quarta-feira, 23 de março de 2016

«Tinha mesmo vontade de cantar»

"Em Coimbra, ninguém sabe quando é que começou a cantar. Qualquer tipo que tivesse um bocado de voz, pouca ou nenhuma era imediatamente agarrado àqueles grupos que tu conheceste de serenatas. (...) Havia um mecanismo muito interessante, não sei se vem da burguesia ou se vem da nobreza, quando um indivíduo estava interessado por uma rapariga (...) convidava o amigo que sabia cantar. E esse sujeito, depois, fazia a homenagem amorosa, mandatado pelo outro. Era muito frequente. Em parte, nessas serenatas, a incumbência que me era atribuída era essa... de adoçar o indivíduo para a dama dos seus sonhos"


Entrevista de José A. Salvador (na foto) a Zeca Afonso.

quinta-feira, 10 de março de 2016

"Estórias" ao acaso

Zeca em Braga

"Certa vez, num 28 de maio, o Zeca foi a Braga, integrado numa delegação de estudantes de Coimbra - os transportes e a bucha, para tais eventos eram de borla.
Grande manifestação ao Marechal Carmona, que a Propaganda sugeria como o "avozinho da Pátria" (o "pai" era Salazar:casado com a Nação). Às tantas, na euforia preparada, o "avozinho" é arrebatado ao protocolo e erguido, bem ao alto, pelos estudantes, entre eferreás!
Zeca no dia seguinte, chegou às aulas ainda emocionado: tinha participado na elevação. Que gozo! "Ó Zeca, não laves essas mãos que estão bentas de lhe tocarem!" dizíamos nós. Anos mais tarde, quando se lhe falava do assunto - "Ó Zeca, e quando andaste com o Carmona ao colo?!" - nem queria crer." (1)

Zeca no Casino Afifense

"A prisão de Gungunhana foi pretexto para um baile grandioso, mas, em 1969, em plena greve de estudantes de Coimbra, José Afonso veio ao casino cantar Os Vampiros, com uma guarda de sete pides à porta. Camilo Ramos, então estudante de Direito em Coimbra, e um dos mentores da iniciativa, foi chamado à polícia sob suspeita de ter canalizado dinheiro para os grevistas a coberto do cachet de oito contos do Zeca." (2)

Na mesma altura Zeca atuou no Monte de Santo António (Afife), que coincidiu com o dia em que o homem pisou o solo lunar e por tal vieram ver esse passo importante à televisão do Casino. Então Camilo Ramos e o José Avelino, contaram como funcionava a associação (Associação do Casino Afifense) e que os sócios pagavam uma quota. E este admirado frisou, que só pelo facto de se pagar uma quota em altura de pouco dinheiro, era muito bom." (3)

Num artigo de Paulo Moura na revista do jornal Público (26fev2006) vem esta prosa sobre a capacidade do Zeca se esquecer das coisas mais elementares:

“No dia combinado, nos finais de Janeiro de 1974, Zeca saiu de casa e esqueceu-se da guitarra. Voltou para a ir buscar e saiu de novo mas esqueceu-se das letras das canções. Voltou a casa. Saiu mas esqueceu-se do passaporte. Voltou e saiu de novo. Zélia [a mulher] levou-o à estação”. (4)

(1) - António dos Santos e Silva - Zeca Afonso antes do mito
(2) - http://www.publico.pt/portugal/noticia/um-casino-na-aldeia-1703020
(3) - http://afifedigital.blogs.sapo.pt/118752.html
(4) - http://industrias-culturais.blogspot.pt/2006/02/pgina-ao-lado-i-na-sua-coluna-de-hoje.html

Foto: Edição espanhola do álbum "Com as Minhas Tamanquinhas" - 1977

terça-feira, 8 de março de 2016

8 de março - Dia Internacional da Mulher

Músicas de José Afonso tendo a Mulher como tema principal.



Zeca Afonso, Carlos Paredes e Mário Viegas participaram na Cooperativa Árvore no Porto em 8 de março de 1969

Fotos de Teodósio Dias.


Fotos de Sérgio Valente

domingo, 28 de fevereiro de 2016

«José Afonso a partir de Coimbra»

1ª parte do evento «José Afonso a partir de Coimbra», do Núcleo AJA Coimbra - Associação José Afonso, realizado no dia 13 de Novembro de 2015.




2ª parte



terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Rui Pato - O Zeca que eu conheci

Foi assim, que o vi pela primeira vez…era assim que ele era em 1962…ele com 33 eu com 16 anos e assim nos encontrámos para sete anos de cumplicidade “em tempos de escuridão”. Ninguém o conhecia a não ser os amigos de Coimbra; ninguém , em qualquer parte, sabia quem ele era… Ninguém, nesta altura, se interessava pelo seu pensamento, pela sua música, pelos seus poemas…não era herói, longe ainda do “mito”. Tinha imensas contradições, tinha medo, gozava com os mitos, com “os monstros sagrados”, como ele dizia ; era, apenas, um artista, poeta, músico, um homem muito bom, um homem de esquerda, vulgar, um pouco bizarro, utópico,por vezes ingénuo,… muito incompreendido, sem ter quem o apoiasse; de 62 a 67…quase no limiar da miséria; Havia quem tivesse medo de nos ir ouvir…ele era "perigoso"… O resto da história dele, vocês sabem; este bocado é que, por certo, já não se lembram…

ERA O ZECA...é hoje o aniversário da sua morte.


Rui Pato


Foto de Rocha Pato pai do Rui.

Esta foto foi capa da 2ª edição do livro "Cantares de José Afonso"

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Rui Pato - "cábulas" do Zeca

Quando o Zeca ainda tinha a memória conservada, não necessitava de ler as letras das canções enquanto cantava. Bastava-lhe ter o primeiro verso de cada quadra...

Aqui, vai uma dessas "cábulas" , escrita pelo punho dele, de um espectáculo em meados dos anos 60, que encontrei hoje aqui pelo sótão.