quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Biografia resumida - Os primeiros passos

1929 - Nasce em Aveiro (na freguesia da Glória) a 2 de agosto, no piso superior e residencial da «escola infantil» de que a mãe é diretora.

1930 - 1 ano - Aveiro - casa dos avós e tia paternos a residirem perto do edifício da Capitania, à beira de um dos braços da ria. Os pais e o irmão João vão para Angola.

1931 - 2 anos - Aveiro - casa do tio Chico e da tia Jejé (tia materna) moradora no Largo das Cinco Bicas.

1932 - 3 anos - Nasce em Silva Porto (Angola) a irmã Mariazinha (21 de março)

1933 - 4 anos (princípios deste ano vai para Silva Porto no paquete Mouzinho. Zeca tinha cerca de 3 anos e meio)




1934 - 5 anos - Luanda - Angola



Ti Zé Pastor

"Ele ia muitas vezes à Arrábida. Ia ver o ti Zé pastor, que dizia que era o grande filósofo que existia. É preciso ver que o Zeca tinha uma grande relação física com a terra e gostava muito de passear por lá. Lembro-me de numa dessas vezes o ti Zé Pastor lhe pedir para ele trazer uma varina de Setúbal, ao que o Zeca respondeu: "Eh, pá, isso já é mais complicado." Conversavam sobre filosofias que eu nem sequer entendia" (1)

"Todos os percursos vão dar à Serra e desta ao mar (...). Ti Zé pastor é um dos apeadeiros do caminho. A Serra ou as imediações dela é o seu terreno, o seu habitat. Vive isolado entre as brenhas. Tirando as ovelhas e um outro Argos que o acompanha, não conversa com ninguém, nem com ninguém tem com que conversar, salvo se calha passar por aquelas partes um cujo sedento bucolismo compensador (...) Crente nos olhos e nos ouvidos e céptico para as verdades intelectuais (...) vão lá dizer-lhe que o homem pôs o pé na Lua! «Pode lá ser. Quem é que lhe disse a Vossemecê?» - «Ar fresco e exercício é o que lhe falta, Sr. Zeca».

Comemos um pão ázimo e bebemos dum vinho agreste como a natureza que o dono daqueles casebres, também ermita nas férias, providencia." (2)



(1) - José A. Salvador - Livra-te do Medo
(2) - João Afonso dos Santos - Um Olhar Fraterno


(Foto: Zeca no Alentejo em 1979)

Coimbra Musical

RTP Memória - 1978

Neste programa podemos ver e ouvir os testemunhos de: Rui Pato, Manuel Alegre, José Afonso.

José Afonso interpreta os temas: Balada do Outono, Vampiros e Menino do bairro negro. Adriano Correia de Oliveira interpreta a "Trova do vento que passa".

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Rui Pato - Instrumentais

Instrumentais de Rui Pato​ na discografia de José Afonso.

Dos quatro temas instrumentais que estão nos originais e edições dos discos do Zeca, três têm como base a natureza:

- BALADA DO OUTONO e CANTO DA PRIMAVERA

LP Baladas e Canções (1964)

e

- CREPÚSCULO - da autoria do Rui

EP Baladas (editado a partir deste LP). Este instrumental substituiu o tema "Ronda dos Paisanos".

Outro Instrumental

Seleção de Baladas - VAMPIROS - MENINO DO BAIRRO NEGRO - QUADRAS

reedição em 1969 do EP Baladas de Coimbra (1963)

Os instrumentais de Rui Pato reunidos em vídeo.


Asilo Paula Borba - Setúbal

1975
As trabalhadoras, para impugnar a direção gerido nessa altura por freiras, alegando que as freiras comiam que nem abades e que os velhotes passavam fome, foram pedir ajuda ao Centro Cultural de Setúbal. O sentido do movimento era ocupar as instalações e fazer autogestão - Fora com os parasitas que desviam a boa aplicação dos recursos e comprometem o nível de assistência, clamavam os contestantes... E como toda a gente conhecia o Zeca Afonso, foram a casa dele dizer-lhe o que pretendiam.

Se de um lado a razão revolucionária da época exaltava os ânimos "ocupatórios", do outro, os neófitos guardadores de instituições prenhas de exaltações místicas, aguardavam os revoltosos. Um deles - leiteiro de profissão - encorpado, que já várias vezes se tinha travado de razões com o Zeca, aparece de repente com uma pequena machadinha pronto a fazer saltar sangue de quem ousasse transpor a distância que separa a revolução, da pureza freiriana devota do bem estar, não dos idosos que ali estavam, mas das zelosas barrigas abádicas que pretendiam continuar a preservar.

Zeca, perante tal rompante do leiteiro, tropeça ao recuar, valendo-lhe os que seguraram o braço machadeiro, impedindo-o de cumprir a missão a que estava direcionado.
Tudo para a esquadra. Ao chegar a vez de ser ouvido, declarou Zeca para a autoridade e para os autos que não queria apresentar queixa, dando por sanado o incidente.

À saída, cruzou-se com o leiteiro. Sem nenhuma ironia, o homem estendeu-lhe a manápula subitamente afável:

«Sr. Zeca, amigos como dantes!»



Fontes:

http://arquivo.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=6030

"José Afonso - Um Olhar Fraterno" de João Afonso dos Santos

sexta-feira, 23 de outubro de 2015