sexta-feira, 21 de julho de 2017
João Carlos Callixto - investigador
"Faz todo o sentido falar em herdeiros da música do Zeca Afonso. Acho que é mesmo impossível não falar, ao pensar na música portuguesa das últimas duas décadas e meia. Portanto, praticamente desde a morte dele"
"é impossível pensar em Deolinda, Diabo na Cruz e Criatura sem pensar na obra do Zeca Afonso". "São projetos que têm este espírito que o Zeca Afonso tinha de mistura de várias referências, de preocupação com as letras. De, a nível musical, não se fechar dentro de uma gavetinha"
"O Zeca acabou por se transformar num nome que cruza públicos, cruza repertórios e que não se fecha de maneira nenhuma dentro do âmbito das ditas canções de intervenção ou dos repertórios dos cantautores"
"Por isso é que se diz tantas vezes que estas novas gerações do hip-hop se reclamam um bocadinho do legado da canção de intervenção. Não quer dizer que para o hip-hop seja a única coisa que importa do trabalho do Zeca"
"essa também é a riqueza do Zeca Afonso, dar-se para tantos géneros musicais". "É um dos maiores génios da música portuguesa do século XX, isso é indiscutível"
daqui:
http://www.cmjornal.pt/cultura/detalhe/zeca-afonso-um-artista-que-deixou-sementes-para-as-geracoes-seguintes
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Homenagem - 27 de janeiro de 1984 - Braga
Missiva de Zeca Afonso lida por Francisco Fanhais num espetáculo em sua homenagem, que teve lugar no dia 27 de janeiro de 1984 em Braga.
"...Esta festa não pode ser só uma homenagem a um homem, seria bem pouco! Tem que ser, também, um encontro de pessoas que recusam a anestesia que o sistema nos quer impingir e sobretudo um apelo à juventude para que mantenha sempre um espírito crítico e uma atitude de esclarecida resistência face aos valores que a sociedade capitalista nos pretende impor. E se é certo que a situação actual não é a mesma de antes do 25 de Abril, importa manter a capacidade de indignação e sermos capazes de rejeitar a hipocrisia dos detentores do poder.
Encontrando-me actualmente numa fase de pouca actividade física reafirmo a disposição de me deslocar, mais tarde, a Braga, onde espero reencontrar os amigos e dialogar e conviver com os jovens e com todos aqueles por quem a justiça e a fraternidade são a razão da sua luta.
Obrigado companheiros, um abraço do Zeca".
"...Esta festa não pode ser só uma homenagem a um homem, seria bem pouco! Tem que ser, também, um encontro de pessoas que recusam a anestesia que o sistema nos quer impingir e sobretudo um apelo à juventude para que mantenha sempre um espírito crítico e uma atitude de esclarecida resistência face aos valores que a sociedade capitalista nos pretende impor. E se é certo que a situação actual não é a mesma de antes do 25 de Abril, importa manter a capacidade de indignação e sermos capazes de rejeitar a hipocrisia dos detentores do poder.
Encontrando-me actualmente numa fase de pouca actividade física reafirmo a disposição de me deslocar, mais tarde, a Braga, onde espero reencontrar os amigos e dialogar e conviver com os jovens e com todos aqueles por quem a justiça e a fraternidade são a razão da sua luta.
Obrigado companheiros, um abraço do Zeca".
quarta-feira, 19 de julho de 2017
José Jorge Letria
“Existia entre mim e o Zeca Afonso uma verdadeira fraternidade que me marcou para a vida.
Um dia íamos no carro conduzido pela Zélia, mulher do Zeca, a caminho de Santiago de Compostela. Já perto da fronteira norte de Portugal, abrimos a mala do carro e descobrimos que transportávamos alguns milhares de panfletos denunciando as condições em que se verificara o assassinato de Amílcar Cabral. Se nos apanhassem com eles, seríamos logo detidos.
O Zeca era mesmo assim: distraído, combativo, corajoso e sempre imprevisível. Mas era ele! E era imensa nossa amizade e a nossa admiração por ele."
daqui:
http://alumni.letras.ulisboa.pt/
Um dia íamos no carro conduzido pela Zélia, mulher do Zeca, a caminho de Santiago de Compostela. Já perto da fronteira norte de Portugal, abrimos a mala do carro e descobrimos que transportávamos alguns milhares de panfletos denunciando as condições em que se verificara o assassinato de Amílcar Cabral. Se nos apanhassem com eles, seríamos logo detidos.
O Zeca era mesmo assim: distraído, combativo, corajoso e sempre imprevisível. Mas era ele! E era imensa nossa amizade e a nossa admiração por ele."
daqui:
http://alumni.letras.ulisboa.pt/
sexta-feira, 14 de julho de 2017
O Zeca era um gajo muito bom
"Era um gajo muito bom. Era farol mas também era regaço, era riso mas também era profundidade intelectual. Era o Zeca, pá! (...) era um indivíduo que, para além de extremamente inteligente, era extremamente humilde e de uma grande coragem física e intelectual. E, às vezes, a coragem intelectual é bem mais difícil de sustentar do que a física.
O Zeca era um gajo de uma dádiva total, solidário como ninguém, humilde, capaz de encontrar nas pessoas mais humildes coragem e capacidade de luta que o galvanizavam também a ele. (...) O Zeca era um homem comprometidíssimo com a luta pela liberdade, ia a todas.
Da maneira como se dava na totalidade, participava em tudo e não cuidava de si. Cantava em condições precárias, não tinha tempo para comer, não comia decentemente... "
Carlos Guerreiro in "Esquerda.net"
foto:
Zeca Afonso, em 1980, no espetáculo do 4º aniversário da Cooperativa Nascente, Espinho, com Julio Pereira, Henrique Tabot e Guilherme Inês.
O Zeca era um gajo de uma dádiva total, solidário como ninguém, humilde, capaz de encontrar nas pessoas mais humildes coragem e capacidade de luta que o galvanizavam também a ele. (...) O Zeca era um homem comprometidíssimo com a luta pela liberdade, ia a todas.
Da maneira como se dava na totalidade, participava em tudo e não cuidava de si. Cantava em condições precárias, não tinha tempo para comer, não comia decentemente... "
Carlos Guerreiro in "Esquerda.net"
foto:
Zeca Afonso, em 1980, no espetáculo do 4º aniversário da Cooperativa Nascente, Espinho, com Julio Pereira, Henrique Tabot e Guilherme Inês.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Zeca - O homem comprometido
«Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão, é um homem comprometido. Não é o produto saído do cantor que define esse compromisso, mas o conjunto de circunstâncias que o envolvem com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele canta»
Semanário Se7e - 27 de novembro de 1985 - Viriato Teles
Semanário Se7e - 27 de novembro de 1985 - Viriato Teles
quarta-feira, 12 de julho de 2017
Prémio Casa da Imprensa
Zeca recebeu este prémio em três anos seguidos 1969-1970-1971.
1969 - "Contos Velhos Rumos Novo"
1970 - "Traz Outro Amigo Também"
1971 - "Cantigas do Maio" (considerado o melhor disco de José Afonso)
Nesta foto, Zeca Afonso recebe das mãos da jornalista Manuela de Azevedo (faleceu este ano com 105 anos), o prémio da Casa da Imprensa de 1971, num espectáculo realizado no Teatro de São Luís.
Entrevistado para o 'Noticias da Amadora' por José Freire Antunes
1969 - "Contos Velhos Rumos Novo"
1970 - "Traz Outro Amigo Também"
1971 - "Cantigas do Maio" (considerado o melhor disco de José Afonso)
Nesta foto, Zeca Afonso recebe das mãos da jornalista Manuela de Azevedo (faleceu este ano com 105 anos), o prémio da Casa da Imprensa de 1971, num espectáculo realizado no Teatro de São Luís.
Entrevistado para o 'Noticias da Amadora' por José Freire Antunes
quinta-feira, 6 de julho de 2017
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