sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Carta

Carta que Zeca Afonso enviou a Rocha Pato (pai do viola Rui Pato que acompanhou Zeca durante anos), ao regressar de Moçambique em 1968. Sem emprego, expulso de várias escolas cá e em Moçambique e com 4 filhos...



(acervo/imagem de Rui Pato)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

'Tu Gitana'

'Tu Gitana' aparece na discografia de José Afonso como pertença do Cancioneiro de Vila Viçosa. Vila Viçosa nunca teve cancioneiro conhecido. Em Portugal há 4 Cancioneiros renascentistas:

Cancioneiro de Elvas, Cancioneiro de Lisboa, o Cancioneiro de Belém e o Cancioneiro de Paris.

Para além destes há os Cancioneiros medievais:

Cancioneiro da Vaticana, Cancioneiro Colocci-Brancuti (Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa) e o Cancioneiro da Ajuda.

'TU GITANA' faz parte do cancioneiro de Elvas (Tu gitana que adeuinas - século XVI), e é uma cantiga de autor desconhecido, do género vilancico (1)

É natural que durante os séculos seguintes este, e outros cancioneiros, se tenha dispersado pela península ibérica e daí advir a confusão deste tema ter origem em Vila Viçosa.

(original)

Tu gitana q̃ adeuinas,
me digas pues no lo sé
si saldré desta vẽtura,
ó si enella moriré.

No me niegues coſa alguna
De Quãtas me an de venir
Que no temo sino vna
Y desta no puedo huir.

Y pues sé que he de morir
Dime el quãdo por tu fé,
Que salir desta ventura,
Ya yo sé que no saldré.

Zeca Afonso altera a segunda quadra, criando uma nova.

Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo sê
Se saldré dessa aventura
Ô si nela moriré

Ô si nela perco la vida
Ô si nela triunfaré
Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo sé

(1) "Pode definir-se o vilancico primitivo como uma canção formada de pequenos textos poéticos (vilancetes) de frases curtas e de carácter estritamente popular e profano, musicados com melodias muito simples que o povo cantava nas ocasiões festivas e no seu quotidiano.
(Bessa, 2001:22).

Começou por se chamar “chansoneta”, nome que passou a coexistir com o de “vilancico” que lhe foi dado nos finais do século XV e a que se refere Juan del Enzina “y si tiene dos pies llamamosle también mote o villancico” (cit. in Pope, 1980: 767).

O termo “vilancico”, dado a uma canção em que o refrão era composto de dois ou três versos, provinha, no mais aceite sentido etimológico, de “vilhano” (Pope, 1980) – camponês em castelhano. A temática relaciona-se com elementos campesinos e profanos e, aquando do seu aparecimento nos finais do século XIII ou princípios do XIV, não indicava qualquer origem de índole religiosa.
Apesar das influências que recebeu doutras canções – zéjel árabe, virelai francês e balata italiana – não perdeu as características de genuinamente peninsular, conservando os sentimentos e simplicidade expressos no texto e na música, embora na estrutura muito se assemelhem.

O vilancico, simples, popular e profano, foi a canção escolhida pelo povo que a cantava e dançava nas romarias e preferido pelos nobres para animar os serões da corte e palácios.

Pelo sentido místico que adoptou, foi aproveitado pela Igreja acompanhando, durante o século XV, os autos religiosos, primeiro fora e, depois, dentro dos templos e toma lugar nos actos litúrgicos durante a reza das Matinas, apesar da grande oposição da Igreja conservadora."

Como sempre a igreja aproveita o sucesso do profano e transforma-o em religioso. Teria sido assim com a Saturnália, festa pagã do tempo do império romano, mais tarde integrada pela igreja nas comemorações natalícias.

fontes: http://alemtunas.blogspot.pt/2016/07/tu-gitana-origens-e-autores-do-tema.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cancioneiro_de_Elvas

http://www.cancioneros.si/mediawiki/index.php?title=Cancionero_Musical_de_Elvas

https://cipem.files.wordpress.com/2007/01/05-2003-5-vilancicos-portugueses-do-sc3a9culo-xiv-ao-xviii1.pdf



quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Elígeme

Elígeme - pequena sala de concertos em Madrid. (já não existe)

Homenagem a Zeca Afonso

"A propuesta de Luis Pastor, organizamos los lunes (segundas-feiras) de Zeca Afonso. El histórico artista portugués se debatía entre la vida y la muerte, aseguraban muchos que por culpa del aceite de colza. Sea como fuere estaba muy presente en la trayectoria artística y personal de Luis, y a los demás nos entusiasmó la idea. Así nacieron los lunes de Zeca Afonso, con la participación de muchos artistas, algunos fijos, como el propio Luis, Pablo Guerrero, Mosaico, etc., y otros que se acercaban algún día, como Amancio Prada, José Antonio Labordeta, Luis Eduardo Aute, Javier Ruibal, Chicho Sánchez Ferlosio, artistas portugueses invitados, Benedicto… En ese enero importante nos sacan en un estupendo reportaje en el dominical de Diario 16. Y es que la prensa nos hace mucho caso, la verdad es que nos mimaron durante toda la vida del Elígeme, como se puede apreciar en los recortes que conservo. Y aquí no hay presencia de radio, ni de televisión, que también hubo."

A Imprensa espanhola e portuguesa

ABC - 12-1-1987



El País - 12-1-1987


o "Se7e" - 18-2-1987

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Zeca Afonso e o Yé-Yé

Zeca refere ao batuque como uma referência musical o que não é de estranhar pois grande parte da vivência de Zeca foi em África, Angola primeiro e depois Moçambique. Em 1966 Zeca era professor em Lourenço Marques (Liceu António Enes), e depois foi transferido para a Beira (Liceu Pero de Anaia).

(temos que nos situar sempre no tempo em que estas declarações do Zeca foram feitas)

José Afonso, in "Plateia", 12 de Abril de 1966