terça-feira, 23 de agosto de 2016

Censura em Portugal

Metáforas

Para contornar a censura, alguns autores começaram a usar termos metafóricos: em vez de Socialismo, escreviam "Aurora", em vez de Revolução, escreviam "Primavera", em vez de Polícia, "Vampiro", o que tinha o condão de tornar muita da prosa que se escrevia em textos poéticos que alguns recordam, paradoxalmente, com nostalgia. Um poema de David Mourão Ferreira, celebrizado por Amália Rodrigues como o "Fado de Peniche" termina com "Ao menos ouves o vento! - Ao menos ouves o mar", sendo todo o poema uma referência ao sofrimento dos presos políticos no Forte de Peniche à beira mar, que sofriam por vezes em situações de extrema angústia e de tortura.

Conta-se, que o célebre refrão das Janeiras (como a versão "Natal dos Simples" de Zeca Afonso): "Pam, pa ra ri ri, Pam, pa ra ri ri, Pam, pam, pam..." era por vezes cantado, em concertos como "Vão parar à PIDE, vão parar à PIDE, vão, vão, vão...", o que terá ocasionado situações cómicas como a de um censor que se juntou ao coro subversivo, julgando cantar apenas uma simples canção popular, e que depois foi severamente repreendido, na sua inocência, pelos superiores.

Natal dos Simples foi um verdadeiro sucesso, sendo uma das raras composições de José Afonso que tinham direito a transmissão na rádio portuguesa, apesar do disco ter sido proibido pela Emissora Nacional.

fonte: wikipédia


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"Milho Verde"

Para quem tiver este registo em DVD agradecia o contacto.

"A edição do DVD, quase pronta, reunirá, segundo a editora que a preparou (a Costa do Castelo), mais uma hora de extras à gravação do concerto tal como foi difundido pela RTP, também com 60 minutos (terá sido impossível uma remontagem, para ampliação, do material original). Serão sete extras, no total, todos dos arquivos da RTP: uma participação do cantor no programa Lugar de Exílio, em Maio de 1980, onde fala, da sua vida e carreira, e canta, acompanhando-se à viola (a gravação é a cores); uma espécie de teledisco gravado numa quinta de Azeitão, 1981, com a canção "Saudades de Coimbra"; imagens do 25 de Abril com "Grândola Vila Morena" em fundo; e vários registos a preto e branco, dele a cantar: "Os vampiros"; "Menino do bairro negro" na série Coimbra Musical, em 1978; "Os fantoches de Kissinger", na série Pifelin, 1975; "Milho Verde", num dueto com o cantor francês Georges Moustaki, 1975; e um registo do I Encontro Livre da Canção Portuguesa, no Palácio de Cristal do Porto, logo a seguir ao 25 de Abril (na noite de a 3 de Maio de 1974), ele e outros cantores a entoarem juntos "Venham mais cinco". "

daqui:

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/zeca-afonso-nasceu-ha-75-anos-1200369

Zeca Afonso com Georges Moustaki nos anos 70.



terça-feira, 2 de agosto de 2016

87 anos

«Dores, felicito-te pela relativa facilidade do parto e por teres presenteado teu marido com um varão que cumpre lhe prolongue o nome. Remeto-te 200$00 para comprares dez galinhas. Crescendo alguma coisa, compra-lhe um carapuço.» (1)

Assim rezava a missiva enviada pelo inspetor Cerqueira (pai da mãe do Zeca) aquando do nascimento não de Zeca mas sim do irmão João ocorrido em 1927.

Zeca não teria a mesma sorte de ter pelo menos um carapuço quando nasce a 2 de agosto de 1929, quase dois anos depois do irmão João, pois o avô Cerqueira iria falecer sem ter visto o nascimento do novo neto.

Zeca nasceria na Freguesia de Glória, em Aveiro, na "parte da cidade voltada para o realismo e para o mar", no piso superior do que foi a escola infantil, por essa altura a cargo da mãe (Maria das Dores Dantas Cerqueira) directora da escola. Essa casa já não existe.

Hoje, se Zeca fosse vivo, faria 87 anos.

Parabéns Zeca estejas onde estiveres.

(1) - "Um Olhar Fraterno" de João Afonso dos Santos



segunda-feira, 18 de julho de 2016

"Fado Excursionista"

"Fado Excursionista" do LP "Um Homem No País" - 1983

Fado interpretado por Carlos do Carmo e musicado por José Afonso.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Viva o Poder Popular

Disco original editado pela LUAR em 1975, "Viva o Poder Popular" é, claramente, um manifesto cantado em defesa de ideais de soberania popular: “Dêm as pipas ao povo só ele as sabe guardar”; de união e de revolução, “Não tenhas medo da morte que daqui ninguém arreda”; e, também, de crítica aos “barões de vida boa”, aos “caciques” e aos “bufos”, à palavra socialismo que “de colarinho à sueca” anda “sempre muito aperaltada”. (1)

"Viva o Poder Popular" foi regravado no LP "Enquanto Há Força" (1978) com uma nova "roupagem" musical.

«Foi na cidade do Sado», lado B deste disco, fez parte da 2ª edição do álbum «República» gravado em Roma (a 1ª edição foi gravada em 30 de Setembro e 1 de Outubro de 1975), substituindo o tema "Foi no Sábado Passado".

«Foi na cidade do Sado» descreve os incidentes ocorridos em Setúbal a 7 de Março de 1975, durante um comício do PPD, e dos quais resultaram um morto. «E o PPD era a CIA», diz a certa altura.

Este disco tem como acordeonista Dimas Pereira (já falecido), militante comunista, facto que não o impediu de gravar esta edição da LUAR.

Disse em 2007 Dimas Pereira:

"A minha coroa de glória foi ter gravado com o Zeca"

(1) - AJA