Zeca no Jornal "Página Um"
O projeto deste jornal surgiu após o 25 de novembro de 1975. Foi em maio de 1976 que saiu o nº 0. Jornal diário tinha como diretor Jorge Fagundes, advogado, que defendeu presos políticos durante a ditadura, como Saldanha Sanches, Carlos Antunes ou Isabel do Carmo.
Jornal próximo do PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) teve uma ação preponderante na candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho (que Zeca apoiou nas presidenciais de 1976 e 1980) e propunha ser um espaço de liberdade e um instrumento de resistência e de força para os que se consideravam vencidos no 25 de novembro. O último número seria publicado a 21 de dezembro de 1978, tendo até essa data saído 256 exemplares.
Nestes 100 primeiros nºs podem-se ver fotos do Zeca de apoio a Otelo, entrevistas, participações em cantos livres e até uma chamada para declarações na PJM sobre o 25 de novembro.
Fonte:
http://citizengrave.blogspot.pt/2012/05/coisas-boas-em-jornais-cronicas-de-luis.html
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Vitorino
«Um dia em que a televisão transmitia um debate entre Soares e Cunhal (6 de Novembro de 1975), fui cantar com o Zeca a um quartel de Setúbal, onde os oficiais se enfiaram na respectiva sala como se estivessem num "ghetto" e os soldados a ouvirem a malta cantar. Cantámos também no quartel de Queluz, e em outros onde se verificou sempre uma grande participação. Eram sessões muito vivas. O Zeca fazia intervenções de carácter político-pedagógico. Tudo isso nos exigia um grande esforço físico, pois actuámos muitas vezes sem meios técnicos de apoio às vozes e aos instrumentos. (...) Na cooperativa Pôr do Sol, em Reguengos, no mês de Outubro de 74, fomos lá. Já fazia frio, era de noite, os camponeses acenderam uma fogueira e puseram-se à volta dela. Parecia uma cena medieval. Cantámos em cima de um reboque de um tractor. Depois os alentejanos, em coro, cantaram para nós. Foi lindíssimo.»
in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador
Foto: Pintinhas, Vitorino, Fausto e José Afonso no 1º de Maio de 1977 no Porto.
in "Livra-te do Medo" de José A. Salvador
Foto: Pintinhas, Vitorino, Fausto e José Afonso no 1º de Maio de 1977 no Porto.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Serenata na Figueira da Foz
O Manel Nemésio namoriscava uma moça que vivia na Figueira e a quem quis presentear com uma serenata. Falou ao Camacho e ao Zeca (dos tocadores já não me lembro) e lá viemos de comboio, no fim de jantar, numa daquelas carruagens duras, de terceira classe, a ensaiar os fados e a acertar os tons. Chegámos, com atrasos e transbordos, pouco faltava para a meia-noite. (...) era uma suave noite de Outono.
A moça vivia perto do Jardim, numa casa virada para o rio. Os tocadores sentaram-se no chão, os cantores atrás, em pé. Ensaiaram-se os primeiros harpejos; a moça, entre cortinas, acendeu e apagou a luz várias vezes...
Ia começar! Mas eis que, das sombras do Jardim, sai um polícia barafustante: "É proibido fazer barulho na via pública depois da meia-noite! Tocà desandar!"
Temi o pior - o Zeca era um antipolícia primário.
Com muita conversa e apelos ao coração, lá conseguimos comover a autoridade. "Bom, eu vou pràquele lado e finjo que não oiço. Mas só vos dou meia hora"
Finalmente começou a serenata.
O Camacho e o Zeca, naquele cenário novo de lua derramada sobre o mar, deram o seu melhor... E o polícia não voltou a aparecer: talvez estivesse ouvindo, também por detrás das árvores do Jardim.
Regressámos alta madrugada. O céu começava a clarear quando chegámos à Estação Nova. No topo da colina, a Torre destacava-se...
A vida era bonita, o futuro longínquo e real o amor.
in Zeca Afonso antes do mito - António dos Santos Silva.
Foto: João Afonso dos Santos à esquerda, o tio Filomeno ao centro e Zeca à direita na praia da Figueira da Foz, local onde a família passava sempre as férias.
A moça vivia perto do Jardim, numa casa virada para o rio. Os tocadores sentaram-se no chão, os cantores atrás, em pé. Ensaiaram-se os primeiros harpejos; a moça, entre cortinas, acendeu e apagou a luz várias vezes...
Ia começar! Mas eis que, das sombras do Jardim, sai um polícia barafustante: "É proibido fazer barulho na via pública depois da meia-noite! Tocà desandar!"
Temi o pior - o Zeca era um antipolícia primário.
Com muita conversa e apelos ao coração, lá conseguimos comover a autoridade. "Bom, eu vou pràquele lado e finjo que não oiço. Mas só vos dou meia hora"
Finalmente começou a serenata.
O Camacho e o Zeca, naquele cenário novo de lua derramada sobre o mar, deram o seu melhor... E o polícia não voltou a aparecer: talvez estivesse ouvindo, também por detrás das árvores do Jardim.
Regressámos alta madrugada. O céu começava a clarear quando chegámos à Estação Nova. No topo da colina, a Torre destacava-se...
A vida era bonita, o futuro longínquo e real o amor.
in Zeca Afonso antes do mito - António dos Santos Silva.
Foto: João Afonso dos Santos à esquerda, o tio Filomeno ao centro e Zeca à direita na praia da Figueira da Foz, local onde a família passava sempre as férias.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Digressão - Suécia e Alemanha
José Niza
«Em 1962 (ou seria em 1963?), um estudante de Coimbra ir à Suécia, não era como hoje "vou-ali-já-venho", era qualquer coisa. (...) O objectivo da viagem era uma actuação no maior acontecimento mundano e social da Escandinávia, a Gala dos Reais Clubes Suecos, com a presença da família real e mais oitocentos convidados.
(devido a um carregamento que levavam para a Embaixada Portuguesa em Estocolmo de filigranas em ouro que desconheciam, estiveram detidos no aeroporto de Genebra cerca de três horas).
De regresso a Portugal, passámos ainda por Frankfurt para fazer um programa na televisão alemã (onde gravaram o "Menino d'Oiro" e "Vira de Coimbra"). Tudo correu bem. E, no final, o realizador perguntou-nos se queríamos ver o programa. «Ver o programa? Mas como? Já revelaram o filme?» - perguntei eu, desconfiado.
Mal sabíamos nós que tínhamos inaugurado a era do vídeo, coisa que em 1962 (1963) e em Portugal nem sequer se falava.
Fim de citação
Fonte:
In José Afonso, edição Movieplay Portuguesa, S.A. - José Niza
Nesta viagem à Suécia foram (da esquerda para a direita):
Gouveia e Melo, a fadista lisboeta Esmeralda Amoedo, José Afonso, José Niza, Durval Moreirinhas, Jorge Godinho e Adriano Correia de Oliveira.

«Em 1962 (ou seria em 1963?), um estudante de Coimbra ir à Suécia, não era como hoje "vou-ali-já-venho", era qualquer coisa. (...) O objectivo da viagem era uma actuação no maior acontecimento mundano e social da Escandinávia, a Gala dos Reais Clubes Suecos, com a presença da família real e mais oitocentos convidados.
(devido a um carregamento que levavam para a Embaixada Portuguesa em Estocolmo de filigranas em ouro que desconheciam, estiveram detidos no aeroporto de Genebra cerca de três horas).
De regresso a Portugal, passámos ainda por Frankfurt para fazer um programa na televisão alemã (onde gravaram o "Menino d'Oiro" e "Vira de Coimbra"). Tudo correu bem. E, no final, o realizador perguntou-nos se queríamos ver o programa. «Ver o programa? Mas como? Já revelaram o filme?» - perguntei eu, desconfiado.
Mal sabíamos nós que tínhamos inaugurado a era do vídeo, coisa que em 1962 (1963) e em Portugal nem sequer se falava.
Fim de citação
Fonte:
In José Afonso, edição Movieplay Portuguesa, S.A. - José Niza
Nesta viagem à Suécia foram (da esquerda para a direita):
Gouveia e Melo, a fadista lisboeta Esmeralda Amoedo, José Afonso, José Niza, Durval Moreirinhas, Jorge Godinho e Adriano Correia de Oliveira.

sábado, 2 de janeiro de 2016
Vira de Coimbra
Este "Vira de Coimbra" é o registo mais antigo que se conhece de Zeca Afonso (o outro é o Menino d'Oiro, gravado na mesma altura).
Gravado na TV em Frankfurt em 1963, o que aconteceu após uma digressão à Suécia onde, para além dos que constam neste vídeo, fizeram parte o Adriano Correia de Oliveira e a fadista lisboeta Esmeralda Amoedo.
Gravado na TV em Frankfurt em 1963, o que aconteceu após uma digressão à Suécia onde, para além dos que constam neste vídeo, fizeram parte o Adriano Correia de Oliveira e a fadista lisboeta Esmeralda Amoedo.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Zeca e a Imprensa moçambicana - 1982
Durante a sua permanência em Moçambique em 1982 a convite da FRELIMO, onde atuou em várias cidades com o Janita, Serginho e Júlio Pereira, Zeca foi entrevistado por diversos órgãos de informação. No Notícias do Maputo dizia Zeca:
«Quero endereçar as minhas saudações fraternais a todas as pessoas aqui em Moçambique. Quero, sinceramente, que esta Revolução difícil, mas que conta com a participação popular, chegue a bom termo; não isoladamente, mas com o apoio de outros países africanos e de outros países que não aceitam o imperialismo. Pela nossa parte tentaremos em Portugal também dar o nosso apoio»
Graça Machel, aquando a visita de Samora Machel Presidente de Moçambique a Portugal em 1983, apresenta Zeca Afonso ao marido, recordando que ele fora seu professor no Liceu António Enes (ex-Lourenço Marques, hoje Maputo). Samora Machel agradece ao cantor a sua acção docente em Moçambique.
Zeca pensou mais tarde regressar a Moçambique o que não veio a acontecer.
fonte: Livra-te do Medo de José A. Salvador
Foto: Entrevista à revista Tempo em Maputo (do arquivo de Júlio Pereira)
«Quero endereçar as minhas saudações fraternais a todas as pessoas aqui em Moçambique. Quero, sinceramente, que esta Revolução difícil, mas que conta com a participação popular, chegue a bom termo; não isoladamente, mas com o apoio de outros países africanos e de outros países que não aceitam o imperialismo. Pela nossa parte tentaremos em Portugal também dar o nosso apoio»
Graça Machel, aquando a visita de Samora Machel Presidente de Moçambique a Portugal em 1983, apresenta Zeca Afonso ao marido, recordando que ele fora seu professor no Liceu António Enes (ex-Lourenço Marques, hoje Maputo). Samora Machel agradece ao cantor a sua acção docente em Moçambique.
Zeca pensou mais tarde regressar a Moçambique o que não veio a acontecer.
fonte: Livra-te do Medo de José A. Salvador
Foto: Entrevista à revista Tempo em Maputo (do arquivo de Júlio Pereira)
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















