segunda-feira, 27 de julho de 2015

Um cartaz raro

9 de Março de 1975 – Ocupação de uma casa para nela instalar a sede da Comuna Popular de Aveiras de Cima.

9 de março de 1976 - no seu 1º aniversário, a Comuna Popular de Aveiras de Cima convidava Zeca Afonso, Fanhais, Pedro Barroso...

Poesia do Zeca - Queda livre fogo preso

MÚSICA EM ALCOBAÇA NO TEMPO DO PREC

ZECA AFONSO - junho de 1975

«Sessão da LUAR, realizada num dos salões da ala norte do Mosteiro, com a presença de Palma Inácio e Camilo Mortágua, e ainda o advogado radical Pessanha Gonçalves, que a organizou.

Esteve presente José (Zeca) Afonso (aliás tinha sido professor liceal em Alcobaça), que cantou algumas canções, começando por “Venham Mais Cinco” e encerrando com o inevitável “Grândola Vila Morena”, entoado em pelos cerca de 50 presentes.»

Fim de citação

50 pessoas. 50 pessoas que foram ouvir Zeca Afonso, pois apesar da propaganda feita pelos organizadores, o público não correspondeu.

A 25 novembro de 1975 foi-se o PREC. Nada mais foi como antes.

Daqui:

http://flemingdeoliveira.blogspot.pt/2014/04/musica-em-alcobaca-no-tempo-do-prec.html

quarta-feira, 22 de julho de 2015

ZECA AFONSO, FILHO DA MADRUGADA, por Pedro Laranjeira

"Anarquista, sonhador, poeta, Zeca Afonso colou aos oito séculos e meio de lusas tradições algumas páginas novas, com a coragem de muitos antes dele, mas com o ineditismo de que só a sua própria singularidade foi medida.

Em 23 de Fevereiro de 1987 a morte saiu-lhe à rua, (...) e nem um fragmento de memória nos separa da recordação que deixou, das frases que toda a gente conhece, da importância da sua passagem pela história que lhe foi tempo de vida.

Andarilho de palavras, aprendeu a usá-las entre europas e áfricas de pessoas e poemas.

Cantou Coimbra e transfigurou o cariz da balada, acertou-a com a sua enorme insatisfação das aceitações que o rodeavam e desenhou as diferenças em metáforas, umas subtis outras explícitas, que lhe trouxeram companheiros de estrada mas o levaram também às quatro paredes de uma cela onde aprendeu na carne a importância de ser um incómodo público.

Buscou raízes nas tradições culturais de outros povos e gentes, de África ao Brasil, ligou-as às nossas próprias e fez nascer sonoridades novas, poemadas de uma forma nunca visitada pela cultura deste areal onde não nasce a aurora.

E lá se sentava às vezes na Casa das Tortas de Azeitão, mais sozinho que o Herman que também por lá parava, sempre com papeis e um olhar distante, vazio por momentos dos amigos maiores que o pensamento que lhe aqueceram o percurso, talvez imerso em linhas que hoje todos nós já ouvimos cantadas.

Caminharam com ele irmãos de revolta, como Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Rui Pato, Manuel Freire, Alípio de Freitas, tantos que viram as portas que Abril lhe abriu serem descobertas pelo Zeca como fechadas de novo… e a utopia a continuar, a elusiva revolução de gentes e mentes a parecer uma necessidade eterna.

Era um filho da madrugada, fiel à sua moral muito própria… “eu sou o meu próprio comité central” - ele que nunca se identificou com nenhum… e tentaram conotá-lo com os comunistas, que ele nunca foi, com a LUAR, a que nunca pertenceu, até mesmo com uma estranha definição de “católico progressista”… seja o que for que isto queira dizer…

Entre “incómodo” e “perigo público”, o sistema catalogou-o ab initio como “um homem de esquerda” (esse mesmo sistema que das mudanças dá à História o ponto de vista de quem prevalece) - e o rótulo ficou, para desinformação das esquerdas e das direitas que, de resto, são designações cada vez mais misteriosas nos meandros dos seus contornos de conveniência.

Com o rótulo, secundarizou-se a dimensão do artista, do poeta, do músico, do génio que nunca poupou ferroadas, tanto às direitas como às esquerdas do seu tempo.

Porque Zeca Afonso, à procura de manhã clara, foi um libertário sem doutrina ou ideologia que não derivassem de si próprio.

Podia, em certos momentos, estar mais perto de certas posições que de outras, mas ferrava-lhes nas canelas ao menor desvio. Ninguém nunca o obrigou, mas veio para a rua e cantou… e quem de perto o conheceu, sempre trouxe outro amigo também…

Tão distraído como Einstein teve fama de ser, ele vivia numa dimensão muito sua, nem sempre em consonância com o momento e o local imediatamente presentes.

Até como professor encontrou uma forma diferente de agir e tentou, num país onde nunca houve nenhum clube de poetas mortos, estimular os alunos a pensar pelas suas próprias cabeças.

Durante 32 anos gravou discos e deixou uma obra que constitui um dos mais valiosos patrimónios da cultura portuguesa de todos os tempos.

Foi uma força da natureza, enquanto a vida lhe não faltou…

… e como não há machado que corte a raiz ao pensamento, ele alimentou a utopia que lhe deu forças até mesmo depois de as ter perdido às armas de uma coisa mais poderosa que lhe fora a PIDE, chamada esclerose lateral amiotrófica, um dos muitos fracassos das medicinas, que deixam uma pessoa lúcida mesmo quando já não consegue expressar-se…

Foi essa a última revolta, a que já não conseguiu transmitir…"

Daqui: http://freezone.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=25


"Tu Gitana" - "Luar na Lubre"

3 versões da autoria de "Tu Gitana", do grupo "Luar na Lubre". A primeira em 1997, depois em 2001 e 2005.


Na 3ª versão, a autoria da música a Zeca Afonso é que se encontra correta.


Colaboração de Paxariño Deffes


Sobre o tema:

notasemelodias

"Tu Gitana"

Tema de Zeca Afonso envolvido em plágio

"A irlandesa Méav ní Mhaolchatha está a ser acusada por alguns musicólogos portugueses de ter feito plágio a um tema de José Afonso.
Em causa, está o tema 'The Calling', que dá o nome ao disco lançado no final do ano passado (2013) pela ex-Celtic Woman e as suas parecenças com 'Tu Gitana', de Zeca Afonso. Faça as suas próprias comparações ouvindo os dois temas nos vídeos em baixo. De facto, até a vocalização de Méav é parecida à de Helena Vieira no original editado em "Galinha do Mato", de 1985.

A cantora irlandesa já se defendeu em declarações ao Correio da Manhã, afirmando que a melodia que a inspirou a escrever o tema foi-lhe apresentada como sendo uma «canção tradicional celta», pelo produtor Craig Leon. De facto, Zeca Afonso era um reconhecido melómano e entre as suas muitas inspirações estava a música galega, que vai buscar muito ao imaginário celta.

Por seu lado, o produtor norte-americano Craig Leon afirmou ao mesmo jornal que «os temas tradicionais não estão abrangidos pelas leis dos direitos de autor». Leon garante que procurou o tema nas bases de dados digitais e que não encontrou qualquer referência a Zeca Afonso, apenas a indicação de «domínio público». O desaparecido compositor português não aparece creditado no disco, aparecendo apenas a indicação de «tema tradicional».

A Sociedade Portuguesa de Autores informa que, para se dar início ao processo por plágio, tem de dar entrada uma queixa apresentada pelos herdeiros de Zeca Afonso."

Daqui:

cotonet IOL

Sobre esta polémica disse Méav ní Mhaolchatha:

Just to clarify, Jose Afonso recorded the same traditional melody but he did not claim copyright on the words or melody. The melody is traditional. This is the title track of my album The Calling. The lyrics are my own and this version is under copyright. It is released by Warner music. Thank you.

Tradução livre :

"Só para esclarecer, José Afonso gravou a mesma melodia tradicional, mas ele não reclamou direitos de autor sobre as palavras ou melodia. A melodia é tradicional. Esta é a faixa-título do meu álbum The Calling. As letras são minhas e esta versão é protegido por direitos autorais. Ele é liberado pela Warner Music. Obrigado."

Fim de citação

Pelas pesquisas que fiz a letra é realmente tradicional (Cancioneiro de Elvas e não Vila Viçosa) com música de Zeca Afonso. Se não está aqui em causa a letra de 'The Calling'já que a mesma é de autoria de Méav e nada tem a ver com a que está na canção do Zeca, já a música é do Zeca e aí há que dar ênfase ao autor e não apresentar como autores da letra e música da faixa "The Calling", Craig Leon / Méav / Cassell Webb.

A voz de Helena Vieira no tema, inserido no LP "Galinhas do Mato:


... E agora comparar com "The Calling" de Méav


Ver mais sobre este tema

Blitz

Sobre o Cancioneiro

wikipédia

O Cancioneiro da Biblioteca Públia Hortênsia de Elvas-Página XXII

BALADA DO OUTONO - Instrumental

música: José Afonso
arranjo: Rui Pato

Este instrumental, faz parte do LP "BALADAS E CANÇÕES" - 1ª edição de 1964.