sábado, 25 de março de 2017

Cadói

"Em 1984, fiz um disco chamado “Cadói” e fui a Londres buscar uma viola ultra revolucionária que tinha um aspeto de metralhadora. Os meus amigos fizeram um ar crítico e assustado. Já o Zeca achou fascinante o design da viola. São pequenos exemplos para mostrar que o Zeca precisava da juventude, precisava de coisas novas. Para ele era importante conviver com o que acontecia."


Zeca no lançamento do disco Cádoi de Júlio Pereira, no Conservatório Nacional - Lisboa 1984

sexta-feira, 24 de março de 2017

Canção

Poema de Luís de Camões (modificado), musicado por Zeca Afonso e que nunca foi gravado.


terça-feira, 21 de março de 2017

4 de outubro de 1971

Zeca ia embarcar para Paris onde iria gravar nos estúdios do Castelo de Hérouville, onde entre outros ali gravaram os Pink Floyd, Elton John, David Bowie, Marvin Gaye, os Bee Gees e os bem portugueses Sérgio Godinho e os Petrus Castrus, o álbum "Cantigas do Maio". Foi interpelado no aeroporto pela PIDE/DGS, que lavrou um auto onde refere que «foi feita uma busca à bagagem do arguido (...) e finda ela, foi apreendido o seguinte livro com o título "TERRORISME ET COMMUNISME"; DUAS folhas de papel contendo a letra de uma canção, com o título "NA RUA ANTÓNIO MARIA", UMA folha com a letra de uma canção intitulada "Morte Clériga"; e UMA folha contendo apontamentos manuscritos que começam por "VEJAM BEM".»

Zeca foi preso e libertado dois dias depois.

«Fui interrogado pelo pide Inácio Afonso, um pide que se gabava de vários feitos ao dizer para os presos "com estas mãos matei 40". Interrogaram-me durante o dia sobre a distribuição do manual de guerrilha urbana. Depois libertaram-me. Imagina o estado de espírito com que finalmente consegui chegar a Paris. Ia muito afectado e foi essa condições que gravei o disco».

in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador.

O disco foi distinguido em 1978, como o melhor álbum de sempre da música popular portuguesa.

sexta-feira, 17 de março de 2017

8 de Agosto de 1968

José da Conceição, que tinha convidado Zeca para atuar na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense em 17 de maio de 1964, por razões de perseguição da PIDE, foi para Viana do Castelo. Convidou Zeca para atuar no Clube Fluvial Vianenense e foi a 6 de agosto desse ano que Zeca conheceu Manuel Freire que também tinha sido convidado. Rui Pato​ desta vez acompanhou Zeca Afonso (o que não tinha acontecido em Grândola).

A PSP como pidesca que também era, enviou um relatório à PIDE sobre a atuação, «que encerrava um fundo picante para o lado subversivo...» e sobre os cerca de 200 indivíduos «desafectos à actual situação política. A afluência destes indivíduos desafectos certamente deve-se ao facto dos fadistas (sic) em referência, serem já conhecidos nesta região»

Como nada conheciam sobre as letras dos temas que Manuel Freire e Zeca cantavam fizeram esta troca das letras nos temas do Zeca «Catarina do Alentejo que não te viu nascer mas há-de vir o dia que hás-de viver; Ó cavador do Alentejo que há muito tempo não te vi cantar"».

Reparar no traço a vermelho que assinala no texto o nome de Rui Pato e em baixo acrescentam no meio o "de Melo".

quinta-feira, 16 de março de 2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

VII Festival Internacional da Canção - Rio de Janeiro

José Afonso

«Levei "A morte saiu à rua" ao Maracanãzinho, procurando afirmar a mensagem política contida na canção. Foi um trabalho completamente inglório. Era o ambiente mais alienatório que tu podes conceber. O que vi nos bastidores foram coisas perfeitamente inconfessáveis. Foi o mais completo gangsterismo. Os prémios já estavam previamente estabelecidos. O americano tinha que ganhar, embora o americano fosse tão ingénuo que nem deu por isso.»

in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador

O que eu não sabia é que para além do Zeca esteve outro cantor português, Paulo de Carvalho (convidado pelo "Diário de Lisboa") com o "Maria, Vida Fria" de José Niza e Pedro Osório.

FASE INTERNACIONAL

Portugal: A MORTE SAIU À RUA (José Afonso) José Afonso
Portugal: MARIA, VIDA FRIA (José Niza/Pedro Osório) Paulo de Carvalho

Nem o Zeca nem o Paulo passaram à final.

Em imagens: O cartaz do Festival, o Maracanãzinho, o vencedor do certame (o americano), capa do disco do Paulo de Carvalho com o tema com que concorreu e Zeca com José Ribamar e Jackson do Pandeiro


O evento no Diário de Lisboa

I Encontro da Canção Portuguesa - Relatórios

O considerando do censor Moreira das Neves chamando a atenção que o espetáculo iria "oferecer" aborrecimentos pois as canções eram de carácter contestatário ou subversivo, e os relatórios dos PIDES presentes no evento.

De salientar a observação do fiscal que relativamente a Zeca disse:

"Quando José Afonso, que deve ser o mais "querido" daquele público especial de guedelhudos contestatários..."

Guedelhudos contestatários. Quem não fosse guedelhudo não era contestatário. Enfim! ...

Como todos sabemos o espetáculo esteve em vias de não se efetuar devido à entrega tardia das letras que podiam ser cantadas nesse concerto. Pelos vistos o fiscal que levou as letras não era de se apressar para estas coisas. Mas o espetáculo realizou-se e foi marcante na vida de todos os que a ele assistiram, não só pelo policiamento que houve fora do Coliseu, mas pelo ambiente que dentro se viveu e, como diz no recorte do jornal incluso:

"«Grândola, Vila Morena», foi cantada de pé, por todo o público. Cerca de cinco mil pessoas (...) fizeram estremecer o velho edifício das Portas de Santo Antão"