Elígeme - pequena sala de concertos em Madrid. (já não existe)
Homenagem a Zeca Afonso
"A propuesta de Luis Pastor, organizamos los lunes (segundas-feiras) de Zeca Afonso. El histórico artista portugués se debatía entre la vida y la muerte, aseguraban muchos que por culpa del aceite de colza. Sea como fuere estaba muy presente en la trayectoria artística y personal de Luis, y a los demás nos entusiasmó la idea. Así nacieron los lunes de Zeca Afonso, con la participación de muchos artistas, algunos fijos, como el propio Luis, Pablo Guerrero, Mosaico, etc., y otros que se acercaban algún día, como Amancio Prada, José Antonio Labordeta, Luis Eduardo Aute, Javier Ruibal, Chicho Sánchez Ferlosio, artistas portugueses invitados, Benedicto… En ese enero importante nos sacan en un estupendo reportaje en el dominical de Diario 16. Y es que la prensa nos hace mucho caso, la verdad es que nos mimaron durante toda la vida del Elígeme, como se puede apreciar en los recortes que conservo. Y aquí no hay presencia de radio, ni de televisión, que también hubo."
A Imprensa espanhola e portuguesa
ABC - 12-1-1987
El País - 12-1-1987
o "Se7e" - 18-2-1987
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Zeca Afonso e o Yé-Yé
Zeca refere ao batuque como uma referência musical o que não é de estranhar pois grande parte da vivência de Zeca foi em África, Angola primeiro e depois Moçambique. Em 1966 Zeca era professor em Lourenço Marques (Liceu António Enes), e depois foi transferido para a Beira (Liceu Pero de Anaia).
(temos que nos situar sempre no tempo em que estas declarações do Zeca foram feitas)
José Afonso, in "Plateia", 12 de Abril de 1966
(temos que nos situar sempre no tempo em que estas declarações do Zeca foram feitas)
José Afonso, in "Plateia", 12 de Abril de 1966
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Zeca em 1974 na Fête de l'Humanité (Parc de la Courneuve) - França
(A Festa do Avante teve como modelo inspirador a Fête de l'Humanité" (criada em 1930), que também inspirou a italiana "Festa de ll'Unità" (criada em 1945 e que durou até 1991))
Em setembro de 1974 Zeca Afonso e Luís Cília são convidados a participar neste evento. Com nomes famosos como Leonard Cohen, o grupo The Kinks, a banda chilena Quilapayún, Míkis Theodorákis, o célebre compositor do tema para o filme Zorba, o Grego...
Não há referências nesta festa sobre a atuação do Zeca e do Luís Cília mas na altura foi lançado pelos "les communistes de l'ORTF (L'Office de radiodiffusion-télévision française)" o disco 'Chants De Lutte Et D'Espoir' com livreto, dividido por cantores e poetas de diversos países. Portugal está representado por Zeca com dois temas, o inevitável 'Grândola, Vila Morena' e 'Canta Camarada, Canta'.
O PCP esteve neste evento, como podemos ver nesta pequeno vídeo e a referência em comunicado, da presença do Zeca e Cília nesta festa.
Em setembro de 1974 Zeca Afonso e Luís Cília são convidados a participar neste evento. Com nomes famosos como Leonard Cohen, o grupo The Kinks, a banda chilena Quilapayún, Míkis Theodorákis, o célebre compositor do tema para o filme Zorba, o Grego...
Não há referências nesta festa sobre a atuação do Zeca e do Luís Cília mas na altura foi lançado pelos "les communistes de l'ORTF (L'Office de radiodiffusion-télévision française)" o disco 'Chants De Lutte Et D'Espoir' com livreto, dividido por cantores e poetas de diversos países. Portugal está representado por Zeca com dois temas, o inevitável 'Grândola, Vila Morena' e 'Canta Camarada, Canta'.
O PCP esteve neste evento, como podemos ver nesta pequeno vídeo e a referência em comunicado, da presença do Zeca e Cília nesta festa.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Edições 1953 - capas
Os primeiros discos de José Afonso.
- Contos Velhinhos
- Incerteza
- Fado das Águias
- O Sol Anda Lá No Céu
- Contos Velhinhos
- Incerteza
- Fado das Águias
- O Sol Anda Lá No Céu
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Quinta das Torres - Vila Nogueira de Azeitão
Local onde foi gravado o videoclipe 'Saudades de Coimbra' com Octávio Sérgio e Durval Moreirinhas para a RTP em 1981.
Foi há 35 anos. Ainda lá está, para além da fonte, o lago e o banco de jardim onde foram tiradas as fotos.
Foi há 35 anos. Ainda lá está, para além da fonte, o lago e o banco de jardim onde foram tiradas as fotos.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
«A SUPERSTIÇÃO DE AMÉRICO TOMÁS»
(ou, "Encontro Imprevisto com Zeca Afonso)
---- in "CONTOS & NARRATIVOS DO INSÓLITO"
(...)
O empregado apagara algumas luzes. Aos fundos, na semiobscuridade, dois clientes e duas canecas de cerveja. Sentei-me num tamboril, ao balcão. Desses fundos, interpelaram:
--- Já não se fala aos amigos, pá!
Era o Zeca Afonso. Eu abalara de Coimbra, 1955. Anos mais tarde, encontrara o Zeca em S. Marçal, próximo às instalações da EN, Serviço Ultramarino. A notícia, Salazar caíu da cadeira, assunto entre sílabas: «Os proselitismos, canga a amochá-lo». Agora, no “Paquito”. Levantou-se. Sorriso esplendente, como sempre. O sorriso de há vinte anos:
--- Que fazes, pá? --- Tirara os óculos. Demos um abraço.
--- E tu?
--- Troco as voltas à PIDE, em semiclandestinidades, ---respondeu, melancólico e suave, um dos traços mais vincados da sua sociabilidade inata.
Três dias antes do 1º de Maio, a PIDE montava discreto resguardo aos metros quadrados da permilagem da sua residência, em Setúbal. Um dos agentes chincava a aldraba:
--- Um autógrafo, senhor doutor.
Para a filha. Amiga ou amante. Para a mulher, que a calidez da voz nas “Serenatas de Coimbra”, enraizada em romantismos, a cada mergulho feminino ao ego e às memórias, esplendia à tona:
--- O doutor sabe! --- mas, tão-só, a certificarem que estava em casa e não se pisgaria por clarabóia e telhados, como nas demais vezes. Ai dele! Nem alma, nem memórias de fados e cantares, coiro a apodrecer de vez em Caxias, se lhe aproveitariam.
Respondi:
--- Ultimo a montagem de um equipamento de tradução simultânea. Um Simpósio a inaugurar pelo Américo Tomás, na Gulbenkian.
Zeca Afonso largou uma gargalhada. A de sempre, em momentos de chalaça ou eclosão política:
--- Cuida-te com o champanhe, pá!
--- Ainda te lembras?
(...)
Peguei, então, uma garrafa de champanhe pelo gargalo (deve ter sido o único barco navio (“Capitão José Vilarinho”), até aos hojes, benzido duas vezes e baptizado com duas garrafadas de champanhe) a filha do Tomás a avisar: «Parecem de ferro, força!» e, de um golpe, estilhacei-a no anteparo do palanque. O champanhe derramou-se, salpicou as fímbrias arcebispais, molhou as botinhas rouge, alagoou parte do palanque, Gertrudes aos gritinhos e, por buraco na sola da bota, encharcou-me o coturno: a cada passada, chloque, chloque, os chloques eram motivo ao Américo Tomás, que coçava o nariz. O Neves, em surdina, caçoou: «Bebes champanhe pelos pés, heim!»
(...)
À noite, na gravação “Serenata de Coimbra” a incluir na grelha de programas, mensalmente, o Brojo e o António Portugal no naipe de guitarras e violas, contei o acontecido ao Zeca Afonso, que mangou:
--- Eh, pá! Além de ajudares a dar de comer a um milhão de portugueses, até no buraco da bota és discípulo de Salazar, pá!
(...)
Quisera conversar, de novo, com o Zeca: falarmos da eternidade do pavio e das superstições do Tomás. Mas só o encontrei no último refluxo: o da sua morte, funeral a que o Cavaco Silva, então Primeiro-Ministro, não só não se dignou, como proibiu ministros e secretários de Estado de se dignarem: ateísta e comunista, não é digno!
Ah! Zeca! Os meus olhos aguados, alimentei-os com a poesia dúctil, concreta e ácera dos teus cantares, e alimentá-los-ei até aos ocasos na curvatura da esperança.
Afonso Henriques Ferreira
Daqui:
https://www.facebook.com/afonso.ferreira.9231/posts/334823846678065?__mref=message_bubble
O Livro
---- in "CONTOS & NARRATIVOS DO INSÓLITO"
(...)
O empregado apagara algumas luzes. Aos fundos, na semiobscuridade, dois clientes e duas canecas de cerveja. Sentei-me num tamboril, ao balcão. Desses fundos, interpelaram:
--- Já não se fala aos amigos, pá!
Era o Zeca Afonso. Eu abalara de Coimbra, 1955. Anos mais tarde, encontrara o Zeca em S. Marçal, próximo às instalações da EN, Serviço Ultramarino. A notícia, Salazar caíu da cadeira, assunto entre sílabas: «Os proselitismos, canga a amochá-lo». Agora, no “Paquito”. Levantou-se. Sorriso esplendente, como sempre. O sorriso de há vinte anos:
--- Que fazes, pá? --- Tirara os óculos. Demos um abraço.
--- E tu?
--- Troco as voltas à PIDE, em semiclandestinidades, ---respondeu, melancólico e suave, um dos traços mais vincados da sua sociabilidade inata.
Três dias antes do 1º de Maio, a PIDE montava discreto resguardo aos metros quadrados da permilagem da sua residência, em Setúbal. Um dos agentes chincava a aldraba:
--- Um autógrafo, senhor doutor.
Para a filha. Amiga ou amante. Para a mulher, que a calidez da voz nas “Serenatas de Coimbra”, enraizada em romantismos, a cada mergulho feminino ao ego e às memórias, esplendia à tona:
--- O doutor sabe! --- mas, tão-só, a certificarem que estava em casa e não se pisgaria por clarabóia e telhados, como nas demais vezes. Ai dele! Nem alma, nem memórias de fados e cantares, coiro a apodrecer de vez em Caxias, se lhe aproveitariam.
Respondi:
--- Ultimo a montagem de um equipamento de tradução simultânea. Um Simpósio a inaugurar pelo Américo Tomás, na Gulbenkian.
Zeca Afonso largou uma gargalhada. A de sempre, em momentos de chalaça ou eclosão política:
--- Cuida-te com o champanhe, pá!
--- Ainda te lembras?
(...)
Peguei, então, uma garrafa de champanhe pelo gargalo (deve ter sido o único barco navio (“Capitão José Vilarinho”), até aos hojes, benzido duas vezes e baptizado com duas garrafadas de champanhe) a filha do Tomás a avisar: «Parecem de ferro, força!» e, de um golpe, estilhacei-a no anteparo do palanque. O champanhe derramou-se, salpicou as fímbrias arcebispais, molhou as botinhas rouge, alagoou parte do palanque, Gertrudes aos gritinhos e, por buraco na sola da bota, encharcou-me o coturno: a cada passada, chloque, chloque, os chloques eram motivo ao Américo Tomás, que coçava o nariz. O Neves, em surdina, caçoou: «Bebes champanhe pelos pés, heim!»
(...)
À noite, na gravação “Serenata de Coimbra” a incluir na grelha de programas, mensalmente, o Brojo e o António Portugal no naipe de guitarras e violas, contei o acontecido ao Zeca Afonso, que mangou:
--- Eh, pá! Além de ajudares a dar de comer a um milhão de portugueses, até no buraco da bota és discípulo de Salazar, pá!
(...)
Quisera conversar, de novo, com o Zeca: falarmos da eternidade do pavio e das superstições do Tomás. Mas só o encontrei no último refluxo: o da sua morte, funeral a que o Cavaco Silva, então Primeiro-Ministro, não só não se dignou, como proibiu ministros e secretários de Estado de se dignarem: ateísta e comunista, não é digno!
Ah! Zeca! Os meus olhos aguados, alimentei-os com a poesia dúctil, concreta e ácera dos teus cantares, e alimentá-los-ei até aos ocasos na curvatura da esperança.
Afonso Henriques Ferreira
Daqui:
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