terça-feira, 13 de outubro de 2015
Fados e Baladas de Coimbra - 1953/1960
Compilados os 12 temas que fazem parte dos 4 discos originais de Zeca Afonso, entre 1953 e 1960.
Zeca Afonso e Rui Pato - 1962/1969
Compilados os 50 temas que fazem parte dos 7 discos originais, da dupla Zeca Afonso e Rui Pato, entre 1962 e 1969.
Os lugares de Zeca Afonso - Coimbra
Em 1940 Zeca Afonso foi viver para o 2º andar da casa da tia Avrilete.
“A tia Avrilete era muito devota e ia todos os dias à missa. Um belo dia, à saída da igreja, a senhora caiu e partiu um braço. O Zeca, que estava sempre a gozar com a religiosidade da tia, não perdeu a oportunidade: ‘Está a ver! Devia ter ficado em casa!’. Mas a tia Avrilete apressou-se a garantir que ainda iria agradecer ao Senhor a graça concedida: ‘Podia ter sido pior!’ E o Zeca: ‘Não vá, olhe que ainda cai outra vez! E não é que caiu mesmo?!!” (1)
- Frequenta o Liceu D. João III, onde começa a cantar serenatas como “bicho-cantor" ("bicho" era a designação praxista dada aos alunos do liceu. Os "bichos-cantores" safavam-se à praxe, como serem rapados pelas "trupes").
“As minhas primeiras veleidades de cantor surgiram quando andava no 6º ano do liceu. As noites passava-as em deambulações secretas pela cidade, acompanhado de meia-dúzia de meliantes da minha idade, amantes inconsequentes da noite. Com uma guitarra e uma viola fazíamos a festa. Estávamos ainda longe do hieratismo triunfal das serenatas na Sé Velha diante de multidões atentas e respeitosas. O velho Flávio Rodrigues continuava a ser o «Mestre», venerado por um pequeno discipulado de guitarristas e acompanhadores que com ele se reuniam numa pequena casa do bairro de Celas onde acabou os seus dias minado por uma doença fatal.”(2)
- Chumba em 1945 e 46.
- Em 1948 termina o Liceu
1949 - inscreve-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras.
- Vai com o Orfeão Académico da Universidade de Coimbra a Angola e Moçambique.
1950 - Casa com Maria Amália, uma costureira que vivia em frente à casa da tia.
- Vai viver para um quarto perto do seu amigo Santos Silva
- Deixam esse quarto e vão viver para o Beco da Carqueja onde nasceram os filhos José Manuel e Helena (1953).
"A visão poético-estudantil em que eu me considerava um herói de capa e batina, um cavaleiro andante, desapareceu ou foi desaparecendo com o tempo e à medida que fui vivendo numa situação económica extremamente difícil com os meus dois filhos no Beco da Carqueja".(3)
- Frequenta as Repúblicas, tanto ia aos "Kágados", onde comia ovos à uma da manhã, como passava pelos "Galifões", ou "Corsários das Ilhas". Conheceu «muita malta» da «Pra-Kys-Tão», do «Palácio das Loucuras» e «Ay-Ó-Linda» (onde na parede de um dos quartos do 1º andar, se encontra escrito o poema "Tecto do Mendigo")(4)
Uma das que mais frequentou juntamente com o Adriano, foi a Republica do "Bota Abaixo" (Inicialmente estiveram instalados na Rua do Borralho, depois foram transferidos, precisamente por causa das demolições na Alta, para a Rua de S. Salvador nº 6, onde ainda actualmente estão instalados)(5)
Sobre um outro lugar frequentado em Coimbra por Zeca Afonso (Café "A Brasileira", é só clicar neste endereço.
Café "A Brasileira"
Homenagem a Zeca Afonso na República "Bota-Abaixo"
Fontes:
(1)Santos Silva in Zeca Afonso ‘Antes do Mito'
(2)José Afonso, Autobiografia, Cidade da Beira, 1967
(3)Citi
(4)In José A. Salvador - Livra-te do Medo.
(5)in Republicas Universitárias de Coimbra
Fotos: AJA e net
“A tia Avrilete era muito devota e ia todos os dias à missa. Um belo dia, à saída da igreja, a senhora caiu e partiu um braço. O Zeca, que estava sempre a gozar com a religiosidade da tia, não perdeu a oportunidade: ‘Está a ver! Devia ter ficado em casa!’. Mas a tia Avrilete apressou-se a garantir que ainda iria agradecer ao Senhor a graça concedida: ‘Podia ter sido pior!’ E o Zeca: ‘Não vá, olhe que ainda cai outra vez! E não é que caiu mesmo?!!” (1)
- Frequenta o Liceu D. João III, onde começa a cantar serenatas como “bicho-cantor" ("bicho" era a designação praxista dada aos alunos do liceu. Os "bichos-cantores" safavam-se à praxe, como serem rapados pelas "trupes").
“As minhas primeiras veleidades de cantor surgiram quando andava no 6º ano do liceu. As noites passava-as em deambulações secretas pela cidade, acompanhado de meia-dúzia de meliantes da minha idade, amantes inconsequentes da noite. Com uma guitarra e uma viola fazíamos a festa. Estávamos ainda longe do hieratismo triunfal das serenatas na Sé Velha diante de multidões atentas e respeitosas. O velho Flávio Rodrigues continuava a ser o «Mestre», venerado por um pequeno discipulado de guitarristas e acompanhadores que com ele se reuniam numa pequena casa do bairro de Celas onde acabou os seus dias minado por uma doença fatal.”(2)
- Chumba em 1945 e 46.
- Em 1948 termina o Liceu
1949 - inscreve-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras.
- Vai com o Orfeão Académico da Universidade de Coimbra a Angola e Moçambique.
1950 - Casa com Maria Amália, uma costureira que vivia em frente à casa da tia.
- Vai viver para um quarto perto do seu amigo Santos Silva
- Deixam esse quarto e vão viver para o Beco da Carqueja onde nasceram os filhos José Manuel e Helena (1953).
"A visão poético-estudantil em que eu me considerava um herói de capa e batina, um cavaleiro andante, desapareceu ou foi desaparecendo com o tempo e à medida que fui vivendo numa situação económica extremamente difícil com os meus dois filhos no Beco da Carqueja".(3)
- Frequenta as Repúblicas, tanto ia aos "Kágados", onde comia ovos à uma da manhã, como passava pelos "Galifões", ou "Corsários das Ilhas". Conheceu «muita malta» da «Pra-Kys-Tão», do «Palácio das Loucuras» e «Ay-Ó-Linda» (onde na parede de um dos quartos do 1º andar, se encontra escrito o poema "Tecto do Mendigo")(4)
Uma das que mais frequentou juntamente com o Adriano, foi a Republica do "Bota Abaixo" (Inicialmente estiveram instalados na Rua do Borralho, depois foram transferidos, precisamente por causa das demolições na Alta, para a Rua de S. Salvador nº 6, onde ainda actualmente estão instalados)(5)
Sobre um outro lugar frequentado em Coimbra por Zeca Afonso (Café "A Brasileira", é só clicar neste endereço.
Café "A Brasileira"
Homenagem a Zeca Afonso na República "Bota-Abaixo"
Fontes:
(1)Santos Silva in Zeca Afonso ‘Antes do Mito'
(2)José Afonso, Autobiografia, Cidade da Beira, 1967
(3)Citi
(4)In José A. Salvador - Livra-te do Medo.
(5)in Republicas Universitárias de Coimbra
Fotos: AJA e net
sábado, 26 de setembro de 2015
RTP
Zeca na sua única intervenção na RTP antes de 1974, nos estúdios da RTP no Lumiar em 1963.
Imagem cedida e esclarecimento do local por Rui Pato
As outras presenças de Zeca na RTP:
Em 1982 esteve no programa de Júlio Isidro (O Passeio dos Alegres)...
«... o Júlio Isidro me telefonou para o Algarve para ir ao programa dele, quando saiu o meu álbum Fados de Coimbra. Disse-me logo que só podia cantar fados de Coimbra e nenhuma das minhas canções... Lá fiz aquela «pato-bravice» de cantar dois fados em «playback»...
Octávio Sérgio
«A 17 de Janeiro fui à televisão fazer play-back com José Afonso e Durval Moreirinhas, no programa “Passeio dos Alegres” de Júlio Isidro.»
Em 1983 esteve no Canal 2, no programa «Tal e Qual» de Joaquim Letria.
Fontes:
"Livra-te do Medo" de José A.Salvador
Blogue "Guitarra de Coimbra" (Parte I)
Café "A Brasileira"
"... no dia em que chega ao café A Brasileira, em Coimbra, anuncia a um grupo de amigos que sabia ali encontrar: "Tenho aqui umas ideias novas que gostava de vos mostrar". Entre eles, Albano da Rocha Pato, jornalista do Primeiro de Janeiro em Coimbra."
... E este café entra na história. Foi a partir daqui que Zeca pedindo uma viola emprestada, se dirige a convite de Rocha Pato a sua casa, e dá-se o encontro com um jovem de 16 anos que, tomando a viola em mãos, dedilha os acordes daquilo que seria o "Menino d'Oiro". O jovem era Rui Pato.
"A Brasileira" abriu em 1928 e encerrou em 1995. O estabelecimento foi fundado por Adriano Soares Teles do Vale que enriqueceu no Brasil com o negócio do café.
Fotos:
"A Brasileira" do antes (café), de ontem (pronto-a-vestir) e de hoje (de novo café. Na parede está parte da letra de "Os Vampiros").
... E este café entra na história. Foi a partir daqui que Zeca pedindo uma viola emprestada, se dirige a convite de Rocha Pato a sua casa, e dá-se o encontro com um jovem de 16 anos que, tomando a viola em mãos, dedilha os acordes daquilo que seria o "Menino d'Oiro". O jovem era Rui Pato.
"A Brasileira" abriu em 1928 e encerrou em 1995. O estabelecimento foi fundado por Adriano Soares Teles do Vale que enriqueceu no Brasil com o negócio do café.
Fotos:
"A Brasileira" do antes (café), de ontem (pronto-a-vestir) e de hoje (de novo café. Na parede está parte da letra de "Os Vampiros").
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Belmonte - O calhau
Em 1938 regressa com o seu irmão João a Portugal, passando a residir na casa do seu tio Filomeno, presidente da Câmara Municipal de Belmonte, onde finaliza a 4ª classe. Sobre o tio diz: "comandante da Legião, germanófilo teve uma coisa boa: ensinou-me cantigas populares antigas da Beira; ouvi-o cantar líricas de óperas (…)”; acrescenta: “foi ele que me incutiu o gosto pela música”.
Do professor Tavares: «era um um indivíduo um pouco sanguíneo, de vez em quando tinha explosões», que gostaria de «ver porque era um indivíduo sério”; e os jogos populares (canicho e bilharda) em que não participava «porque era um pouco o sobrinho do senhor doutor Filomeno»
«Já com quarenta e tal anos, vou a Belmonte e canto à noite no castelo. Cantei o «Vira de Coimbra» e saio pela porta principal (...) vem um tipo ter comigo, dá-me uma palmada e diz assim: “Ó filho da mãe, não te lembras, quando me atiraste um calhau às costas?” Eu disse: «Eh, pá, desculpa lá isso!”.
O facto tinha ocorrido quando eu estava na escola primária. Dei-lhe um grande abraço e disse: «Vamos ver se encontramos os tipos que frequentaram a escola»
In Livra-te do Medo de José A. Salvador.
Fotos:
Escola primária onde Zeca fez a 4ª classe, casa onde morou e placa de homenagem.
Do professor Tavares: «era um um indivíduo um pouco sanguíneo, de vez em quando tinha explosões», que gostaria de «ver porque era um indivíduo sério”; e os jogos populares (canicho e bilharda) em que não participava «porque era um pouco o sobrinho do senhor doutor Filomeno»
«Já com quarenta e tal anos, vou a Belmonte e canto à noite no castelo. Cantei o «Vira de Coimbra» e saio pela porta principal (...) vem um tipo ter comigo, dá-me uma palmada e diz assim: “Ó filho da mãe, não te lembras, quando me atiraste um calhau às costas?” Eu disse: «Eh, pá, desculpa lá isso!”.
O facto tinha ocorrido quando eu estava na escola primária. Dei-lhe um grande abraço e disse: «Vamos ver se encontramos os tipos que frequentaram a escola»
In Livra-te do Medo de José A. Salvador.
Fotos:
Escola primária onde Zeca fez a 4ª classe, casa onde morou e placa de homenagem.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Poesia do Zeca - Mulher
Mulher feita de pernas
braços
perfumes passageiros
Que rompe a madrugada decisiva
Que agoniza
em cada dia que passa
Colónias de símios
Seguem-na de perto
coçando o pêlo
dardejando cobiças
Mulher
à beira
duma largada de pombos
Que fazer do teu braço
do teu crime
da tua mão justiceira?
Rasgas um véu de carne
à tua frente
para poderes ver quem te oprime
te insulta
te incendeia
Não sabes
que rumo terá
a tua marcha migratória
pelas ruas
por onde outrora se viam
sinistros vultos de capuz
Timoneiros da morte
Cadáveres conduzindo sírios
em filas
de gargantas acesas
como piras
Corta
Fulmina
Com a tua clara música
a noite da suástica
Mulher viva
Paris, 29 de abril de 1980 e Azeitão de 1980
Foto: carga policial na década de 40 no Barreiro.
braços
perfumes passageiros
Que rompe a madrugada decisiva
Que agoniza
em cada dia que passa
Colónias de símios
Seguem-na de perto
coçando o pêlo
dardejando cobiças
Mulher
à beira
duma largada de pombos
Que fazer do teu braço
do teu crime
da tua mão justiceira?
Rasgas um véu de carne
à tua frente
para poderes ver quem te oprime
te insulta
te incendeia
Não sabes
que rumo terá
a tua marcha migratória
pelas ruas
por onde outrora se viam
sinistros vultos de capuz
Timoneiros da morte
Cadáveres conduzindo sírios
em filas
de gargantas acesas
como piras
Corta
Fulmina
Com a tua clara música
a noite da suástica
Mulher viva
Paris, 29 de abril de 1980 e Azeitão de 1980
Foto: carga policial na década de 40 no Barreiro.
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