sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Zeca e as Autárquicas de 1976

Em 12 de dezembro de 1976 Zeca Afonso participa nas eleições autárquicas como cabeça de lista para a Assembleia Municipal de Setúbal, nas listas do GDUP's (Grupos Dinamizadores de Unidade Popular) da qual saiu vencedora a FEPU (Frente Eleitoral Povo Unido), seguido do PS.

O GDUP foi a terceira força mais votada (ficou à frente do PPD/PSD), mas não elegeu qualquer vereador.

Das listas constava como cabeça de lista para a presidência da Câmara Municipal Acácio Barreiros da UDP com quem Zeca estava incompatibilizado. Pelo comentário colocado no jornal "Página Um", houve uma carta de Zeca contestando esse facto.

A fraca votação do GDUP's nos círculos onde tinha concorrido e as divergências dentro do grupo fizeram com que o partido cessasse a sua atividade em 1977.


... se este leitor era contra a tomada de posição do Zeca


... este era a favor!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Tropeçando" na história.

Zeca no Jornal "Página Um"


O projeto deste jornal surgiu após o 25 de novembro de 1975. Foi em maio de 1976 que saiu o nº 0. Jornal diário tinha como diretor Jorge Fagundes, advogado, que defendeu presos políticos durante a ditadura, como Saldanha Sanches, Carlos Antunes ou Isabel do Carmo.

Jornal próximo do PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) teve uma ação preponderante na candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho (que Zeca apoiou nas presidenciais de 1976 e 1980) e propunha ser um espaço de liberdade e um instrumento de resistência e de força para os que se consideravam vencidos no 25 de novembro. O último número seria publicado a 21 de dezembro de 1978, tendo até essa data saído 256 exemplares.

Nestes 100 primeiros nºs podem-se ver fotos do Zeca de apoio a Otelo, entrevistas, participações em cantos livres e até uma chamada para declarações na PJM sobre o 25 de novembro.

Fonte:

http://citizengrave.blogspot.pt/2012/05/coisas-boas-em-jornais-cronicas-de-luis.html

Vitorino

«Um dia em que a televisão transmitia um debate entre Soares e Cunhal (6 de Novembro de 1975), fui cantar com o Zeca a um quartel de Setúbal, onde os oficiais se enfiaram na respectiva sala como se estivessem num "ghetto" e os soldados a ouvirem a malta cantar. Cantámos também no quartel de Queluz, e em outros onde se verificou sempre uma grande participação. Eram sessões muito vivas. O Zeca fazia intervenções de carácter político-pedagógico. Tudo isso nos exigia um grande esforço físico, pois actuámos muitas vezes sem meios técnicos de apoio às vozes e aos instrumentos. (...) Na cooperativa Pôr do Sol, em Reguengos, no mês de Outubro de 74, fomos lá. Já fazia frio, era de noite, os camponeses acenderam uma fogueira e puseram-se à volta dela. Parecia uma cena medieval. Cantámos em cima de um reboque de um tractor. Depois os alentejanos, em coro, cantaram para nós. Foi lindíssimo.»


in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador


Foto: Pintinhas, Vitorino, Fausto e José Afonso no 1º de Maio de 1977 no Porto.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Serenata na Figueira da Foz

O Manel Nemésio namoriscava uma moça que vivia na Figueira e a quem quis presentear com uma serenata. Falou ao Camacho e ao Zeca (dos tocadores já não me lembro) e lá viemos de comboio, no fim de jantar, numa daquelas carruagens duras, de terceira classe, a ensaiar os fados e a acertar os tons. Chegámos, com atrasos e transbordos, pouco faltava para a meia-noite. (...) era uma suave noite de Outono.

A moça vivia perto do Jardim, numa casa virada para o rio. Os tocadores sentaram-se no chão, os cantores atrás, em pé. Ensaiaram-se os primeiros harpejos; a moça, entre cortinas, acendeu e apagou a luz várias vezes...

Ia começar! Mas eis que, das sombras do Jardim, sai um polícia barafustante: "É proibido fazer barulho na via pública depois da meia-noite! Tocà desandar!"

Temi o pior - o Zeca era um antipolícia primário.

Com muita conversa e apelos ao coração, lá conseguimos comover a autoridade. "Bom, eu vou pràquele lado e finjo que não oiço. Mas só vos dou meia hora"

Finalmente começou a serenata.

O Camacho e o Zeca, naquele cenário novo de lua derramada sobre o mar, deram o seu melhor... E o polícia não voltou a aparecer: talvez estivesse ouvindo, também por detrás das árvores do Jardim.

Regressámos alta madrugada. O céu começava a clarear quando chegámos à Estação Nova. No topo da colina, a Torre destacava-se...

A vida era bonita, o futuro longínquo e real o amor.


in Zeca Afonso antes do mito - António dos Santos Silva.

Foto: João Afonso dos Santos à esquerda, o tio Filomeno ao centro e Zeca à direita na praia da Figueira da Foz, local onde a família passava sempre as férias.


domingo, 3 de janeiro de 2016

Digressão - Suécia e Alemanha

José Niza

«Em 1962 (ou seria em 1963?), um estudante de Coimbra ir à Suécia, não era como hoje "vou-ali-já-venho", era qualquer coisa. (...) O objectivo da viagem era uma actuação no maior acontecimento mundano e social da Escandinávia, a Gala dos Reais Clubes Suecos, com a presença da família real e mais oitocentos convidados.

(devido a um carregamento que levavam para a Embaixada Portuguesa em Estocolmo de filigranas em ouro que desconheciam, estiveram detidos no aeroporto de Genebra cerca de três horas).

De regresso a Portugal, passámos ainda por Frankfurt para fazer um programa na televisão alemã (onde gravaram o "Menino d'Oiro" e "Vira de Coimbra"). Tudo correu bem. E, no final, o realizador perguntou-nos se queríamos ver o programa. «Ver o programa? Mas como? Já revelaram o filme?» - perguntei eu, desconfiado.

Mal sabíamos nós que tínhamos inaugurado a era do vídeo, coisa que em 1962 (1963) e em Portugal nem sequer se falava.

Fim de citação

Fonte:

In José Afonso, edição Movieplay Portuguesa, S.A. - José Niza

Nesta viagem à Suécia foram (da esquerda para a direita):

Gouveia e Melo, a fadista lisboeta Esmeralda Amoedo, José Afonso, José Niza, Durval Moreirinhas, Jorge Godinho e Adriano Correia de Oliveira.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Vira de Coimbra

Este "Vira de Coimbra" é o registo mais antigo que se conhece de Zeca Afonso (o outro é o Menino d'Oiro, gravado na mesma altura).

Gravado na TV em Frankfurt em 1963, o que aconteceu após uma digressão à Suécia onde, para além dos que constam neste vídeo, fizeram parte o Adriano Correia de Oliveira e a fadista lisboeta Esmeralda Amoedo.