"A margem sul (entenda-se: do Tejo) era um terreno minado de cumplicidades subterrâneas. O conceito era mais político do que geográfico e, por isso, incluo nele, por minha conta, o Alentejo... com as suas cores dominantes, o verde e loiro dos sentidos (conforme as estações), o vermelho das convicções.
Rui Pato conta, em saborosas lembranças, como se metiam no comboio, Zeca e ele (mais as violas), e viajavam de borla, tendo a pairar sobre as cabeças, como um possível diadema, o beneplácito dos revisores que passavam de uns para aos outros a senha de salvo-conduto. Às vezes por conta da cumplicidade tácita e oculta, traziam de volta propaganda clandestina. Foi assim que em 1967, alguém se achegou a Rui Pato e, à socapa, lhe meteu nas mãos um rolo de exemplares de um jornal cubano que noticiava a morte de Che Guevara (9 de outubro de 1967). - «Para distribuir em Coimbra, camarada», murmurou a voz anónima."
in "José Afonso - Um Olhar Fraterno" de João Afonso dos Santos
sábado, 22 de outubro de 2016
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Casa do Zeca em Monsanto
O irmão João Afonso refere no seu livro "Um olhar fraterno" que Zeca a tinha comprado por 10 contos mas não chegara a lá viver pois a casa já nessa altura não tinha condições de ser habitada. Zeca nunca a recuperou e não chegou a mudar o registo para o seu nome.
1969 - "No decurso da peregrinação Zeca faz o único negócio que se lhe conhece da sua iniciativa. Compra por 10 contos, mediante ajuste verbal e entrega de dinheiro, uma casa tosca e exígua em plena aldeia de Monsanto (sem transmissão de jure)."
Dizia Zeca sobre a razão da compra da casa:
"Porque às vezes é preciso pôr lá fora alguns camaradas e vai servir para os esconder e passarem para Espanha."
A Câmara de Idanha-a-Nova intervenciona recuperando o imóvel por apresentar condições de risco.
No dia 27 de abril de 2014 é descerrada uma placa na casa do Zeca como documenta o plano das Festas.
A intenção era transformar esse espaço em uma casa-museu dedicada ao cantor mas pelo que se vê, nas fotos, não será tão cedo que essa vontade se torne realidade.
Fotos:
Alexandra Cidades
Fátima Régio
1969 - "No decurso da peregrinação Zeca faz o único negócio que se lhe conhece da sua iniciativa. Compra por 10 contos, mediante ajuste verbal e entrega de dinheiro, uma casa tosca e exígua em plena aldeia de Monsanto (sem transmissão de jure)."
Dizia Zeca sobre a razão da compra da casa:
"Porque às vezes é preciso pôr lá fora alguns camaradas e vai servir para os esconder e passarem para Espanha."
A Câmara de Idanha-a-Nova intervenciona recuperando o imóvel por apresentar condições de risco.
No dia 27 de abril de 2014 é descerrada uma placa na casa do Zeca como documenta o plano das Festas.
A intenção era transformar esse espaço em uma casa-museu dedicada ao cantor mas pelo que se vê, nas fotos, não será tão cedo que essa vontade se torne realidade.
Fotos:
Alexandra Cidades
Fátima Régio
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Alfredo de Matos - Por trás daquela janela - manuscrito.
"A 22 de Julho de 1970, Zeca dedicou-me Por Trás Daquela Janela, Poema, por si criado e manuscrito, que posteriormente mo entregou.
Estava eu, então, preso no Forte de Caxias. Foi em Maio daquele ano, no dia 3, que a PIDE assaltou, simultaneamente, no Distrito de Setúbal, de madrugada, oito casas, prendendo oito cidadãos: quatro, em Setúbal – Carlos Lopes, António Gonçalves, Fernando Carlos e Zacarias Fernandes. Um, na Moita – Staline Rodrigues. Um, em Alhos Vedros – Leonel Coelho. Dois, no Barreiro – Álvaro Monteiro e Alfredo de Matos."
Imagens:
Alfredo de Matos na época e o manuscrito do poema
Estava eu, então, preso no Forte de Caxias. Foi em Maio daquele ano, no dia 3, que a PIDE assaltou, simultaneamente, no Distrito de Setúbal, de madrugada, oito casas, prendendo oito cidadãos: quatro, em Setúbal – Carlos Lopes, António Gonçalves, Fernando Carlos e Zacarias Fernandes. Um, na Moita – Staline Rodrigues. Um, em Alhos Vedros – Leonel Coelho. Dois, no Barreiro – Álvaro Monteiro e Alfredo de Matos."
Imagens:
Alfredo de Matos na época e o manuscrito do poema
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Zeca Afonso na Falagueira
Zeca Afonso por Odeith no âmbito da segunda edição do "Conversas na Rua" com o apoio da Câmara Municipal da Amadora.
Local: Rua António Duarte Caneças
Graffiti: Odeith
Fotografia (de 7 a 12out2016):
Catarina Martins
Mário Lima
Música:
"Traz Outro Amigo Também" de José Afonso
Montagem:
Mário Lima
Obra realizada entre 7 a 11 de outubro de 2016
Local: Rua António Duarte Caneças
Graffiti: Odeith
Fotografia (de 7 a 12out2016):
Catarina Martins
Mário Lima
Música:
"Traz Outro Amigo Também" de José Afonso
Montagem:
Mário Lima
Obra realizada entre 7 a 11 de outubro de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)













