quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ilha da Fuzeta - o paraíso de Zeca Afonso

"A Fuzeta é muito conhecida pelo Zeca Afonso, que tinha aqui família. A minha infância era passada na ilha durante o Verão com amigos e recordo-me de que o Zeca Afonso gostava imenso deste local. Era uma pessoa muito simples e fazia ali muitas noitadas com a sua viola." (1)

"Antigamente, era uma alegria de dia e noite para toda a gente. Depois do pôr do Sol acendiam-se fogueiras e todos se divertiam. Lembro-me do Zeca Afonso, havia guitarradas e muita farra até às tantas da madrugada. A mulher dele veio aqui no início deste ano (2010) e depois de ter visto como está esta praia limitou-se a dizer: 'O que isto era e o que isto é…'" (2)

(1) José Brás, presidente da Junta de Freguesia em 2010
(2) Rogério Martins antigo pescador e agora barqueiro

daqui: https://www.dn.pt/portugal/sul/interior/quando-a-ilha-da-fuzeta-era-o-paraiso-de-zeca-afonso--1518630.html

foto: Zeca a passear na praia da Fuzeta.

Era um gajo porreiro

Vitorino

"Conheci-o nos meus vinte anos quando o Zeca Afonso era professor numa escola secundária em Faro. Já antes conhecia a sua música, de o ouvir clandestinamente. Os primeiros que ouvi dele foi o “Menino do Bairro Negro” e os “Vampiros”.

Nessa altura eu andava na tropa e vi um projeto que anunciava o doutor José Afonso, na Casa dos Pescadores de Olhão. Eu e outros recrutas fomos lá ouvi-lo. Ele movimentava as pessoas com um sentido que ia muito além da música. Ele simbolizava o reviralhismo, o movimento contra a ditadura. Sabíamos bem de que lado ele estava.

Professor de esquerda, da escola do existencialismo, não punha gravata.

Um dia antes de um concerto ele pediu-me para lhe afinar a viola. Ficámos amigos desde então e nunca mais deixámos de o ser. Passámos pela revolução. Acompanhei-o antes e depois do 25 de Abril. Era um homem expansivo, sanguíneo q.b. e profundamente solidário em todas as circunstâncias.

(...) Era um gajo porreiro, um amigo que faz falta, com uma atitude ética e social irrepreensíveis e que deixou uma obra única na música europeia."
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daqui:http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-02-23-Um-gajo-porreiro-um-amigo-que-faz-falta
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foto: Zeca, Vitorino e Carlos Alberto Moniz



terça-feira, 10 de outubro de 2017

Bagão Félix

"Era impossível não gostar de Zeca Afonso. A não ser por preconceito redutor. Fez parte do meu encantamento, enquanto jovem, ainda antes do 25 de Abril, faz parte do meu castelo do que em memória, está dentro de mim.

Era um homem simples, generoso, ingénuo até. Sensível, genuíno, autêntico. Sem biombos ou disfarces. Competente. Com alma.

Um cantautor irrepetível. Abriu novos caminhos à boa e cristalina música portuguesa de raiz popular e eclética. Chegava às pessoas, não pela via da agora tão em moda sofisticação forçada e liofilizada, mas pela singeleza da naturalidade, pela beleza da musicalidade e pela mensagem da poesia.

Zeca Afonso permanece em nós na decantação da memória e no registo da gravação de que continuamos a usufruir no tempo que há para além do seu tempo. Através dessa presença memorial e da sua voz renascida em cada momento em que nos continua a chegar docemente aos ouvidos, pode sentir-se a radicalidade da boa saudade, feita da confluência entre a presença ausente e a ausência presente. Onde cabe a alegria, a quietude, a estética. E a esperança."

daqui:

http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-02-23-Uma-voz-renascida-em-cada-momento

domingo, 8 de outubro de 2017

Zeca na Aula Magna

José Afonso num friso, com personalidades que tiveram, segundo o autor J. Conde Corbal, interesse na Galiza do séc. XX, pintado na Aula Magna da Faculdade de Económicas da Universidade de Santiago de Compostela.

imagem daqui:

http://www.usc.es/econo/Conde/Conde51.htm

sábado, 7 de outubro de 2017

Regresso de Moçambique - Agosto de 1967

"Quando o barco atracou no cais de Alcântara (setembro de 1967), a única pessoa que o esperava era um jornalista da rádio, Adelino Gomes, a quem declara estar na disposição de ser exclusivamente professor, porque era seu propósito firme abandonar as cantigas. Este informa-o que havia grandes expectativas à volta dele, ao que Zeca respondeu:

“Vou para o Algarve, vou deixar de cantar, porque isto de cantar não quer dizer nada, não interessa a ninguém”; explicando-lhe ainda que não lhe daria a entrevista que lhe solicitava porque já não se considerava um cantor. Perante a insistência: “Mas você não pode deixar de cantar, você é extremamente importante, para os estudantes, para a malta, aquilo que você canta diz-nos tanto, é através da sua voz que nós chegamos lá. Nós na rádio quando queremos dizer qualquer coisa dizemo-lo através das suas canções”, lá lhe deu a entrevista.

José Afonso referir-se-á mais tarde a esta importância “exagerada” que encontrou no regresso de Moçambique “fui rodeado por um mito quase sebastianístico (…) constatei com alguma surpresa, que à minha volta se formava um clima de expectativa, como se eu viesse trazer alguma coisa de novo (…) Parecia que as pessoas queriam manifestar-se e não sabiam como. E agora estava ali um tipo que falava em vez deles”

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daqui:http://www.jornalmapa.pt/2017/02/11/panegirico-jose-afonso/

Adelino Gomes, Público, 23 de Fevereiro de 1992

Aqui o Adelino refere a chegada de Zeca em setembro. Zeca embarca em agosto e chega em setembro a Portugal.


Pintura: Acrílico sobre tela, 50x70cm de Josefa Moura​




quinta-feira, 5 de outubro de 2017

POSTAL VERDE DO ZECA

De Rui Pato

POSTAL VERDE DO ZECA PARA O MEU PAI (inédito)

5 detalhes curiosos (para os estudiosos)

- o convite do padre de Pataias
- a “próxima” gravação (a tal em que eu já não fui)
- a inclusão da Hermínia no programa
- a ida “por um ano para a américa”
- e a pergunta se eu saía ou não da tropa


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Zeca Afonso e Rui Pato na crise académica de 1969

A crise académica de 1969 começou quando não foi permitido aos estudantes o uso da palavra durante a inauguração do edifício das matemáticas. Alberto Martins, na altura presidente da Direção Geral da Associação Académica, subindo para uma cadeira com a capa aos ombros diz:

“Em nome dos estudantes de Coimbra, peço a palavra”.

O regime não o permitiu e, a 17 de abril, Alberto Martins foi detido e passou a noite na cadeia. Outros oito estudantes da Universidade, a 22 de abril, foram suspensos e proibidos de assistir às aulas. A Assembleia Magna decreta o luto académico e muitos artistas aderem a esta luta estudantil.

Zeca Afonso não poderia ficar indiferente e no Ginásio e num outro local, Zeca ali está com o seu amigo de sempre, Rui Pato, a apoiar a luta dos estudantes.

São desses momentos as fotos aqui colocadas (numa das fotos, Zeca está ajoelhado à esquerda de Rui Pato).

1969 foi o ano que "acabou" a ligação entre Zeca e Rui Pato. Impedido pela PIDE de se deslocar a Londres onde Zeca iria gravar o LP "TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM" devido à luta estudantil, Rui Pato foi substituído por Carlos Correia (Bóris).

Voltariam a cantar e a tocar juntos 14 anos depois, janeiro de 1983, no Coliseu, onde Rui Pato acompanharia Zeca em três dos seus mais antigos temas.