Música: Carlos Alberto Moniz
quinta-feira, 6 de julho de 2017
quarta-feira, 5 de julho de 2017
A canção é uma arma
A canção, tornou-se numa arma como diz o cantor e, a partir dos anos 60, partilhou fraternalmente o grito alegre e intenso de revolta contra o colonialismo e contra as ditaduras que mancharam a História de Portugal e Brasil.
Coimbra, cidade da Universidade e dos estudantes, onde reinava o fado e a balada, revelou-se um dos berços da canção política.
Já nos anos 30 e 40 o neo-realismo tinha reunido na cidade um número notável de poetas de grande fôlego, alguns dos quais, como Luís Bettencourt, levaram a poesia às vozes do fados e das baladas, unindo as duas grandes expressões culturais coimbrãs que são a canção e a poesia.
A partir do fado e da balada, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outros, vão juntar às toadas tradicionais letras e poemas claramente politizados, especialmente bem recebidos pelos estudantes que começavam a sentir na pele a pressão de uma guerra injusta para a qual a ditadura os empurrava sem piedade.
A canção junta pessoas e vozes. A canção fala e faz falar. Grita. Entra nas Universidades, em muitas igrejas e espaços paroquiais, em clubes operários. A canção é perseguida e proibida. Autores como Zeca Afonso ou Chico Buarque de Holanda são presos inúmeras vezes.
Presos devido às palavras a arder que nos traziam. Presos pela dignidade com que resistiam. Presos pela palavra que insistiam em espalhar.
Adriano cantava os poetas. Em primeiro lugar Manuel Alegre, e outros depois como Manuel da Fonseca, António Gedeão, Raúl de Carvalho e muitos mais. O Zeca cantou menos os poetas mas também o fez desde Luís de Camões, Jorge de Sena, Luís Pignatelli, António Quadros, Ary dos Santos, Fernando Pessoa ou António Aleixo.
Além dos poetas, Zeca escreveu muitas das letras que cantava. Mas também recolheu toadas, melodias e letras da tradição popular das Beiras, do Alentejo, dos Açores, pondo muitas vezes em destaque o seu profundo apelo à liberdade.
Zeca Afonso tomou ainda para si a influência da música africana criando canções que de alguma forma uniram as lutas de um e outro lado do Oceano, tornando claro que a luta dos africanos e dos portugueses era a mesma.
E pode dizer-se sem perigo de demagogia que essas canções também contribuem para o traçado do espaço da lusofonia.
Daqui:
http://jornalcultura.sapo.ao/dialogo-intercultural/na-ponta-do-pe-na-boca-do-povo
Coimbra, cidade da Universidade e dos estudantes, onde reinava o fado e a balada, revelou-se um dos berços da canção política.
Já nos anos 30 e 40 o neo-realismo tinha reunido na cidade um número notável de poetas de grande fôlego, alguns dos quais, como Luís Bettencourt, levaram a poesia às vozes do fados e das baladas, unindo as duas grandes expressões culturais coimbrãs que são a canção e a poesia.
A partir do fado e da balada, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outros, vão juntar às toadas tradicionais letras e poemas claramente politizados, especialmente bem recebidos pelos estudantes que começavam a sentir na pele a pressão de uma guerra injusta para a qual a ditadura os empurrava sem piedade.
A canção junta pessoas e vozes. A canção fala e faz falar. Grita. Entra nas Universidades, em muitas igrejas e espaços paroquiais, em clubes operários. A canção é perseguida e proibida. Autores como Zeca Afonso ou Chico Buarque de Holanda são presos inúmeras vezes.
Presos devido às palavras a arder que nos traziam. Presos pela dignidade com que resistiam. Presos pela palavra que insistiam em espalhar.
Adriano cantava os poetas. Em primeiro lugar Manuel Alegre, e outros depois como Manuel da Fonseca, António Gedeão, Raúl de Carvalho e muitos mais. O Zeca cantou menos os poetas mas também o fez desde Luís de Camões, Jorge de Sena, Luís Pignatelli, António Quadros, Ary dos Santos, Fernando Pessoa ou António Aleixo.
Além dos poetas, Zeca escreveu muitas das letras que cantava. Mas também recolheu toadas, melodias e letras da tradição popular das Beiras, do Alentejo, dos Açores, pondo muitas vezes em destaque o seu profundo apelo à liberdade.
Zeca Afonso tomou ainda para si a influência da música africana criando canções que de alguma forma uniram as lutas de um e outro lado do Oceano, tornando claro que a luta dos africanos e dos portugueses era a mesma.
E pode dizer-se sem perigo de demagogia que essas canções também contribuem para o traçado do espaço da lusofonia.
Daqui:
http://jornalcultura.sapo.ao/dialogo-intercultural/na-ponta-do-pe-na-boca-do-povo
terça-feira, 13 de junho de 2017
Alípio de Freitas
(Bragança, 17 de fevereiro de 1929 – Lisboa, 13 de junho de 2017)
Sacerdote católico que, no Brasil, se envolveu nas lutas dos camponeses contra o poder dos latifundiários da cana do açúcar, acabando por ser preso pela DOPS brasileira (Departamento de Ordem Política e Social) o mesmo que a PIDE em Portugal.
Foi torturado e Zeca homenageou-o com o tema Baía da Guanabara, mais tarde Alípio de Freitas.
Tive o prazer de o conhecer pessoalmente e agradecer-lhe o que fez contra a ditadura, tenha ela a cor que tiver, ou em que país for.
Sacerdote católico que, no Brasil, se envolveu nas lutas dos camponeses contra o poder dos latifundiários da cana do açúcar, acabando por ser preso pela DOPS brasileira (Departamento de Ordem Política e Social) o mesmo que a PIDE em Portugal.
Foi torturado e Zeca homenageou-o com o tema Baía da Guanabara, mais tarde Alípio de Freitas.
Tive o prazer de o conhecer pessoalmente e agradecer-lhe o que fez contra a ditadura, tenha ela a cor que tiver, ou em que país for.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
Durval Moreirinhas
(Celorico de Basto,11 de abril de 1937 - Lisboa, 12 de junho de 2017)
Na vida e obra de Zeca Afonso dos seus tempos de Coimbra, para além do inevitável Rui Pato, três outros nomes lhe estão associados com frequência: José Niza, Jorge Godinho e Durval Moreirinhas.
Foram José Niza e Durval Moreirinhas os primeiros a acompanhar Zeca somente à viola, nos temas "Minha Mãe" e "Balada Aleixo" inseridos no LP Coimbra Orfeon of Portugal em 1962.
Para além das visitas a vários pontos da Europa, África e América, foi com estes três elementos, o primeiro vídeo (que se conheça) de Zeca, gravado em Frankfurt em 1963 para a TV pública alemã HR (há outro mas nesse Zeca toca a solo).
O último evento onde Durval Moreirinhas participa acompanhando Zeca, foi na Festa da Amizade nas Caldas da Rainha a 5 de fevereiro de 1983.
Na vida e obra de Zeca Afonso dos seus tempos de Coimbra, para além do inevitável Rui Pato, três outros nomes lhe estão associados com frequência: José Niza, Jorge Godinho e Durval Moreirinhas.
Foram José Niza e Durval Moreirinhas os primeiros a acompanhar Zeca somente à viola, nos temas "Minha Mãe" e "Balada Aleixo" inseridos no LP Coimbra Orfeon of Portugal em 1962.
Para além das visitas a vários pontos da Europa, África e América, foi com estes três elementos, o primeiro vídeo (que se conheça) de Zeca, gravado em Frankfurt em 1963 para a TV pública alemã HR (há outro mas nesse Zeca toca a solo).
O último evento onde Durval Moreirinhas participa acompanhando Zeca, foi na Festa da Amizade nas Caldas da Rainha a 5 de fevereiro de 1983.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Otelo fala de Zeca
Otelo Saraiva de Carvalho só conheceu e deu um “abraço emocionado” a José Afonso depois do 25 de Abril de 1974, o golpe que quis que tivesse como senha uma “canção do Zeca”.
“Podia ser o ‘Venham mais cinco’ ou ‘Traz outro amigo também’. Acabou por ser a ‘Grândola’, porque as outras estavam no índex da censura”, recordou Otelo em entrevista à agência Lusa, em que fala sobre “o turbilhão de amizade” que o uniu ao cantor que o apoiou nas presidenciais de 1976 (e nas de 1980), quando teve 16,46%, mais do que Octávio Pato, apoiado pelo PCP. Foram as canções de Zeca e o seu génio a cantar “música de intervenção de caráter político” que o “estimularam enormemente” na sua consciencialização política (...)
Entrámos num turbilhão de amizade, de companheirismo muito grande”, lembrou, apelidando “o Zeca o irmão que gostaria de ter tido” e não teve.
“Foi uma grande campanha e sempre com o Zeca ao meu lado. Ele foi um companheiro notável”, sintetizou, afirmando que também o ouvia como conselheiro político. O próprio músico recorda, na entrevista para livro biográfico de José António Salvador “O Rosto da Utopia” (Edições Afrontamento): “As propostas de Otelo foram uma alternativa revolucionária praticável para este país. Podia ter sido um caminho para evitar que este país seja um porta-aviões do imperialismo americano, do subimperislismo europeu (sobretudo o alemão).”
O militar de Abril emociona-se ao recordar a última vez que esteve com José Afonso. Otelo estava preso em Caxias, em 1986, e o cantor, já muito doente, foi “despedir-se” de si, meses antes de morrer. Como o compositor de “Venham Mais Cinco” não podia subir ao parlatório, o diretor da prisão autorizou que fosse o militar a vir, a sentar-se num carro — ele e Zeca nos bancos da frente, as duas companheiras atrás. José Afonso, o cantor, tinha dúvidas se teria valido a pena “a luta” desde os tempos da ditadura, e achava que o seu trabalho musical iria ser esquecido.
“Aí, quase me exaltei. ‘Ó Zeca, pá, nunca digas uma asneira dessas. Tu foste um gajo notável e o que fizeste vai perdurar, pá, até ao fim do mundo'”, recordou. “Tu disseste profundamente às pessoas coisas, aquilo com que elas alimentaram uma esperança grande numa alteração, numa renovação, numa liberdade. Isso é inapagável, é inapagável'”, concluiu Otelo.
daqui:
http://observador.pt/2017/02/21/jose-afonso-foi-otelo-quem-escolheu-o-musico-para-cantar-senha-do-25-de-abril/
foto: Zeca na campanha de Otelo à Presidência em 1976
“Podia ser o ‘Venham mais cinco’ ou ‘Traz outro amigo também’. Acabou por ser a ‘Grândola’, porque as outras estavam no índex da censura”, recordou Otelo em entrevista à agência Lusa, em que fala sobre “o turbilhão de amizade” que o uniu ao cantor que o apoiou nas presidenciais de 1976 (e nas de 1980), quando teve 16,46%, mais do que Octávio Pato, apoiado pelo PCP. Foram as canções de Zeca e o seu génio a cantar “música de intervenção de caráter político” que o “estimularam enormemente” na sua consciencialização política (...)
Entrámos num turbilhão de amizade, de companheirismo muito grande”, lembrou, apelidando “o Zeca o irmão que gostaria de ter tido” e não teve.
“Foi uma grande campanha e sempre com o Zeca ao meu lado. Ele foi um companheiro notável”, sintetizou, afirmando que também o ouvia como conselheiro político. O próprio músico recorda, na entrevista para livro biográfico de José António Salvador “O Rosto da Utopia” (Edições Afrontamento): “As propostas de Otelo foram uma alternativa revolucionária praticável para este país. Podia ter sido um caminho para evitar que este país seja um porta-aviões do imperialismo americano, do subimperislismo europeu (sobretudo o alemão).”
O militar de Abril emociona-se ao recordar a última vez que esteve com José Afonso. Otelo estava preso em Caxias, em 1986, e o cantor, já muito doente, foi “despedir-se” de si, meses antes de morrer. Como o compositor de “Venham Mais Cinco” não podia subir ao parlatório, o diretor da prisão autorizou que fosse o militar a vir, a sentar-se num carro — ele e Zeca nos bancos da frente, as duas companheiras atrás. José Afonso, o cantor, tinha dúvidas se teria valido a pena “a luta” desde os tempos da ditadura, e achava que o seu trabalho musical iria ser esquecido.
“Aí, quase me exaltei. ‘Ó Zeca, pá, nunca digas uma asneira dessas. Tu foste um gajo notável e o que fizeste vai perdurar, pá, até ao fim do mundo'”, recordou. “Tu disseste profundamente às pessoas coisas, aquilo com que elas alimentaram uma esperança grande numa alteração, numa renovação, numa liberdade. Isso é inapagável, é inapagável'”, concluiu Otelo.
daqui:
http://observador.pt/2017/02/21/jose-afonso-foi-otelo-quem-escolheu-o-musico-para-cantar-senha-do-25-de-abril/
foto: Zeca na campanha de Otelo à Presidência em 1976
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Mulheres de Abril - Maria Vitória Vaz Pato
Eu sou natural do Porto, e aí fiz os meus estudos. A minha mãe, que se licenciara em Farmácia em 1928, era uma católica praticante, sem cultura política e, por isso, naturalmente receptiva à propaganda do regime de Salazar.
Data dessa época (anos 50) o início da minha crítica à Igreja, que culminou nos anos 70 por um processo de abandono da prática religiosa seguido, mais tarde, após madura reflexão, de uma rotura profunda com o conteúdo da fé cristã, seus dogmas, fundamentos, assim como posições político-sociais.
(...)
A minha casa passou a ser o local de compilação e armazenamento do “Direito à Informação” (1)
O trabalho durava até de madrugada, na sala, com as persianas e os cortinados fechados, para não se descobrir luz do exterior, e falávamos com discrição. Geralmente ouvíamos baixinho um disco “revolucionário” de 45 rotações, Zeca Afonso era o mais habitual. Estes discos eram habitualmente apreendidos pela PIDE nas discotecas, mas por “conhecimentos especiais” havia sempre um de nós a conseguir que um editor lhe “vendesse/cedesse um disco”. As editoras discográficas mantinham sempre escondido um stock de uns tantos discos que vendiam depois a pessoas de confiança. Rodávamos o disco até à exaustão e cantarolávamos baixinho: “Os vampiros - eles comem tudo, eles comem tudo...”
(1) - O conteúdo dos DI, (...) tinha como objectivo reunir e difundir informações que não apareciam nos jornais por serem cortadas pela censura, dando–se especial atenção às notícias sobre a luta anticolonial. Saíram 18 números de 1963 a 1968.
daqui:
http://www.esquerda.net/artigo/mulheres-de-abril-testemunho-de-maria-vitoria-vaz-pato/48379
Data dessa época (anos 50) o início da minha crítica à Igreja, que culminou nos anos 70 por um processo de abandono da prática religiosa seguido, mais tarde, após madura reflexão, de uma rotura profunda com o conteúdo da fé cristã, seus dogmas, fundamentos, assim como posições político-sociais.
(...)
A minha casa passou a ser o local de compilação e armazenamento do “Direito à Informação” (1)
O trabalho durava até de madrugada, na sala, com as persianas e os cortinados fechados, para não se descobrir luz do exterior, e falávamos com discrição. Geralmente ouvíamos baixinho um disco “revolucionário” de 45 rotações, Zeca Afonso era o mais habitual. Estes discos eram habitualmente apreendidos pela PIDE nas discotecas, mas por “conhecimentos especiais” havia sempre um de nós a conseguir que um editor lhe “vendesse/cedesse um disco”. As editoras discográficas mantinham sempre escondido um stock de uns tantos discos que vendiam depois a pessoas de confiança. Rodávamos o disco até à exaustão e cantarolávamos baixinho: “Os vampiros - eles comem tudo, eles comem tudo...”
(1) - O conteúdo dos DI, (...) tinha como objectivo reunir e difundir informações que não apareciam nos jornais por serem cortadas pela censura, dando–se especial atenção às notícias sobre a luta anticolonial. Saíram 18 números de 1963 a 1968.
daqui:
http://www.esquerda.net/artigo/mulheres-de-abril-testemunho-de-maria-vitoria-vaz-pato/48379
terça-feira, 30 de maio de 2017
Cantares - edição clandestina
Da 1ª edição clandestina - Edição SCIP - AAEE de Lisboa / A.E.I.S.T. - 1969
"Incontornável edição clandestina (esforço da vanguarda das associações de estudantes), substancialmente diferente da da Nova Realidade (Tomar, 1966), ganha a importância da perseguição movida contra tudo o que levasse a assinatura de Zeca Afonso. O regime fascista foi sempre muito claro em relação ao Autor de Grândola, Vila Morena: havia que silenciá-lo!"
daqui:
http://frenesilivros.blogspot.pt/2016/04/cantares.html
Menino do Bairro Negro
Nota: Embora as fotos apresentem meninos negros, a letra nada tem a ver com a negritude da pele como Zeca nos explica aqui:
«O conhecimento do Porto de todas estas realidades é que me deu o tema do – Menino do Bairro Negro – Expliquei mais tarde que negritude de que falava a canção, não dizia respeito à cor da pele, mas à condição de meninos explorados diagnosticados por José Castro no seu livro Geopolítica da Fome .»
Fotografias do moçambicano Ricardo Rangel
(as fotos, como refere Alexandre Pomar, teriam sido enviadas pelo Zeca de Lourenço Marques com a Autobiografia e as notas sobre os poemas)



"Incontornável edição clandestina (esforço da vanguarda das associações de estudantes), substancialmente diferente da da Nova Realidade (Tomar, 1966), ganha a importância da perseguição movida contra tudo o que levasse a assinatura de Zeca Afonso. O regime fascista foi sempre muito claro em relação ao Autor de Grândola, Vila Morena: havia que silenciá-lo!"
daqui:
http://frenesilivros.blogspot.pt/2016/04/cantares.html
Menino do Bairro Negro
Nota: Embora as fotos apresentem meninos negros, a letra nada tem a ver com a negritude da pele como Zeca nos explica aqui:
«O conhecimento do Porto de todas estas realidades é que me deu o tema do – Menino do Bairro Negro – Expliquei mais tarde que negritude de que falava a canção, não dizia respeito à cor da pele, mas à condição de meninos explorados diagnosticados por José Castro no seu livro Geopolítica da Fome .»
Fotografias do moçambicano Ricardo Rangel
(as fotos, como refere Alexandre Pomar, teriam sido enviadas pelo Zeca de Lourenço Marques com a Autobiografia e as notas sobre os poemas)



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