu fiz com o José Afonso em finais do ano de 1968 para gravar ainda nessa tarde aquele pequeno disco de duas canções apenas (mas que canções!!!) "Menina dos Olhos Tristes" que, além deste tema na face A, na face B tem o "Canta Camarada Canta". Embora a minha memória nem sempre cumpra a sua obrigação, julgo que este disco foi "apalavrado" à pressa com o Sr. Arnaldo Trindade e gravado excepcionalmente, ao contrário dos seguintes (que foram em Campolide na Polyson) nos estúdios de Paço D'Arcos da Valentim de Carvalho. Como podem ver pela expressão dos "figurantes"... (eu a roer as unhas, hábito que nunca tive e o Zeca crispado...) havia alguma preocupação já que a tarefa era complicada, arriscada e...poderia até ser uma viagem em vão.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
terça-feira, 28 de agosto de 2018
Faro - casa da D. Maria
Faro - Zeca deu aulas em Faro em 1958/1959 e de 1960 a 1964, ano que partiu para Moçambique.
"Percorri algumas casas dos bairros limítrofes de Faro (...), os lugares mais baratos (...). Fui parar à casa da D. Maria, situada numa rua um pouco excêntrica e muito próxima do cais onde partem os barcos para a ilha..." "Foi uma fase de euforia extremamente gratificante e das coisas mais felizes da minha vida. Escrevi na altura 'Tenho barcos tenho remos', a propósito de um barco que utilizávamos. Nesse 'Barco do Diabo' fazíamos viagens fantásticas ou fantasmas (...) discutíamos pontos de vista vários. Tínhamos a mania de andar a pé até Olhão, até Quarteira e ainda mais longe."
foto Rui Pato - Casa da D. Maria
"Percorri algumas casas dos bairros limítrofes de Faro (...), os lugares mais baratos (...). Fui parar à casa da D. Maria, situada numa rua um pouco excêntrica e muito próxima do cais onde partem os barcos para a ilha..." "Foi uma fase de euforia extremamente gratificante e das coisas mais felizes da minha vida. Escrevi na altura 'Tenho barcos tenho remos', a propósito de um barco que utilizávamos. Nesse 'Barco do Diabo' fazíamos viagens fantásticas ou fantasmas (...) discutíamos pontos de vista vários. Tínhamos a mania de andar a pé até Olhão, até Quarteira e ainda mais longe."
foto Rui Pato - Casa da D. Maria
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
UM APARELHO COM MUITA HISTÓRIA
De Rui Pato
Este é o gravador que veio do Porto a Coimbra , numa 4L, em 1962 e voltou em 1963 para gravar os dois primeiros EPs de baladas do José Afonso nos claustros abandonados do mosteiro de São Jorge de Milreus, ele e eu...sozinhos com o técnico, ( o Menino de oiro em 62 e Vampiros em 63) Este aparelho está guardado e bem conservado na cidade da Maia, na empresa EDISCO.
Agradeço esta foto ao meu amigo José Ferraz de Oliveira que encontrou a relíquia quando estava neste estúdio a gravar um CD de originais de Jorge Cravo com poemas de Vitor Matos e Sá.
Este é o gravador que veio do Porto a Coimbra , numa 4L, em 1962 e voltou em 1963 para gravar os dois primeiros EPs de baladas do José Afonso nos claustros abandonados do mosteiro de São Jorge de Milreus, ele e eu...sozinhos com o técnico, ( o Menino de oiro em 62 e Vampiros em 63) Este aparelho está guardado e bem conservado na cidade da Maia, na empresa EDISCO.
Agradeço esta foto ao meu amigo José Ferraz de Oliveira que encontrou a relíquia quando estava neste estúdio a gravar um CD de originais de Jorge Cravo com poemas de Vitor Matos e Sá.
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
Arnaldo Trindade - Querem calar o rouxinol
querem calar o rouxinol
sua bela cantoria
simples profunda utopia
natal dum novo sol
por sereias tentado
bonitas e feias
gaiolas d´ouro e prata
por bairros de lata trocadas
ninguém silencia Andarilho
da lua e sol seu filho
A MALTA NÃO DEIXA
Arnaldo Trindade
dedicado a José Afonso
sua bela cantoria
simples profunda utopia
natal dum novo sol
por sereias tentado
bonitas e feias
gaiolas d´ouro e prata
por bairros de lata trocadas
ninguém silencia Andarilho
da lua e sol seu filho
A MALTA NÃO DEIXA
Arnaldo Trindade
dedicado a José Afonso
O franciscano laico
(Zeca) Revolucionou a estrutura musical e poética da canção portuguesa. Não foi apenas um grande compositor e um intérprete excepcional. Foi um poeta. E de certo modo um profeta. Um revolucionário e um franciscano laico, fraterno, despojado. Um homem que tinha o coração aberto ao mundo e nada queria para si. Um trovador que a cantar encantava e incomodava. Um poeta que era capaz de avisar a malta e juntar muita gente, mas que nunca se deixou arregimentar. Talvez as sociedades não consigam suportar a força subversiva de um tal despojamento, nem a ternura irresistível que havia na sua voz.
Por isso não é possível integrá-lo em nenhum sistema e em nenhum esquema. Há mortos que não são «recuperáveis». Há mortos que não se deixam sepultar.
Zeca Afonso não é como os falsos marginais que hoje ditam as modas ou são serventuários do poder. Ele é da outra margem. Aquela margem onde não há lugar para o autoritarismo nem para a subserviência. Ele é da margem esquerda, que é a margem do coração e da camaradagem. É aí, à sombra de uma azinheira, que ele continua a cantar para nós uma canção de liberdade.
Manuel Alegre
10.02.1993
foto: Rocha Pato (pai de Rui Pato)
Por isso não é possível integrá-lo em nenhum sistema e em nenhum esquema. Há mortos que não são «recuperáveis». Há mortos que não se deixam sepultar.
Zeca Afonso não é como os falsos marginais que hoje ditam as modas ou são serventuários do poder. Ele é da outra margem. Aquela margem onde não há lugar para o autoritarismo nem para a subserviência. Ele é da margem esquerda, que é a margem do coração e da camaradagem. É aí, à sombra de uma azinheira, que ele continua a cantar para nós uma canção de liberdade.
Manuel Alegre
10.02.1993
foto: Rocha Pato (pai de Rui Pato)
terça-feira, 5 de junho de 2018
Albano da Rocha Pato
ALBANO DA ROCHA PATO, nascido em S. João da Azenha, Avelãs de Caminho, no dia 25 de Setembro de 1923 começou a sua vida profissional como funcionário do Turismo da Curia, onde conheceu Manuel Pinto de Azevedo, proprietário do Jornal "O Primeiro de Janeiro" que o convida a ser o responsável pela parte redatorial do Jornal na cidade de Coimbra.
Rocha Pato instala-se em Coimbra no ano de 1945. Casado e com um filho (Rui Melo Pato que nasce a 5 de Junho de 1946), mantém-se como repórter do Primeiro de Janeiro em Coimbra até meados dos anos 60. Foi convidado a abrir e dirigir a delegação em Coimbra do Diário Popular e correspondente do Jornal O Século (1943), República, Jornal do Comércio, o Ponney... Paralelamente cria a primeira revista sobre vinhos, a revista "Vinhos de Portugal" que teve uma regularidade na publicação durante alguns anos. Premiado em muitos concursos de fotografia, deixou uma vasta obra, trazida agora "à luz" pelo seu filho Rui.
Foi Rocha Pato que tratou de tudo, editora, estúdio, capa, etc, para os três primeiros discos de Baladas de José Afonso.
Para além do apoio constante dado a Zeca nas "coisas novas" que este levava para ouvirem no Café Brasileira, Rocha Pato, que perante o pedido de uma viola, levou Zeca a sua casa onde se encontrava o filho Rui Pato (que tocava viola clássica) que, até aos dias de hoje, temos o privilégio de os ouvir nos discos gravados por estes dois grandes intérpretes.
Podemos ver essas capas dos três primeiros discos e também de outros que saíram posteriormente, para além de outras fotos tiradas por Rocha Pato.
Em 1967, depois de Zeca ter regressado de Moçambique (Setembro), Rocha Pato contactou Arnaldo Trindade, da Orfeu, para gravação do disco "Cantares do Andarilho", ligação essa que só iria terminar em 1981.
fontes:
http://guitarradecoimbra4.blogspot.com/2015/04/nos-33-anos-do-falecimento-de-rocha.html
Rui Pato
Fotos retirado do meu acervo discográfico, da net e do FB de Rui Pato.
foto de 1959/1960
disco de 1962 e contracapa de apoio à afirmação e legitimação da Nova Balada de Coimbra.
disco de 1963 e fotos tiradas antes e durante a gravação do disco.
1964 - 1ª edição censurada. Esta foto está como sendo de Varela Pécurto, mas por outra foto vista deste momento atribuída a Rocha Pato (ver foto seguinte), tudo indica que é mesmo Rocha Pato o autor.
1969 - foto de 1963, colocada na reedição do EP de 1964 que saiu em 1969.
A viola é do Rui Pato.
2ª edição, 1967 do LP Baladas e Canções. Na AJA está como a foto tivesses sida tirada por Varela Pécurto, mas como podemos observar na contracapa está lá bem referenciado que a foto é de Rocha Pato.
1966 - Foto colocada no livro "Cantares de José Afonso"
Neste ano Zeca estava em Moçambique, por isso a foto será anterior. Talvez de 1964.
1969-Em casa de Rocha Pato com a cadelita Cuíca e com Zélia
Rocha Pato instala-se em Coimbra no ano de 1945. Casado e com um filho (Rui Melo Pato que nasce a 5 de Junho de 1946), mantém-se como repórter do Primeiro de Janeiro em Coimbra até meados dos anos 60. Foi convidado a abrir e dirigir a delegação em Coimbra do Diário Popular e correspondente do Jornal O Século (1943), República, Jornal do Comércio, o Ponney... Paralelamente cria a primeira revista sobre vinhos, a revista "Vinhos de Portugal" que teve uma regularidade na publicação durante alguns anos. Premiado em muitos concursos de fotografia, deixou uma vasta obra, trazida agora "à luz" pelo seu filho Rui.
Foi Rocha Pato que tratou de tudo, editora, estúdio, capa, etc, para os três primeiros discos de Baladas de José Afonso.
Para além do apoio constante dado a Zeca nas "coisas novas" que este levava para ouvirem no Café Brasileira, Rocha Pato, que perante o pedido de uma viola, levou Zeca a sua casa onde se encontrava o filho Rui Pato (que tocava viola clássica) que, até aos dias de hoje, temos o privilégio de os ouvir nos discos gravados por estes dois grandes intérpretes.
Podemos ver essas capas dos três primeiros discos e também de outros que saíram posteriormente, para além de outras fotos tiradas por Rocha Pato.
Em 1967, depois de Zeca ter regressado de Moçambique (Setembro), Rocha Pato contactou Arnaldo Trindade, da Orfeu, para gravação do disco "Cantares do Andarilho", ligação essa que só iria terminar em 1981.
fontes:
http://guitarradecoimbra4.blogspot.com/2015/04/nos-33-anos-do-falecimento-de-rocha.html
Rui Pato
Fotos retirado do meu acervo discográfico, da net e do FB de Rui Pato.
foto de 1959/1960
disco de 1962 e contracapa de apoio à afirmação e legitimação da Nova Balada de Coimbra.
disco de 1963 e fotos tiradas antes e durante a gravação do disco.
1964 - 1ª edição censurada. Esta foto está como sendo de Varela Pécurto, mas por outra foto vista deste momento atribuída a Rocha Pato (ver foto seguinte), tudo indica que é mesmo Rocha Pato o autor.
1969 - foto de 1963, colocada na reedição do EP de 1964 que saiu em 1969.
A viola é do Rui Pato.
2ª edição, 1967 do LP Baladas e Canções. Na AJA está como a foto tivesses sida tirada por Varela Pécurto, mas como podemos observar na contracapa está lá bem referenciado que a foto é de Rocha Pato.
1966 - Foto colocada no livro "Cantares de José Afonso"
Neste ano Zeca estava em Moçambique, por isso a foto será anterior. Talvez de 1964.
1969-Em casa de Rocha Pato com a cadelita Cuíca e com Zélia
quinta-feira, 24 de maio de 2018
Concerto no Pavilhão dos Desportos
04 de Abril de 1970
Concerto no Pavilhão dos Desportos
José Afonso a entrar no Pavilhão. A conversar (parece ser com a Zélia. Verificar que a mesma tem a edição proibida do “Cantares”, edição SCIP - AA EE de Lisboa - 1969).
Com Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira, Fonseca e Costa e...
Concerto no Pavilhão dos Desportos
José Afonso a entrar no Pavilhão. A conversar (parece ser com a Zélia. Verificar que a mesma tem a edição proibida do “Cantares”, edição SCIP - AA EE de Lisboa - 1969).
Com Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira, Fonseca e Costa e...
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